Mães matando filhos?

Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49:15).

No texto acima vemos que o cuidado de Deus por seus filhos excede infinitamente o cuidado de uma mãe dedicada. Mas aqui vemos como Deus apresenta o caráter de uma verdadeira mãe. Aborto é um tema atualmente muito discutido. Quero neste breve texto apresentar um aspecto que a luz das Escrituras, e mesmo da experiência, torna o aborto algo completamente absurdo. Trata-se do fato em que o aborto, como defendido por muitos, torna aquele pessoa, a mãe, a qual deveria proteger seu filho, em uma assassina. Sim, segundo muitos, tem o direito de destruir a vida de seu filho, aquela que deveria protegê-lo.

Quando olhamos para as Escrituras descobrimos que a família é criação de Deus, e entre outros propósitos, se destina a proteger as crianças espiritualmente, moralmente, emocionalmente, intelectualmente e fisicamente (Lv 18:10, Jó 1:1-5, Ef 6:4). Assim temos um homem e uma mulher que diante de Deus fazem uma aliança de amor, fidelidade, e cuidado mútuo (Ef 5:22-31). Dessa união nascem os filhos que desde o ventre de suas mães são formados por Deus e já constituem um ser humano que deve ser protegido e cuidado como o deve ser após o nascimento. Filhos são bênçãos da parte de Deus, herança Dele e não um problema (Sl 127). Tudo isso Deus determinou para sua glória! É assim que as coisas deveriam ocorrer, no entanto o pecado tudo corrompeu.

A destruição do padrão divino para a família é um dos efeitos mais perniciosos do pecado. Destruindo a família o pecado atinge toda a sociedade. Ora, Deus ordena o Casamento, mas o pecado desvia a sociedade para o sexo descompromissado, o sexo irresponsável. Deus ordena que homem e mulher se casem, gerem filhos, e cuidem destes com todo o amor. Mas o pecado é o desvio para a promiscuidade, daí nascem crianças sem família constituída, sem papai e mamãe, sem os devidos cuidados que poderiam ter em uma família segundo o plano de Deus. Vemos o sexo livre em pessoas cada vez mais jovens, e assim “crianças” gerando crianças. Sem um lar como Deus planejou, sem a proteção que Deus determinou, sem o Evangelho vivido em família, sem valores reais, as crianças e adolescentes se tornam presas fáceis do crime, das drogas, e da violência. Quero enfatizar bem isso: O projeto de Deus para a família protege as crianças nos aspecto espiritual, moral, intelectual, emocional, e físico, e mostra que assim deve ser, enquanto que os desvios do pecado implicam em destruição das crianças em todos estes aspectos.

Em meio a toda este prejuízo para as crianças causado pelo pecado, alguns chegam e dizem: “as mulheres devem ter direito ao aborto, têm direito sobre seu corpo, sobre sua vida”. Ora, tal pensamento é mais um desvio do pecado que atinge diretamente as crianças, visto que enquanto a Bíblia nos mostra a seriedade da questão sexual por sua conseqüência, ou seja, a geração de filhos, e o devido cuidado a estes por parte dos genitores, a mente pecaminosa entende que a mulher tem direito de interromper a gravidez, ou em outras palavras com mais realidade: matar o próprio filho, depois de ter praticado sexo evidentemente sabendo que seu ato poderia gerar um filho. Mas agora diz a mente pecaminosa: “devido a falta de condições materiais, ou por outro motivo, a mulher tem direito de interromper a gravidez”.

Mas alguém que pratica sexo, e sabe que pode com isso gerar um novo ser humano, tem direito agora de matá-lo? O direito da mulher sobre seu corpo sobrepuja o seu dever de cuidar daquele a quem gerou? O direito da mulher sobre seu corpo ultrapassa porventura o direito a vida por parte daquela criança que está em seu ventre? É isso que se espera de uma mãe e de um pai? Aquele ser ainda no ventre é ou não é um ser humano? Aquele ser humano ainda no ventre é ou não é filho da mulher e do homem em questão? Aquele ser humano ainda no ventre deve ou não ser protegido por sua mãe e por seu pai? O fato meus amigos é que o pecado entorpece as mentes em todas as áreas do viver humano, e o suposto “direito ao aborto” é mais um destes entorpecimentos. E o entorpecimento é este: Quem deve proteger e cuidar acha agora que tem o direito de matar. O frágil ser humano que deve ser protegido dos perigos do mundo é atacado e assassinado por aquele que é constituído por Deus como seu protetor.

Este é o absurdo do aborto, trata-se de uma inversão terrível, e aqueles que o defendem não podem explicar este fato. Ora, o que diríamos de um homem que mata seu filho, de uma mulher que ataca suas crianças? Por que este caso seria injustificável e o aborto sim? Alguém pode afirmar com convicção que no caso do aborto não se trata de assassinato? Você pode afirmar com convicção que o feto não é um ser humano? Em que base você afirma isso? A Palavra de Deus diz a você:

Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Sl 139:13-16).

Se você não dá valor ao embrião, saiba que Deus o valoriza. Ali já está um ser humano.
Concluo este breve texto com um episódio bíblico que nos apresenta o caráter de uma verdadeira mãe. Leia e reflita:

Então, vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele. Disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei à luz um filho. No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali. De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. Levantou-se à meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus. Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera à luz. Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porém esta disse: Não, o morto é teu filho; o meu é o vivo. Assim falaram perante o rei. Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. Trouxeram uma espada diante do rei. Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo e dai metade a uma e metade a outra. Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido. Então, respondeu o rei: Dai à primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe. Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça.” (I Re 3:16-28).

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e de nossas crianças, dando-nos mães que de fato sejam mães, e homens responsáveis que de fato sejam pais! Amém.

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, e o conteúdo não seja modificado!



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