A ira de Deus contra a deliberada impiedade dos homens - Fabiano Rocha*

A atitude do Deus santo e justo quando afrontado e desafiado pelo pecado e pelo mal é chamada de ira. Essa é uma forte expressão que a Bíblia apresenta como sendo uma manifestação do caráter de Deus contra a impiedade humana. Embora seja uma descrição em termos humanos, é inadequado considerar a ira do Senhor como sendo igual à manifestação da raiva humana pecaminosa, que na maioria das vezes é praticada totalmente carregada de malícia e desejo de vingança. Por isso, longe de ser comparada com a prática vingativa de homens caídos, a indignação divina é uma manifestação justa e pessoal do ser de Deus, que não tolera o pecado e não tem o culpado por inocente.

Deus manifesta sua ira contra “toda impiedade e injustiça”. A pecaminosidade dos homens, a qual eles não têm desculpas necessariamente é seguida pela manifestação da desaprovação divina. Não que a atitude de Deus seja uma manifestação impessoal como parte de um processo regido por causa e efeito. A reação contra o pecado é uma manifestação pessoal do Senhor, que visita os homens no tempo e no espaço dando a eles a devida retribuição. Isso acontece por conta de uma rejeição deliberada do conhecimento de Deus. Esse estado de rebeldia humana é tão grande contra o seu criador, que eles chegam à irracionalidade de trocar a criatura pelo criador, trazendo sobre si a merecida punição pelos erros que propuseram viver e praticar. É o próprio Deus mostrando no processo histórico alguns aspectos antecipados do seu juízo. Ele faz isso entregando homens a níveis extremos de corrupção moral e permitindo que tais pessoas pratiquem todo e qualquer tipo de desonra. Esse aspecto do juízo de Deus é terrível porque ele age não pela intervenção mas pela não-intervenção. Ele age de forma silenciosa, deixando homens e mulheres seguirem seus próprios caminhos sem nenhuma barreira ou restrição e entregando pecadores a si mesmos.

Esse tratamento divino ocorre por causa de uma rejeição total a àquilo que de Deus os homens podem conhecer. Como diz a Escritura: “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus se manifestou”. É evidente que o conhecimento descrito pelo apóstolo em Rm 1:18-32 é o natural. É conhecimento obtido através das coisas criadas. O salmista diz: “os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anunciam as obra de suas mãos” (Sl 19 :1). Esse conhecimento não conduz à salvação, nem mostra Deus como o salvador mas o revela como criador. Mas é um conhecimento suficiente para mostrar aos homens os atributos de Deus. O Senhor revelou um aspecto verdadeiro do seu ser através daquilo que ele mesmo criou. É como a uma obra de arte que revela o traço do seu criador. Assim Deus se revela por meio da coisas criadas. Essa revelação geral e universal proporciona aos homens uma percepção clara e distinta entre Deus e as criaturas. De modo que todo homem, embora esteja em seu estado caído, tem condições de perceber claramente os atributos do Senhor na criação. Porém essa luz tem sido rejeitada de forma deliberada pelo homem, que em sua rebeldia adora à criatura no lugar do criador. Eles trocaram a glória de Deus pela glória humana. E estão desfrutando a merecida colheita por essa escolha irracional.

*Pastor da Primeira Igreja Batista Reformada em Taguatinga.

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