A verdadeira circuncisão - Fabiano Rocha*.

A Bíblia exibe a circuncisão não como algo meramente físico e externo, mas como algo que representa valores espirituais. Esse sinal externo significava – como selo da aliança – o gracioso movimento de Deus em relação ao homem. Ela pode ser descrita como o sinal da obra da graça mediante a qual Deus seleciona e marca os homens para serem seus. Os homens eram marcados externamente por esse ato e estavam unidos ao seu Senhor. Deus firmou uma aliança com a casa de Israel e estabeleceu a circuncisão como sinal e selo.

Aqueles, porém, que se tornavam membros da aliança tinham por obrigação demonstrá-lo não somente através desse sinal externo mas principalmente pela obediência à Lei de Deus. Isso foi expresso por Deus a Abraão, quando disse : “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17:1). Seria então através de um andar diário em obediência e submissão à vontade de Deus que Abraão demonstraria que tinha uma aliança com o Senhor. A caminhada diária demonstraria que o sinal nele não era vazio e sem significado, mas uma demonstração de que o seu próprio coração também estava circuncidado por Deus. Isso mostra que a circuncisão e a obediência permanecem como uma verdade bíblica. Esses dois aspectos não devem estar separados jamais. Quando esse ato ordenado por Deus estava divorciado de uma vida de consagração e obediência ele tornava-se um sinal vazio e sem significado. A maioria dos judeus caiu nesse grande erro. Eles absolutizaram o rito externo em detrimento a sua realidade espiritual.

Mas o Antigo Testamento ensina claramente que o sinal deve vir acompanhado de sua realidade e que é perfeitamente possível alguém possuir o selo sem viver sua realidade. Paulo, no Novo Testamento, vai além, combatendo justamente essa tendência humana de apegar-se de modo absoluto às sombras e negar a luz. De apegar-se às formas em detrimento a realidade. Ele diz que “Sem a obediência da fé a circuncisão torna-se incircuncisão” (Rm 2:25-29). De modo não muito diferente , Deus adverte o povo em Dt 10:16 dizendo que eles deveriam circuncidar o coração. Com isso o Senhor estava demonstrando que há uma realidade para além do mero ato físico. Uma realidade que marca transformação mais profunda na vida do homem, em seu coração. Era justamente uma obediência que procedia de um coração circuncidado que Deus estava exigindo e não uma falsa confiança em um selo físico. Embora eles não pudessem deixar de praticar o ato físico em si, porque fora ordenado por Deus.

O equivalente neotestamentário da circuncisão se aplica ao batismo. Assim como a verdadeira circuncisão não se restringe a um sinal externo, o mesmo podemos dizer do batismo. A vida da pessoa batizada deve ser uma realidade diária daquilo que o sinal externo representa, ou seja, uma vida de morte para o mundo e de obediência em nova vida para Deus. Caso contrário, a nossa desobediência nega aquilo que o batismo representa, demonstrando que o sinal perdeu o seu valor e que nossa profissão não passou de uma mera expressão dos lábios. O sinal visível tem a sua importância derivada da realidade invisível, espiritual. Se não houver primeiro uma circuncisão interna ou um batismo interno como realidade efetuada por Deus, as ordenanças perdem o seu devido valor pela negação diária na vida do homem não regenerado.

*Pastor da Primeira Igreja Batista Reformada em Taguatinga.

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