Uma análise bíblica do crescimento dos evangélicos no Brasil conforme o Censo do IBGE - Estudo baseado em Atos 2 - Texto.

Este texto é de Agosto de 2012. Republicamos pela importância e atualidade do assunto. Meditem... 

Com a divulgação feita pelo IBGE do aumento expressivo do número de evangélicos no Brasil a reação de muitos foi de entusiasmo por crerem que este fato significa que o país está sendo impactado pelo Evangelho de Cristo. A conclusão destas pessoas é que o número pomposo deve significar que as coisas vão bem. Mas esta é uma avaliação muito superficial e perigosa. Superficial porque não avalia os fatos em sua realidade, e perigosa porque, ao não buscar a realidade, piora a ilusão já prevalecente. Porém, uma análise do crescimento dos evangélicos no Brasil deve ser feita com base em critérios bíblicos e não em mera grandiosidade dos números. As questões essenciais para toda a reflexão sobre o assunto são as seguintes: Por quais meios se atingiu este grande número? Foi obra do Espírito Santo ou apenas estratégia humana? Qual o efeito destes milhões de evangélicos sobre a sociedade brasileira nas últimas décadas? Eles têm sido sal e luz (Mt 5:14-16)? Apesar de que haverá um número sem conta na Glória (Ap 7:9),  a Bíblia não mostra que os números são essenciais, pois várias vezes Deus tinha apenas um remanescente entre o povo, e o Senhor Jesus disse que são poucos os que entram pela porta estreita e muitos pela porta larga (Mt 7:13,14). Assim, a Bíblia nos leva a pensar na origem dos números e não nos números em si, como também no efeito que os mesmos têm causado na sociedade.

Jesus disse que seus discípulos são o Sal da terra, ou seja, devem influenciar o mundo para o bem e agir como freios do apodrecimento moram e espiritual. No entanto algo estranho acontece em relação ao crescimento evangélico. O Site G1 nos informa que: “O número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos, segundo dados do Censo Demográfico divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros. Em 1991, o percentual de evangélicos era de 9% e, em 1980, de 6,6%.”. Assim em 1980 eram 6,6% da população e em 2010 atingiram 22,2%. Porem, no mesmo período o número de homicídios cresceu assustadoramente. Segundo a publicação “Mapa da Violência 2012” do Instituto Sangari,, na página 19, em 1980 ocorreram  13.910 homicídios. Este número no geral foi crescendo até que em 2010 atingiu 49,932 computando 1,091,125 de mortes em trinta anos. Podemos então afirmar que em trinta anos de crescimento evangélico também cresceu a violência, o homicídio. É notório também o crescimento da corrupção na política no mesmo período. O “escândalo do mensalão” prova o fato. Mas muitos outros escândalos já apareceram inclusive com participação de políticos evangélicos. Ora, alguma coisa está errada. Onde está o sal? Meu propósito neste estudo é mostrar que o número de evangélicos foi alcançado por meios espúrios e por isso não é o verdadeiro sal nem consegue influenciar a sociedade para o bem. Irei me basear em At 2 pois ali vê-se o número expressivo de quase 3000 convertidos. Procurarei demonstrar que o crescimento atual não tem a mesma origem do crescimento de At 2, tão pouco o mesmo efeito.

I – O verdadeiro crescimento é uma obra do Espírito Santo (A 2:1-13).

Jesus disse que a obra de expansão do Evangelho pelo mundo seria feita pelo Poder do Espírito Santo (At 1:8). Assim, quando o Espírito é derramado vemos o antes medroso Pedro levantar-se diante de uma grande multidão para pregar a Cristo. De fato a conversão do pecado é um milagre que só o Espírito opera, pois é mais difícil que ressuscitar um morto. (Ef 2:1-10; Ez 37:1-11). Temos, portanto, que aquele que faz a obra deve fazê-la no Poder do Espírito para que ajam genuínos frutos como resultado de seu trabalho. Vemos que isso aconteceu em At 2, isto é, aqueles três mil  foram frutos do Espírito Santo e não de estratégias ou artimanhas daqueles primeiros discípulos. Será que o mesmo acontece com os 42 milhões de evangélicos do Brasil de hoje? Afirmo que não. Lembremos que o Espírito Santo é o Espírito da Verdade (Jo 15:26). Quando o Espírito age a Verdade das Escrituras se manifesta, e isso pela pregação (I Co 1:18-25). É isso que vemos nos evangélicos de hoje? Não, não é isso que vemos. O fato é que os evangélicos modernos abandonaram a Bíblia e a pregação, e abraçaram doutrinas humanas e práticas de culto que nada tem a ver com as Escrituras. Ora, o Espírito não atua pela mentira, tão pouco quando a pregação não é valorizada. Em At 2 vemos que Pedro ao ser cheio do Espírito pregou baseado nas Escrituras, enquanto que hoje, vemos o abandono da pregação e das Escrituras. Não é a mesma coisa. Você percebe? Assim afirmo que o atual crescimento evangélico não passa neste teste, não tem nada a ver com o Espírito Santo. Isso lhe parece duro demais? Se este é o caso peço que você honestamente compare At 2 com o que acontece hoje! Não se deixe levar por seus gostos ou por tradições religiosas, mas apenas pelas Escrituras.

II – O verdadeiro crescimento vem pela pregação sobre Cristo (At 2:14-36).

O que Pedro pregou? Resposta: Cristo. Pedro abriu o Antigo Testamento e mostrou Cristo nele. Pedro mostrou que as línguas eram manifestação do derramamento do Espírito cumprindo a promessa de Joel. Também afirma que quem derramou o Espírito foi Cristo após ser exaltado a Direita de Deus. Fala assim da morte, ressurreição, e exaltação de Cristo. Vemos que os três mil foram atingidos por esta pregação sobre Cristo. Este é o padrão do genuíno crescimento. É isto que tem ocorrido entre os evangélicos atuais? Não, não é! Os evangélicos de hoje se esqueceram de Cristo, da Cruz, da Ressurreição, e da Ascensão. Falam de prosperidade, de cura divina, de solução de problemas familiares e existenciais. Falam de um Cristo que dará tudo o que lhe pedirem bastando apenas que tenham “fé”. Isso não é pregar a Cristo. O crescimento evangélico de nossos dias foi alcançado por um pragmatismo que apresenta um falso Cristo a gosto do “freguês”. De fato isso atrai multidões, mas não é obra de Deus, não é obra do Espírito Santo, não é pregar a Bíblia, não é pregar a Cristo, é pregar a mentira.

III – O verdadeiro crescimento é fruto da genuína conversão (At 2:36-41).
                                                     
Pedro acusa seus ouvintes de terem matado a Cristo. Isso os leva a profunda tristeza e a clamarem por ajuda. Então Pedro os exorta ao arrependimento e ao Batismo, ou seja, a Fe é em Cristo. De fato esta é a característica da pregação apostólica, isto é, denunciar o pecado na vida dos homens. Todo o verdadeiro pregador põe o “dedo na ferida”. Todo o verdadeiro pregador acusa os homens de estarem contra Deus ao ponto de desejarem sua morte. Os homens no pecado odeiam o verdadeiro Deus, na prática são ateus, não admitem o Genuíno Deus. A pregação apostólica mostra a gravidade da rebeldia humana nestes termos. A pregação apostólica mostra que os homens são culpados ante o Santo Deus e por isso merecem a ira justa de Deus. Dessa forma os homens clamam por ajuda e recebem a ordem de se arrependerem a crerem no Salvador e Senhor Jesus Cristo. Todos os homens devem fugir da “geração perversa”. É isso que ocorre hoje? Não, não é! Os Evangélicos não têm falado do pecado como devem. Não tem posto o “dedo na ferida” como devem. Em vez de pregarem a Salvação da “geração perversa” pregam uma mensagem suave e agradável a esta mesma “geração perversa”. Ora, todos os ímpios querem riqueza, querem saúde, querem uma vida tranquila. O que eles não querem é Deus. Apresentar prosperidade, cura e tranquilidade é dar o que homens não arrependidos amam. De fato, isso atrairá multidões, mas tais multidões não estarão convertidas. Isso nada tem a ver com Atos 2. O crescimento evangélico atual é fruto desta falsa mensagem agradável aos ímpios. Na verdade trata-se de multidões de não regenerados, de não convertidos. Você percebe que terrível é tudo isso? Que enganoso é este crescimento. Como alguns têm dito, trata-se de um inchaço causado por doença, não de um crescimento saudável.  

IV – O verdadeiro crescimento se constitui em igrejas verdadeiras que vivem a prática do Evangelho (At 2: 42-47).

Os quase três mil convertidos de At 2 em união com os primeiros discípulos deram origem aquela verdadeira igreja em Jerusalém. Como eles viviam? Vejamos

1 – Perseveravam na doutrina dos apóstolos. Estavam firmes no ensino apostólico que está no Novo Testamento do qual Cristo é a pedra angular (Ef 2:20).

2 – Viviam em Comunhão. Viviam a prática do amor que se manifesta em comungar do que é seu.

3 – Viviam partindo o pão. Valorizavam a Ceia do Senhor. Lembravam sempre da obra de Cristo em redimi-los.   

4 – Oravam. Evidentemente estas orações eram humildes ante o Soberano Senhor (At 2:23).

5 – Louvavam a Deus. Viviam para glória de Deus e seus cultos eram teocêntricos.

Mas como são as igrejas evangélicas de hoje. Façamos correspondência numérica com a classificação anterior para percebermos a diferença:

1 – Os evangélicos modernos abandonaram a doutrina dos apóstolos, abandonaram a Bíblia. Vivem buscando novidades, novas doutrinas que nada tem a ver com as Escrituras.  

2 – Os evangélicos de hoje não manifestam a comunhão da primeira igreja em Jerusalém. Em vez disso, muitos dos seus mais carentes membros não são auxiliados e ainda dão seus poucos bens a líderes gananciosos. O egoísmo, a ganância, a esperteza, o dolo, são comuns entre os ditos evangélicos, em especial na liderança que enriquece a custa do sacrifício dos mais necessitados. Muitos “pastores” não passam de lobos devoradores, são homens avarentos que usam de todas as artimanhas e fraudes para fazer comércio com a “fé” dos incautos (Mt 7:15-23; Jo 2:26, II Pe 2:3).

3 – A oração evangélica atual não é humilde, mas arrogante. Ouve-se muitos dizerem: “Eu determinei que Deus faça isso ou aquilo”.   

4 – Os evangélicos atuais não vivem para honrar a Deus, mas entendem que Deus tem que lhes satisfazer. Também os cultos são antropocêntricos, ou seja, não são para adorar a Deus, mas para agradar as pessoas. Lembro-me de certa vez ter ouvido em um “culto” um dirigente dizer: “Olhem, ainda temos muitas coisas legais para hoje”. Coisas legais? Ficou nítido que tudo era feito para agradar a frequência, não a Deus.  Não, isso não é louvar a Deus!

V – O verdadeiro crescimento produz afeito positivo na sociedade (At 2:47).

Os primeiros discípulos caíam na “simpatia” do povo. Esta palavra pode ser traduzida como “boa vontade, amável bondade, favor” (Strongs). Evidentemente que os discípulos causavam impacto e eram respeitados. Enfim, tinham uma boa reputação ante os de fora, e isso devido a forma como viviam. É claro que em outras oportunidades os discípulos foram mal vistos e caluniados. Mas vejam o que Pedro aconselha: “Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal.” (I Pe 3:13-17). Diz também Pedro: “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.” (I Pe 4: 14-16). Assim os crentes poderiam sofrer por Cristo, mas nunca por praticarem o mal. Infelizmente a reputação dos evangélicos de hoje, em especial de “pastores”, é muito ruim, para não dizer péssima. Muitos estão sofrendo não por fidelidade a Cristo, mas por se envolverem com crimes. Isso é triste e vergonhoso, mas deve ser dito com franqueza. Este é o trágico quadro atual: Vergonha ante o mundo. É por isso que cresce o número de evangélicos, mas o mal em vez de diminuir aumenta. É que os evangélicos há muito deixaram de ser luz e sal. Li outro dia uma frase no Facebook atribuída a Spurgeon que dizia mais ou menos assim: “A igreja não tem influenciado o mundo porque o mundo tem influenciado a Igreja”. Creio que este é o exato quadro atual.

Amigo leitor, peço-lhe que não se iluda com o grande número de evangélicos na atualidade. Números em si, por mais que sejam grandiosos, nada querem dizer. Antes de tudo é preciso descobri a origem dos números e qual o efeito deles na sociedade. Procurei mostrar que a luz de Atos 2 a origem dos 42,3 milhões de evangélicos no Brasil não está em uma genuína obra do Espírito Santo, mas sim no esforço enganoso dos homens. O resultado é muita gente, mas poucos convertidos de verdade. Dessa forma o efeito na sociedade é nenhum, pois não há Vida que vem de Deus. Por isso crime e a maldade só aumentam. Como disse certa vez Martyn Lloyd-Jones: “O sepultamento de muitos corpos no mesmo cemitério não leva a ressurreição”. Ora, não adianta juntar muitos cadáveres; todos continuarão mortos e inoperantes. Não adianta enchermos as congregações de pessoas mortas espiritualmente. Tais pessoas não levarão vida aos mortos que estão fora, pois eles mesmos não possuem a vida. Aconselho a que deixe a ilusão e avalie a luz das Escrituras se você mesmo é convertido. Se não, arrependa-se e creia em Cristo. Que todos orem e busquem na Bíblia o Verdadeiro Evangelho e corajosamente o proclamem orando para que Deus aja por seu Santo Espírito da Verdade. Quem sabe Ele não levantará uma verdadeira multidão de salvos neste país. Que Ele o faça para sua glória. Amém.

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