A Bondade de Deus sobre as suas Obras e Criaturas - Edson Azevêdo.

O texto abaixo faz parte de uma série de pregações sobre o "Conhecimento de Deus" proferida pelo Pr. Edson em sua Igreja. Acesse a série completa clicando aqui.  Para outras pregações do Pastor clique aqui.  

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"O Senhor é bom para todos, a as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras". (Sl 145:9).

Introdução:  

Estamos muito próximos ao fim da série sobre o conhecimento de Deus. Os nossos corações estão apertados. Conhecer o Senhor é algo de assombrosamente maravilhoso, pois, à medida que os dias têm passado, temos nos tornado fortes e ativos, e isso é o contrário de fraqueza e de inatividade, os dois ingredientes que destroem a obra do Senhor. Também extremamente maravilhoso é o fato de que não estamos apenas acumulando conhecimentos sobre o Senhor, pois isso de pouco adiantaria, mas estamos conhecendo ao Senhor mesmo, e isso porque Ele tem aplicado o conteúdo da sua pregação no coração de cada um de nós. Glória, pois a Ele eternamente, amém!


A pregação desta noite versará sobre a bondade de Deus e como argumento demonstraremos que a bondade de Deus se estende sobre toda a sua criação e sobre todas as suas criaturas, ou seja, demonstraremos que Deus é bom para com todos, independente de credo, cor, religião, raça, idade, escolaridade, posses, honra, ou qualquer outro aspecto diferencial. O Senhor é bom, o Senhor é cheio de bondade! O que significa ser bom? Bom é o oposto de mau, com “u”. Uma pessoa má é uma pessoa que faz o mau aos outros, que maquina o que não é favorável às outras pessoas. Deus não é mau, Deus é bom. Se Deus fosse mau Ele seria nocivo, imperfeito, perverso, pois é isso que a palavra ‘mau’ significa. Mas não, Deus não é nada disso. João escreveu que Deus é luz e que não havia nele nenhuma treva (1 Jo 1.5). A bondade de Deus é evidente na vida de todos. Deus não é aquela pessoa do tipo que é bom para os amigos e mau para os inimigos. De forma nenhuma! Deus é bom para com todos. Conhecer os atributos de Deus, conhecer o Senhor é saber distinguir, diferenciar todos os seus atributos e entender, compreender a aplicação de cada um, isto é, quando é e como é que cada um age dentro da história humana, dentro da história de cada homem.


Precisamos entender que Deus é misericordioso para com todos, que é gracioso apenas para o seu povo, que é paciente para com todos, que a sua ira está sobre os que não crêem, que a sua disciplina está sobre os seus filhos, apenas, que o seu amor é exclusivamente eletivo, ou seja, só é
derramado sobre os que Ele amou de antemão, que o seu juízo é totalmente compatível com o seu amor e com todos os seus atributos. Não pensemos, por exemplo, que pelo fato de Deus ser paciente (e a sua paciência é eterna) Ele jamais enviará pecadores para o inferno, porque isso seria uma incoerência. De forma alguma! Não pensemos assim. Conhecer os atributos de Deus é entender que Ele é bom para com todos, misericordioso para com todos, que tem paciência para com todos, mas que, quando findo o prazo que determinou, Deus retira a sua paciência e dá lugar à graça ou à ira, isto é, sai uma perfeição, entra outra perfeição. Deus não se rege por sentimentos, por emoções, por paixões, mas por princípios. Deus estabelece os seus princípios e age com base neles.


Deus é bom, mas não somente isso, Deus é a própria bondade. Esse é mais um perfeito atributo do seu caráter. A bondade de Deus é tão perfeita como o seu amor, como a sua graça, a sua justiça, a sua ira, a sua fidelidade. Todos os atributos de Deus são eternos, são perfeitos, sempre existiram em Deus. Mesmo antes de existir qualquer criatura, a bondade de Deus era uma perfeição do seu caráter. Mesmo não existindo nenhum objeto para receber a demonstração da sua bondade, Deus era bom. A bondade de Deus é infinita, não tem limites, não tem tamanho, e é imutável, não muda, é sempre invariável. Toda bondade que praticamos uns com os outros é bondade derivada de Deus, pois esse atributo é comunicável, isto é, Deus concede que imitemo-lo, mesmo com infinita precariedade. “Bom só há um, que é Deus”, disse Jesus ao moço rico em Mc 10.18, por isso a bondade que manifestamos é originada em Deus, não temos bondade habitando em nós de uma forma natural, inerente.


A bondade de Deus se manifesta baseada em sua sabedoria inescrutável, e se manifesta segundo o conselho da sua vontade. Dizer que Deus é bom não significa dizer que Deus dá todas as coisas a todas as pessoas por igual. Não! Pensar dessa forma é não conhecer o Senhor. A partir da simples observação notamos que uma pessoa recebe muita saúde e outra, menos saúde, uma recebe muitos bens e outra, menos bens, uma recebe muita capacidade e outra, um pouco menos, uma recebe muitos anos e outra menos anos, mas todas elas são objetos da bondade de Deus. E é interessante notar que a bondade de Deus também estabelece a lei das compensações, de sorte que aquela pessoa que recebe mais numa área, recebe menos noutra área, e a outra pessoa que recebe menos na primeira área, recebe mais na área em que a outra recebe menos, e assim se manifesta a sabedoria inescrutável de Deus em gerenciar o exercício da sua bondade entre as suas criaturas. Todas as criaturas são do Senhor e por isso Ele é bom para com todas elas.


Para entendermos melhor como se manifesta a bondade de Deus, faremos a exposição de dois pontos: (1) A bondade de Deus para com as criaturas em geral e (2) A bondade de Deus para
com os homens.


1 – Deus é bom para com todas as suas criaturas:

Nesse ponto abordaremos a criação física de Deus nos aspectos dos animais irracionais e seres inanimados. De acordo com o nosso texto base (Sl 145.9), podemos notar na segunda parte dele que “as ternas misericórdias de Deus permeiam todas as suas obras”. Todas as obras do Senhor, sem exceção, têm o toque da bondade divina.


Lembremo-nos da fauna, lembremo-nos da flora, que harmonia e que beleza existem nesses dois reinos! E toda essa grandeza é resultado da infinita bondade de Deus. A bondade de Deus cuida dos grandes animais, dos pequenos animais, das aves, das pequenas criaturas, dos organismos mais ínfimos. Deus providencia água para que bebam e alimento para que comam. O Salmo 104.10,11 [..] mostra a bondade de Deus para com as criaturas irracionais em prover-lhes água para que bebam, todos eles. As aves achegam-se às fontes para beber e cantar [v.12], esse canto é o canto de alegria, de gratidão. Essas mesmas aves que bebem, depois comem o alimento sólido e, misturando com o líquido, produzem um alimento pastoso com o qual vão alimentar seus filhotes no ninho, que ainda não sabem voar, nem se alimentar, nem abriram os olhos sequer. Deus administra a chuva, que vai regar os montes, fazendo nascer e crescer a relva para que dê fruto e assim alimente as criaturas [v.13]. Há uma infinidade de criaturas irracionais que apreciam o sabor das frutas que Deus criou. Os homens, na sua presunção, imaginam que as frutas e os legumes servem apenas para eles, engano! Deus criou toda sorte de frutas e vegetais compatíveis com o paladar dos irracionais, também!


Os nutrientes da terra mais a chuva, são capazes de prover alimento para as pequenas e grandes árvores do bosque [v.16], e essas mesmas árvores proverão sombra, e servirão de casa para as aves do céu construírem os seus ninhos, nos quais vão dormir e criar os seus filhotes de uma forma abrigada e segura[v.17]. A bondade de Deus também fez altos montes para refugiar espécies de animais mais frágeis contra os seus predadores mais fortes. O leão, rei da floresta, persegue facilmente uma cabra de carne deliciosa, mas quando esta corre para o refúgio nos altos montes, o leão não a pode alcançar. A despeito da sua muita força, falta-lhe a habilidade para escalar altos montes, habilidade essa que sobra nas cabras monteses, que assim conseguem se livrar do perseguidor e sobreviver [v.18].

Os animais de caça como o leão, criam os seus filhotes dando-lhes o sustento, caçando para eles, mas, a certa altura, deixam-nos à própria sorte, e nessa fase de transição, os pequenos animais têm dificuldade de caçar, e sabem que a solução é buscar no Senhor o seu alimento [v.21]. Deus também, na sua bondade, e para a proteção dos pequenos leões, proveu-lhes casas em que se abriguem por ocasião do raiar do sol, quando as florestas se infestam de caçadores [v.22].

Seja na terra, seja no mar, há abundância de víveres e toda sorte de alimento para alimentar as grandes miríades que povoam céus, terra e mares. No mar, por exemplo, existem supermercados, hipermercados tão grandes e tão sortidos, que todas as criaturas que povoam os
mares se alimentam absolutamente de graça e a hora que querem! O salmista se admirava com a
grandeza e riqueza dos mares, pela imensa quantidade de criaturas que neles viviam a folgar, e que esperavam o seu sustento da bondade de Deus [v.27]. O poeta sacro não se cansava de louvar a bondade de Deus quando, vivendo ainda em um mundo sem poluição ecológica, enxergava a provisão de Deus para os irracionais, e isso em abundância.

No Sl 147.8,9 [..], o poeta descreveu o enegrecer das nuvens, o precipitar das chuvas molhando a terra, a relva brotando com toda força como uma explosão, e tudo isso para alimentar as suas criaturas irracionais que, no dizer do salmista: “clamam a Deus”. De quanto maior motivo de glória não será Deus, de nossa parte, nos dias de hoje, levando-se em conta a profunda degradação do ecossistema, e a provisão segura e na hora certa, por parte de Deus, para todas as suas criaturas irracionais!?


O crente, portanto, é devedor de cuidar da vida dos seus animais, sofrer com eles, alegrar-se com eles, comprar-lhes remédios, pagar-lhes consultas no médico veterinário, e a Bíblia descreve esse fato em Pv 12.10 [..]. Ora, se o justo procede dessa maneira, que diremos do nosso Deus, Pai de toda justiça? E que dizer da criação inanimada? O sol? A lua? As estrelas? As plantas? O Senhor criou o sol e lhe conferiu brilho perpétuo. Desde o dia em que foi criado que ele brilha. Deus lhe conferiu status, importância, poder. O sol tornou-se sinônimo de brilho, e isso é glória. Todos o reconhecem como o astro-rei. Ele é a fonte de toda energia que supre o seu sistema, do qual a terra faz parte. E Deus o criou de tal forma que, não podendo mostrar o seu brilho continuamente aos homens porque isso lhes faria mal, Deus o ensinou a reconhecer a hora do seu ocaso, a hora em que devesse esconder o seu brilho para que os homens pudessem gastar as forças dele recebidas. O salmista falou que “O sol conhece a hora do seu ocaso” (Sl 104.19). Também inspirado por Deus, o salmista revelou que o sol é o ‘presidente’ do dia, quando disse: “Deus fez grandes luminares, o sol para presidir ao dia” (Sl 136.7,8). Será que não notamos quanta bondade Deus manifestou para com esse imenso luminar que criou?


E que dizer da lua? A musa da noite! Que ser humano na face da terra nunca a admirou?! Quanta bondade de Deus em lhe conferir tanta beleza, e formosura, e inspiração, e quietude. Quanta bondade de Deus em lhe conferir as suas fases, que funcionam quais vestidos, cada um mais belo que o outro, com significados especiais, onde cada fase dá-nos motivos diferentes para admiração, contemplação das obras das mãos de Deus! Quanta bondade de Deus para com ela em, além de lhe prover de belezas mil, conceder-lhe também imensa utilidade em marcar épocas e estações, controlar águas, fluxos e refluxos dos mares, como disse o salmista: “Fez a lua para marcar o tempo” (Sl 104.19), além do que foi feita “Para presidir a noite” (Sl 136.9).


Irmãos, não temos tido mais aquela inspiração de admirar os astros, a lua, as estrelas, aquela mesma admiração que era própria dos antigos! Eles não tinham a luz elétrica. Ao anoitecer, e após as refeições, os antigos punham-se nas calçadas a admirar a lua e as estrelas, a contá-las, a
identificá-las, a nomeá-las. Esse exercício os fazia mais aptos à meditação, à admiração da criação
de Deus. Até mesmo no nosso século, antes de 1950, as pessoas colocavam-se ao ar livre, à noite,
para admirar a beleza com que o Criador dotou os astros noturnos, tudo pela sua infinita bondade. Quando falava a respeito da durabilidade do trono de Davi, Deus o comparou às longevidades do sol e da lua, isto é, Deus os admira, pois os fez assim para a sua própria glória, Sl 89.35-37 [..]. O noivo de Cantares (Jesus), comparou a sua noiva (A Igreja) com a formosura da lua e com a pureza do sol, demonstrando a expressão dos lábios de Deus ao admirar os astros que criou; assim está escrito: “Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol?”.


E as plantas, as árvores, a relva do campo, as plantas nativas? Na carta aos Romanos, Paulo escreveu sobre os gemidos da criação e as angústias que ela suporta até agora, tudo isso por causa do cativeiro do pecado (8.21,22), e mais, que toda a criação sente ardente expectativa que aconteça a redenção dos filhos de Deus (8.19), porque, só então, a criação também será redimida dessa situação (8.21). É aí que nos lembramos que, por ocasião da queda, o Senhor declarou a Adão: “Maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17). Irmãos, não há sequer um só mortal que não seja capaz de admirar a beleza das plantas, das árvores, da relva que veste os campos! O reino da flora é tão fantástico, é revestido de tanta beleza, que não há um só homem que não se abstraia quando contempla essa parte da criação. E por quê? Por causa da extrema bondade de Deus para com essas criaturas.

Não podemos sequer imaginar como era tudo isso antes da queda, antes da maldição que sobreveio sobre a flora! Antes da queda, as árvores eram tão belas e os seus frutos tão exuberantes que uma árvore e seu fruto foram usados por Satanás para fascinar e seduzir os nossos primeiros pais que ainda não conheciam o pecado. No Salmo 1º, o justo, que vive na sua integridade e retidão, é comparado à árvore plantada junto a ribeiros de águas, que no devido tempo dá o seu fruto (v.3), ou seja, a exuberância de uma árvore plantada no lugar certo (junto às correntes de águas), dando os seus frutos deliciosos, tudo isso Deus compara com a vida dos seus santos, aqueles que produzem muito fruto. Uma comparação que dignifica sobremaneira a criação inanimada, a árvore. As plantas são revestidas de tanta glória e de tanta beleza (por causa da bondade de Deus sobre elas) que as melhores qualidades das virtudes cristãs, Deus as comparou com elas, por exemplo: A sabedoria divina é comparada com uma árvore, “[A sabedoria] é árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm” (Pv 3.18);

Também Deus comparou o fruto do crente com árvore de vida, quando disse: “O fruto do justo é árvore de vida” (Pv 11.30). Notem a comparação que Deus faz do fruto do crente, compara com uma árvore! E mais, em Pv 15.4 Deus compara a língua serena com árvore de vida, isto é, da mesma forma que as árvores frutificam para alimentar e dar vida, a língua serena (não perversa, é o contexto), produz vida em quem fala e em quem ouve.

Então, irmãos, a razão de todas essas comparações terem sido feitas com membros da flora é porque eles estão revestidos de glória, de beleza, de capacidade de dar vida, de enfeites, de adereços, de sedação, de tranqüilizantes, enfim, de tudo quanto é bom, e isso tudo por causa da
bondade de Deus sobre os elementos desse reino. Em João 15, os crentes são comparados a ramos da videira e Deus é o agricultor. Jesus chamou a nossa atenção para a maravilhosa beleza dos lírios dos campos, e disse ainda que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer um deles (Mt 6.28,29). Jesus comparou o Reino dos céus a uma semente de mostarda que se torna em planta e que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus galhos (Mt 13.31,32), e no livro de Apocalipse são abundantes as comparações da vida de Deus com a árvore da vida. Vemos então, a extrema bondade de Deus sobre as suas criaturas irracionais e inanimadas. Deus é bom para com todos. Todas as obras de Deus são permeadas com a sua bondade, com a sua misericórdia.


2 – A bondade de Deus para com os homens:

Sendo bom para com os animais e para com a flora em geral, não seria Deus também bondoso para com a obra prima da criação, o homem? Certamente que sim! Deus é bom para com os homens, para com todos os homens! O Senhor é bom para com todos, diz o nosso texto. No Salmo 36.7,8 está escrito [..]. A bondade de Deus compreende quatro atributos, ou seja, a bondade de Deus pode se manifestar sob quatro aspectos diferentes, que podem ser simultâneos ou não. São eles: Amor, Paciência, Misericórdia e Graça. Sabemos que Deus é soberano no exercício dos seus atributos, e por isso Ele os estende como Lhe apraz. Deus pode estender a paciência e a misericórdia sobre alguém, mas não estender o amor e a graça, mas nem por isso Ele deixará de ser bondoso com esse alguém. Ele também pode estender todos os atributos da sua bondade sobre alguém, pode derramar sobre alguém, de uma só vez, o amor, a paciência, a misericórdia e a graça. Nesse caso o beneficiário é o eleito, o crente, aquele que recebe o amor e a graça além da paciência e da misericórdia.

Operando os seus atributos de bondade sobre alguém, como Lhe apraz, Deus será sempre bondoso com os filhos dos homens, pois, mesmo que não estenda todos, certamente a paciência e a misericórdia Ele estende, porque Deus é bom para com todos e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras. Na sua bondade derramada sobre todos, Deus os sustenta, preserva e derrama bênçãos temporais de toda sorte. Os ímpios, homens tremendamente pecaminosos, não regenerados, recebem as bênçãos da bondade de Deus, porque Deus “faz nascer o sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.45), e o contexto envolvido é que Deus manda que amemos os nossos inimigos e oremos pelos que nos perseguem (Mt 5.44).


Quando pregava aos incrédulos da Ásia, Paulo não deixou de lhes dizer que, mesmo eles tendo vivido na incredulidade até aquele momento, mesmo assim Deus “nunca deixou de ficar sem testemunho de Si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo os vossos corações de fartura e de alegria” [At 14.17]. Nesse texto o apóstolo apresenta a bondade de Deus como se estendendo a duas áreas da vida dos homens: Alimento (dando-vos chuvas e estações frutíferas), e força interior (enchendo os vossos corações de fartura e de alegria). A alegria que Paulo fala não pertence somente aos crentes, mas a todos os homens, como expressão da bondade de Deus sobre eles.

Deus é singularmente bom para os homens que criou. Vejam, por exemplo, os alimentos. Deus poderia ter criado um modo de saciar a nossa fome sem que os alimentos fossem agradáveis ao nosso paladar, mas não, sua bondade criou os mais diversos sabores para os mais diferentes tipos de alimentos, e isso a partir de quatro sabores básicos: doce, salgado, azedo, amargo. Deus na sua bondade combina esses quatro sabores, produzindo uma infinidade de sabores tão agradáveis e
deliciosos que se constituem numa verdadeira prova para o nosso domínio próprio. Deus nos concedeu cinco sentidos e, na sua bondade, também concedeu tudo aquilo que lhes satisfaria. Deus poderia manter a nossa vida física sem os campos verdes, sem os pássaros cantando, sem as rosas a exalar o suave perfume, mas não, na sua bondade Deus nos concedeu todas essas coisas para o nosso aprazimento. E por que toda essa beleza, todo esse encanto, espalhado em toda face da terra? Por causa da bondade de Deus para com os homens.


Quando o homem desobedeceu e caiu, transgredindo a perfeita Lei de Deus, Ele não começou de imediato uma escalada de ira sem paciência, sem condescendência. Se quisesse, poderia ter privado todos os homens de todas as coisas naquele instante, mas não o fez. Em vez disso, Deus introduziu um regime misto, de misericórdia e juízo, e mesmo diante de uma bênção tão indizível,
os homens se mostram uns tremendos ingratos e abomináveis, e não são destruídos, demonstrando a veracidade da Palavra de Deus que declara que “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2.13). Mesmo a despeito do estado de queda em que se encontram os homens ímpios e a natureza caída que ainda permanece nos crentes, a balança pende sempre para o lado do bem. São poucos os homens que não experimentam nas suas vidas um número maior de dias de saúde do que de enfermidade e dor. Há entre os homens mais felicidade do que infelicidade, medindo-se pelo padrão da existência humana.

A bondade de Deus criou as mentes com a capacidade de adaptação às circunstâncias adversas, capacidade essa que permite o mendigo ser feliz, o pobre sorrir e o que ganha salário mínimo deitar e dormir um sono tranqüilo. Mesmo a despeito de tudo isso, há quem atribua a Deus a responsabilidade pelo sofrimento e tristeza no mundo, o que constitui uma grande injustiça contra Deus. Deus, falando através do profeta Oséias, exclamou: “A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim o teu socorro” (Os 13.9). O próprio Jesus afirmou que Deus é bondoso até para com os ingratos e maus (Lc 6.35). Ora, a bondade de Deus sobre os homens é pura expressão da sua graça, de modo que, se Ele quiser retirar a sua graça ou diminuí-la, não estará cometendo o mínimo de injustiça com quem quer que seja, porque graça é graça, é favor, e imerecido, é favor prestado a inimigos que não querem acordo, não querem conciliação. A bondade de Deus enviou Jesus ao mundo, a verdadeira luz que alumia a todo homem, e mesmo assim, os homens amaram mais as trevas do que a luz. É por isso que não se pode colocar em dúvida a bondade de Deus pelo fato de não ter feito Ele a todas as suas criaturas pecadoras objetos da Sua graça salvadora. Não!


Os crentes, objetos da sua bondade total, sem mérito algum, podem descansar na bondade do Senhor, porque “Certamente a bondade e a misericórdia nos seguirão todos os dias da nossa vida” (Sl 23.6). Podemos estar certos irmãos de que os decretos de Deus nos são ensinados pela sua bondade, pois “Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos” (Sl 119.68). Irmãos é raro crer no decreto de Deus. Não pensem os irmãos que nenhum dos presentes creria na soberania de Deus e na responsabilidade do homem, e mais, que a responsabilidade do homem é delimitada pela soberania de Deus, ninguém creria nisso se não fosse concedido por Deus a cada um de nós, e isso pela sua bondade. É a sua bondade que muda a nossa cabeça (evidentemente fazendo uso da graça, que é uma das partes da sua bondade). Mudar a cabeça é arrepender-se e não podemos ignorar que isso é da exclusiva autoridade de Deus. Isso está escrito em Rm 2.4 [..]. É a bondade de Deus que nos traz disciplinas, as mais variadas, as mais dolorosas, mas que servem para o nosso bem, “porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6). E a disciplina dura tanto tempo quanto seja necessário para que a correção aconteça, e enquanto ela não acontecer, a disciplina não será afugentada. É dessa forma que Deus é bom para todos os homens, bom para ímpios, e extremamente bom para os que crêem.


Conclusão:

Irmãos, as Escrituras nos incentivam a ‘Louvar o Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens’ (Sl 107.8). A única reação que nos cabe para com a extrema bondade de Deus sobre nós é a gratidão, e com especialidade nós, os que cremos. Não podemos ter outra reação, e se não estamos sendo gratos, estamos pecando. Um dos motivos pelos quais somos tão ingratos diante da bondade de Deus é que ela é intensamente constante e abundante sobre nós. Ela é exercida para conosco no curso comum do nosso dia-a-dia. Temos certa dificuldade de percebê-la porque a experimentamos toda hora, todo instante, e por isso somos levados, pelo engano da carne, a pensar que é obrigação de Deus dar-nos tudo aquilo que Ele nos dá, e que não devemos bater nenhuma continência por tudo aquilo que Ele nos concede.


Tem sido esse o nosso procedimento? Ou será que temos tido esse coração agradecido? Se não, é hora de começarmos a tê-lo. Não podemos ter esse coração ingrato para com o Senhor. Não podemos agir com base no pensamento de que Deus tem a obrigação de fazer para conosco tudo aquilo que tem feito. Urge que notemos a bondade de Deus sobre nós. Urge que meditemos sobre ela, que tenhamos corações profundamente agradecidos. Precisamos banir toda preocupação e ansiedade, que são vírus oportunistas que invadem o nosso coração quando a gratidão está ausente ou em baixa. Precisamos crer nas Escrituras, que declaram que a bondade de Deus dura para sempre. Precisamos crer como o profeta Naum, que bradou: “O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que nele confiam” (Na 1.7). Precisamos bradar como Davi, quando disse: “Oh, provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl 34.8), isto é, bem-aventurado o homem que experimenta que o Senhor é bom.

Nunca deveríamos tolerar um instante sequer de incredulidade na bondade de Deus; seja o que for que nos esteja acontecendo, estejamos absolutamente convictos de que o Senhor é bom. Sejamos agradecidos a Deus pela sua bondade em nos conceder tantas coisas para o nosso prazer: água, comida, ar, saúde, pernas para andar, mãos para trabalhar, olhos para ver, paladar para saborear, olfato para sentir, tato para apalpar, inteligência para pensar e agir racionalmente, capacidade para trabalhar. Sejamos gratos a Deus pelos nossos salários, pela família, pelos anos de vida, pelo plano de saúde, pelo SUS, pela aposentadoria, pelo transporte coletivo, pelos veículos que possuímos, pela casa onde moramos, pelo dinheiro do aluguel. Sejamos agradecidos a Deus porque temos algumas dívidas e também porque temos dinheiro para saldar a maioria delas. Sejamos agradecidos pelas plantas, pelos frutos, pelos animais domésticos que amamos e somos amados por eles, pelos pássaros a entoar canções harmoniosas e afinadas, pelas paisagens que o Senhor nos proporciona, pelo verde da fotossíntese, que nos livra de traumas da visão. Sejamos agradecidos por Jesus Cristo, pela sua Igreja que Ele nos concedeu, pelos nossos irmãos cheios de falhas, mas que estão sendo aperfeiçoados na fornalha ardente da provação.

Agradeçamos pela bondade do Senhor em se nos revelar, em nos dar a Sua Palavra, escrita, pregada, explicada, enfim, peçamos perdão ao Senhor por termos sido tão ingratos para com a sua extrema bondade para conosco. Digamos: Oh Senhor, eu sempre estive sendo beneficiado pela tua infinita bondade e julgava que isso não passava de mera obrigação tua para comigo. Oh Senhor perdoa-me pela minha ingratidão, pela minha falta de reconhecimento. Oh Deus, que eu, como Davi, possa dizer a todos: “Oh provai e vede que o Senhor é bom”. AMÉM



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