Introdução ao Ensino do Evangelho de João (Segunda Parte):

IV – A VIDA DO CRENTE EM CRISTO:

Neste tópico queremos mostrar o tipo de vida que o crente em Cristo leva, qual o efeito que a fé em Jesus produz na vida das pessoas. No ponto anterior mostramos que ninguém vem a Cristo a não ser que o Pai o traga (Jo 6:35-45). Falamos que ali se encontra a doutrina da predestinação em João. Deus é quem soberanamente chama e conduz as pessoas Cristo. Estes são os eleitos de Deus. Quando paramos para pensar neste fato somos levados a considerar que se é Deus quem escolhe, tal escolha implicará em uma certeza absoluta de perseverança, ou seja, os eleitos perseverarão, os eleitos não perderão a sua salvação. João deixa bem claro isto ao citar estas palavras de Jesus: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6:38,39). Qual a vontade do Pai? Que nenhum dos que deu a Jesus se perca. O que Jesus fará a estes tais? Ele os ressuscitará no último dia. Fica então bem claro que nenhum, repito, nenhum, dos que o Pai deu a Jesus, nenhum dos eleitos, nenhum dos que vem a Ele se perderão. Cem por cento serão salvos. Aqui está declarado que os verdadeiros crentes perseverarão, que os verdadeiros crentes não perdem a salvação. Aqueles que apostatam e desviam-se na verdade nunca foram crentes.
Isto fica também claro nesta outra citação que João faz de Cristo: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.” (Jo 10:26-30). Jesus diz que aqueles que não crêem Nele, agem assim porque não são suas ovelhas. As suas ovelhas, ao contrário, ouvem a sua voz. Quem são estas ovelhas? Fica obviou que são aqueles que o Pai lhe deu, são os eleitos, os predestinados. Sobre estes Jesus diz que jamais irão perecer. Este estão seguros em sua mão e nas mão do Pai. Ambos, o Pai e o Filho cuidam destes. Fica claro que a predestinação nos fala de um propósito divino que é irrevogável. Os verdadeiros crentes são os que foram predestinados por Deus. É obvio que estes tais não vão se perder. Portanto, é sem cabimento acreditar que um verdadeiro crente possa perder a salvação. E anti-bíblico pensar assim. Devemos ainda observar que as ovelhas vão ouvir a Cristo e não a outro. O fato é que na hora em que uma ovelha ouve Cristo chamá-la ela o seguirá. Mas, não seguirá a outro (Jo 10:1-5). Diante disso eu devo afirmar que quem é de Jesus não ouvirá a um falso profeta, não se desviará da Palavra de Cristo para seguir um falso profeta. Peço que você, leitor, pense em todas estas coisas.
Outro aspecto da vida do crente, que João aborda, é a total dependência que este tem de Cristo (Jo 15:1-8). O crente é um galho ligado a videira e vive por ela. A videira é Cristo. Nessa dependência o crente produz fruto. Este fruto é o transbordamento da vida da videira. O crente depende de Cristo e por Cristo produz frutos. Usando a linguagem de Paulo, este é o fruto do Espírito. Notemos que neste processo o Pai é o agricultor. Essa árvore, seus galhos, e seus frutos, estão no cuidado do Pai. São obra Dele. O Pai corta os galhos improdutivos, que na verdade são falsos, e cuida dos que produzem, limpa os que produzem para que a produção aumente. A vida do crente é um progresso em termos de produção de frutos cada vez melhores. Tudo isto é feito pela Palavra de Cristo. É a Palavra que o Pai usa para limpar ao crente e aumentar sua produtividade. Sem Cristo o crente nada pode fazer (Jo15:5). E estar ligado e dependente de Cristo, é estar ligado e dependente de sua Palavra (Jo 15:7 e 10). Observamos, portanto, que a vida cristã é provada em sua autenticidade através da produção de frutos, que mostram uma dependência de Cristo mediante sua Palavra. Quem é crente vive pela Palavra de Cristo e não por sua própria ou de outros. Pense também nisso meu prezado leitor.
Essa dependência implica em uma comunhão com Cristo, e não só com Cristo, mas evidentemente com toda a Trindade Eterna. Sendo crentes, somos os amados amigos de Cristo (Jo 15:13-15). O Pai também nos ama e vem em nós fazer morada (Jo 14:21-24). O Espírito Santo também vem habitar em nós (Jo 14:16-17). Isto é tão extraordinário que deveríamos pensar e nos alegrar muito com este fato. Como é possível miseráveis pecadores como nós receberem tão grande privilégio, aliás, o maior privilegio que existe: A Trindade em comunhão conosco. Essa é a graça de Deus. Outra coisa importante a pensar é: Será possível que tais crentes possam continuar vivendo em pecado como os incrédulos? A resposta clara de todo o Evangelho de João é: não, não e não. Se temos comunhão com a Trindade, se somos amados e habitados pelo Deus Trino, é impossível não sermos santificados. É impossível continuarmos achando o pecado algo normal para nós. O Fruto sem duvida aparecerá, e mais, a qualidade do fruto progredirá. Assim este tão grande privilégio trará consigo sua própria autenticação. Em outras palavras, não basta dizer que estamos em comunhão com Deus se não temos fruto, se não o obedecemos. O amor a Deus é a prova de que Ele habita em nós (Jo 14:21-24). E se amamos a Deus odiamos o pecado e somos obedientes. Penso que muito do “Cristianismo” de nossos tempos seria desmascarado se estes ensinos de João fossem levados a sério.
Todo este ensino de João a respeito do fruto desemboca em um propósito final que é comum nas Escrituras: A glória de Deus. Diz João citando a Cristo: “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.” (Jo 15:8). Nunca devemos esquecer este fato que o propósito primordial de toda a obra de Deus em nossas vidas é a sua glória. Não é o discípulo que é glorificado, não é o que produz fruto que é glorificado, mas Aquele que no final das contas é o que produz todas estas coisas: Deus. Ele é o agricultor, o que cuida da videira, o que limpa os galhos, o que envia a Palavra. Então a Ele a glória. A glória Dele se manifesta quando os crentes frutificam, e quanto mais fruto, mais gloria para Ele, Ele é glorificado no muito fruto. Assim os crentes vivem neste mundo com um propósito bem definido: Expressar a glória de Deus. Disto deduzimos que os discípulos não estão em busca primordialmente de sua própria felicidade. Não! A busca primordial deles é a glória de Deus. Assim se tiverem que sofrer para que Deus seja glorificado, sofrerão. Que nós reflitamos nestas coisas diante do atual quadro de engrandecimento do homem que é apresentado no evangelicalismo moderno. No meio evangélico atual o importante é a felicidade do homem, o seu bem estar. Neste caso o homem é o centro, e Deus é posto na periferia para servi-lo. Não meus irmãos, isto é anti-bíblico. Na verdade a Bíblia ensina que Deus é o centro e que a verdadeira felicidade se encontra em vivermos para a sua a glória. Feliz é aquele que acha sua felicidade na glória de Deus, que se contenta em Deus, por que Deus é seu maior tesouro, é o centro de sua vida, é o seu amor, é o seu Deus afinal!
João ainda nos ensina que os crentes estão neste mundo para testemunhar, para apresentar a mensagem de Cristo (Jo 15:26,27). Porem João deixa claro que isto não vai ser fácil. Cristo nos diz que seremos perseguidos da mesma forma, e pelos mesmos motivos que perseguiram a Ele (Jo15:20). Ora o mundo odiou a Jesus porque Ele denunciou suas más obras (Jo 7:7). Os discípulos terão que seguir a mesma trilha de Cristo sendo, portanto, também odiados e perseguidos pelo mundo. Mas em meio a isto muitos ouvirão (Jo 15:20). As ovelhas de Cristo sempre continuarão a ouvir a vós do Bom Pastor. Jesus orou por estes, sim, pelos que viriam a crer depois (Jo 17:20). É bem verdade que o caminho dos crentes neste vida não é fácil, mas o final dele é o Céu (Jo 14:1-6). Jesus exortou a seus discípulos a que não se turbassem, pois Ele iria preparar lugar para eles. Neste lugar eles estariam para sempre com Ele. Veja: sempre, sempre , sempre com Ele. Hoje os crentes sofrem, são perseguido, incompreendidos, mas já estão em comunhão com Cristo. Todavia chegará aquele dia da vitória final deles, em que, mais nenhum sofrimento haverá para eles, e então para sempre e sempre eles terão comunhão completa com Cristo, o Filho de Deus. Esta é a esperança gloriosa dos discípulos de Cristo. A esperança deles não está neste mundo, mas naquele do qual eles são herdeiros em Cristo para a glória de Deus. E Cristo é o único caminho para lá (Jo 14:6). Só os que seguem este Caminho, só os que crêem em Cristo é que de fato lá chegarão. Nenhum destes se perderá, pois esta é a vontade do Pai, visto que os deu a seu Filho (Jo 6:39).

V – CONCLUSÃO:

Ficou bem claro para nós que o propósito de João em seu Evangelho é apresentar quem é Jesus. Conhecer e crer neste fato faz a diferença entre a vida e a morte. Cristo é a Luz, a Vida. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Os que crêem Nele são o que são trazidos pelo Pai. Estes vivem por Ele, em comunhão com a Santa Trindade, por sua Palavra, produzindo cada vez mais frutos para Glória Divina. Nisto eles acham plena felicidade. Eles também são fiéis testemunhas de Cristo, e por causa disto sofrem pelas mãos de um mundo que odeia a Verdade. Mas muitos que também são ovelhas de Cristo irão ouvi-los e se juntarão ao rebanho. Os crentes sofrem nesta vida, porém estão conscientes que a esperança e futuro deles está no Céu quando para sempre e sempre estarão com Cristo o Salvador Deles. Sabem que estão seguindo o Único Caminho para tal lugar. Este é Aquele que disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14:6).
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