Reflexão: Cuidado com o pragmatismo!

Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; (Atos 14:15)

O pragmatismo no meio “evangélico” tem causado um profundo afastamento de Deus e das Escrituras. Por isso quero neste texto refletir sobre este perigo, que infelizmente poucos têm observado. Muitos tem visto o crescimento numérico nas igrejas com grande contentamento. No entanto este crescimento manifestamente tem ocorrido com base em práticas centralizadas no homem e não em Deus. Dessa forma as igrejas em nome de um pragmatismo absurdo têm se afastado do propósito que deveriam ter ao se intitularem seguidoras de Cristo: Glorificar a Deus seguindo sua Palavra. Que você leia e reflita a luz do que nos ensina a Bíblia!
Mas o que vem a ser pragmatismo? É a opinião que afirma que a verdade está do lado do que é prático, do que é útil, ou seja, o que vale a pena é o que funciona. Se uma coisa funciona então está correta. Se algo dá certo, então a conclusão é que este deve ser o caminho a seguir. Mas será que isto existe no meio “evangélico”? Afirmo que sim e é algo muito fácil de provar. Ora, podemos fazer algumas perguntas: O que determina normalmente o trabalho evangelístico das igrejas? O que motiva e orienta o planejamento dos cultos? O que impulsiona os pregadores na escolha dos temas de suas mensagens e do conteúdo das mesmas? O que determina as doutrinas ensinadas nas igrejas? O que determina, enfim, todas as estratégias para atrair e manter as pessoas nas congregações? Meus irmãos, se formos bastante honestos, creio que na maioria dos casos a resposta a estas perguntas será: O que funciona, o que dá certo, o que produz resultados. Ora, isto é pragmatismo. De que maneira isto afeta a prática das igrejas? Vejamos:
No evangelismo e culto o pragmatismo se manifesta em seus métodos. A pergunta que se tem feito é: O que mais atrai as pessoas para a igreja? A preocupação com isso é fazer com que os métodos evangelísticos e os cultos sejam capazes de chamar a atenção das pessoas e provocar a frequência delas na Igreja local. A ênfase está na pergunta: o que de fato funciona para ganharmos membros para a igreja? O que é prático, o que dá certo, enfim, o que faz a igreja estar constantemente cheia? Observemos que neste caso a preocupação não é Deus, nem a Bíblia e sua mensagem e o Evangelho Bíblico, mas a preocupação está voltada para o homem e o que ele quer ouvir, ver, e sentir. Dessa forma os métodos escolhidos não são os que de fato se baseiam na Bíblia, mas sim os que agradam as pessoas e as atraem para as igrejas. Não se pergunta: o método de evangelismo é bíblico? Nosso culto é bíblico? As perguntas feitas pelos que seguem este pragmatismo é: o método funciona? O culto é atraente e agradável? Vejam bem que nisso há grande diferença. Na verdade o que vale para o pragmático não é a Bíblia, não é a vontade de Deus, mas o que agrada as pessoas.
Ora amados, fica bem nítido que o pragmatismo no evangelismo e culto afasta as igrejas da Bíblia, e tira Deus do centro, pois coloca o gosto do homem acima das Escrituras. Nesse caso, Deus e sua Palavra ficam em segundo plano e os desejos humanos em primeiro. Tudo isso é um grave erro. A Palavra de Deus sempre deve ser nossa bússola se não nos perderemos e não cumpriremos os desígnios de Deus. Creio que isso é fácil de constatar. Vejam o que os métodos não bíblicos têm feito: Desfiguram as igrejas tornando-as centro de diversão e entretenimento. Sim, muitas vezes os “evangélicos” têm atraído as pessoas. Mas é triste notar que os métodos evangelísticos e os cultos não têm sido bíblicos, são semelhantes a shows de televisão, teatro e musicais, são semelhantes eventos onde se procura entreter com piadas e danças. São métodos e cultos que procuram alegrar as pessoas fazendo que se divirtam. Tudo isso tem tirado a seriedade de toda a questão evangelistica e de nossos cultos. Tem feito as pessoas se esquecerem da seriedade de seus pecados diante de Deus. Enquanto elas estão rindo e se divertindo, muitas vezes o que acontece é que ficam em uma espécie de torpor, de anestesia. Enquanto estão sendo animadas pelos diversos métodos, seus corações não são constrangidos por seus pecados, porque elas estão sendo levadas mais a divertir-se que a pensar com seriedade em suas graves situações diante de Deus. Muitos têm visto as igrejas e os cultos como uma diversão. Não, as igrejas precisam de alegria sim, mas de alegria responsável e real, que leva a sério o pecado e a graça de Deus em Cristo. A verdadeira evangelização e os cultos de fato bíblicos levam as pessoas a esta alegria responsável, pois são sérios. Eles levam em conta a gravidade do pecado e também a grande esperança e alegria que há na salvação em Cristo. Deus é sério, e o pecado é algo gravíssimo porque é praticado contra Ele. Então o evangelismo e o culto devem também ser sérios. Isso não que dizer que nossos cultos sejam tristes e destituídos de esperança. Não, ao contrário, eles são animadores, pois existe a grande esperança e alegria em Cristo. No entanto o que quero dizer é que os cultos realmente bíblicos não produzem o que posso chamar de “diversão anestésica”, não produzem falta de seriedade e insensibilidade diante do pecado, não produzem palhaçada, brincadeira enquanto ainda estamos em pecado diante de Deus. O evangelismo e culto realmente bíblico produz a seriedade que a gravidade do pecado diante de um Deus Santo requer, ao mesmo tempo em que manifesta a verdadeira alegria em Cristo Jesus, o Salvador do pecado.
Mas em especial a pregação é afetada por este pragmatismo. Neste caso a pergunta não é: Qual a mensagem que a Bíblia nos orienta a pregarmos aos pecadores? Mas, qual a mensagem que mais agrada os pecadores e os chama mais a atenção? Nestas perguntas também existe grande diferença. Assim observamos que os temas bíblicos como: Deus, o pecado, a salvação em Cristo, o novo nascimento, o arrependimento e a fé, a Justificação, a Ira de Deus, o Céu e o inferno; não são pregados com tanta intensidade como já foram em outras épocas da História da Igreja. Levados pelo pragmatismo muitos argumentam que estes temas são ofensivos e afastariam as pessoas dos cultos. Devido a estes pensamentos tais pregadores preferem pregar temas como: cura divina, prosperidade material, soluções de problemas familiares e emocionais. Segundo estes pregadores estes são temas que provocam o interesse das pessoas e as mantém frequentando as igrejas. E de fato muitas vezes eles têm grande sucesso, com suas igrejas sempre cheias. Todavia aqui também fica claro que a Bíblia não é a prioridade para este pregador pragmático, mas sim o que agrada aos ouvintes. Ora, se enfatizarmos em nossa pregação temas como: cura, prosperidade e soluções de problemas emocionais, e quase nunca, ou nunca, falarmos do pecado, o que na verdade estaremos fazendo é desviando a atenção das pessoas do que de fato é mais importante, e nos afastando da pregação bíblica. E provo isso com um teste: Olhemos para os pregadores da Bíblia. Qual era a ênfase principal dos profetas do Antigo Testamento em suas mensagens? E no Novo Testamento: O que João Batista pregou? Do que nosso Senhor mais falou? Em Atos, qual era o tema principal das pregações lá registradas? E nas epístolas em torno de que elas giravam? E o Apocalipse nos alerta sobre o que? Qual a resposta que permeia a todas as perguntas deste teste? Ora, é Deus e seu relacionamento com os homens e mulheres. A Bíblia inteira fala, e os pregadores bíblicos estão nisso incluídos, que o Senhor Deus tem sido afrontado pelos seres humanos, que os homens têm orgulhosamente se rebelados contra Ele. São pecadores, amam o pecado e odeiam a Deus. Deviam amar a Deus e viver para sua glória, mas não é assim que estão vivendo. Esses homens e mulheres estão desafiando o Único Deus. Tudo isso atrai sobre eles a ira de Deus nesta vida e trará no futuro o terrível inferno. Os pregadores bíblicos alertam os homens o tempo todo. Mostram ainda, estes pregadores bíblicos, que existe um Salvador, Cristo Jesus. É preciso voltar-se para Deus em tristeza profunda pelo pecado. É preciso odiar o pecado e clamar pela misericórdia divina. É preciso depositar toda a confiança no Salvador. Ele é o único que salva, justifica e santifica. Nele os homens podem ser reconciliados com Deus. Ele é o Salvador do pecado de seu povo. Estas são as ênfases dos pregadores bíblicos. Não os vemos darem grande ênfase a milagres e as necessidades desta vida. É verdade que a Bíblia registra muitos milagres, e que Deus naqueles tempos derramou grandes benção materiais. No entanto fica claro que estas coisas não eram prioritárias e que todas elas giravam ao redor da questão essencial: Tem sido Deus glorificado na vida dos homens? Essa é a grande questão, não os milagres ou bençãos materiais. O que se enfatiza é a maior benção de todas: o próprio Deus. Ele é o maior bem, a maior benção. Os pregadores bíblicos deixam claro que um homem e uma mulher podem ter tudo, mas se não tiverem Deus, eles não têm nada. Tudo é vaidade, tudo é vão sem Deus. Este é o ensino bíblico. Leia você mesmo sua Bíblia e tire suas próprias conclusões. No entanto os pregadores modernos em nome de um terrível pragmatismo abandonaram a ênfase bíblica e tentam agradar a homens. Porém o resultado é drástico, pois muitos se perdem sem de fato darem importância a questão prioritária: Como está minha relação com Deus? Passam a vida procurando curas, prosperidade, soluções e alívios emocionais, mas quanto as suas almas eternas quase nunca pensam nelas. Quase nunca pensam em Deus, pois estão mais preocupados em pedir-lhe bençãos. Estão distraídas da questão mais importante. Oh, como o pragmatismo tem feito terrível mal a muitos ditos “evangélicos”. Tem os feito esquecer da Bíblia, da Verdade, de Deus. Que coisa horrível! Pensemos nisso e examinemos a nós mesmos. Clamemos pela misericórdia divina por nós, por nossa família, pelas igrejas no Brasil, e por toda a nação em geral. Precisamos de verdadeiros pregadores e que Deus os levante neste país tão carente da Verdade.
Mas desejo ainda inferir de At 14:8-18, alguns aspectos importantes para nosso tema. Leia por favor:
Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifício
Neste texto Paulo é usado por Deus na cura de um coxo de nascença. A multidão vendo isso entende que ele e seu companheiro Barnabé eram deuses. Ora, Paulo tinha diante de si uma multidão que estava em suas mãos. Se ele aceitasse o que a multidão dizia, continuaria controlando a todos. O fato é que muitos pragmáticos modernos aceitariam a insinuação dessas pessoas e tentariam agradá-las. Não é verdade? Diriam: “vamos dar o que eles querem e assim eles ficarão conosco. Se eles dizem que somos deuses, que assim seja, depois explicaremos as outras coisas” Paulo fez isso? Não, não e não! Paulo não seguiu a cultura e a religiosidade falsa daquelas pessoas com a desculpa de mantê-las consigo. Ele não tentou agradá-las ensinando o que elas queriam ouvir. Ele era um pregador do Evangelho, e o Evangelho é uma mensagem que traz os homens e mulheres de volta para Deus e os livra de falsos deuses. Porém aquelas pessoas queriam adorá-los como deuses. A isso Paulo diz: “não”, “somos homens como vocês”, “voltem-se para o Deus Vivo, o Criador”. Paulo chamou aquelas pessoas para Deus. Isto é o Evangelho. É uma volta para Deus em Cristo. É deixar falsos deuses. Paulo não era um pragmático. Paulo não se aproveitou do engano, da ignorância, da tolice da multidão. Não! Em vez disso ele procurou instruí-los, procurou mostrar a eles a Verdade, eles precisavam voltar-se para Deus. No verso15 Paulo afirma que as crenças daquelas pessoas eram vãs. Eram crenças inúteis sem nenhum sentido e propósito. Todas aquelas crenças as estavam mantendo longe do Verdadeiro Deus. Eram loucura. Adoravam o que não era deus, enquanto o Deus verdadeiro não era adorado. E o fim de tudo aquilo era a perdição eterna. Não! Paulo não poderia deixar aquelas pessoas no engano, e com isso usurpar a glória que só pertence a Deus e levá-las como consequência a perdição. Paulo sabia que só Deus deve ser glorificado e também queria a salvação daquelas pessoas. Então ele as contraria a diz: Voltem-se para Deus!
E nós o que faremos? Vamos porventura manter as pessoas no engano e idolatria em nome de um pragmatismo absurdo e completamente vão? Vamos mentir a elas misturando o Evangelho Genuíno com suas crenças vãs que elas aprenderam desde a infância? Vamos tentar levá-las a Deus mantendo-as em suas idolatrias? Não meus amados, não podemos fazer isso! Precisamos pregar a Verdade, precisamos pregar a Bíblia. Esta mensagem baseada na Bíblia não é vã. Ela é útil, certa e verdadeira, pois chama os homens a voltar-se para Deus em Cristo Jesus. Ela não é agradável nem pragmática para o homem pecador, mas é a Verdade que traz Deus a nós e nos salva. Só esta mensagem o Espírito do Senhor confirma com sua graça . Portanto, voltemo-nos para a Verdade que liberta do engano, e deixemos o pragmatismo inútil. Voltemo-nos para a Bíblia. Voltemos para Deus. Amém!

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