Você sabe quem é Deus? - Ezequiel Farias*.

Um dos ramos da Psicologia ensina que o nosso comportamento em relação às pessoas reflete o conhecimento que temos delas. E, sabemos que a única forma de conhecermos o caráter de alguém é através de suas palavras e atitudes. Com relação a Deus não ocorre de modo diferente. Porém, as características reunidas de Sua Pessoa são conhecidas pela Teologia por ATRIBUTOS. É exatamente o ensino desses atributos que fariam com que o povo viesse a conhecer verdadeiramente quem é DEUS. No entanto, a maioria dos líderes religiosos, quando muito, ensina apenas daqueles atributos que não representariam uma ameaça ao eu das pessoas. E isto por razões próprias, jamais justificadas pela Escritura! Por consequência, milhões de pessoas tem uma visão de Deus completamente desvirtuada da que Ele mesmo apresenta, sendo impossibilitadas de avaliar o quanto isso é desastroso para suas vidas.

Sendo assim, pergunto melhor: o seu comportamento reflete o conhecimento que as Escrituras revelam de Deus?

Em razão dos fatos acima, talvez você conheça apenas os atributos Amor, Bondade e Poder, os quais, no máximo, podem lhe fornecer uma concepção de Deus como de um pai bonachão, que além de não reprovar seus atos, ainda lhe promete uma vida eterna de felicidade; porém, jamais lhe permitem saber, por exemplo, que Deus se ira todos os dias em razão dos seus pecados diários (Sl 90.8,9), e que por isso exige de você imediato arrependimento (At 17.30). É possível, igualmente, que esse parco conhecimento de atributos lhe tenha levado a imaginar que Deus faz vistas grossas aos que costumam mesclar seus atos religiosos com suas persistentes transgressões à Sua vontade, declarada nas Escrituras – o que caracterizaria um deus insensato e incoerente, não o Deus que se nos revela! Por outro lado, a Bíblia diz que a regeneração operada por Deus redime o homem da qualidade de escravo do pecado e, portanto, é impossível que um filho de Deus persevere em tal hipocrisia, visto que “todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3.9), pelo contrário, “quem está em Cristo é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co 5.17)! Permita-me, portanto, falar de tantos outros atributos divinos e, sobretudo, de suas reais implicações sobre a sua vida.

Deus não tolera o menor pecado de quem quer que seja (Mt 5.22; Tg 2.10), revelando-nos, assim, o seu atributo SANTIDADE. Ferida a santidade de Deus pelo pecado, surge, automaticamente, outro atributo perfeito: a IRA (Rm 1.29), que, por sua vez, exige o exercício da JUSTIÇA de Deus, que, obviamente, não pode deixar de punir o transgressor de sua Lei (Hb 2.2).

Mas, para que você possa entender mais claramente o exercício desses atributos de Deus para com os homens, torna-se fundamental conhecer tambem quem é o homem na sua essência. Atente para a verdadeira natureza de todo ser humano apresentada pelo próprio Jesus: “De dentro do homem é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).

Essa nossa natureza surge com o pecado do primeiro casal sobre a Terra (Gn 3.6,7), que, ao desobedecer a Deus, perdeu a comunhão com Ele (Is 59.1,2; Ef 2.1) e, automaticamente, aquela imagem e semelhança que tinha com o Criador (Gn 6.5/Rm 3.9-18; II Co 3.18), corrompendo não só a raça humana (Rm 5.12), mas toda a Criação (Gn 3.17,18). Por isso “alienam-se os ímpios desde o ventre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras” (Sl 58.3), e “toda a Criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22). Por isso, tambem, o próprio Jesus declarar que enquanto você não der ouvidos à Palavra de Deus, continuará como filho do diabo, fazendo a sua vontade (Jo 8.43-47; Ef 2.2,3; II Tm 2.26). É exatamente por essa razão que o atributo AMOR se refere somente àqueles que recebem a Cristo pela fé, o Qual aplaca a ira de Deus sobre eles (Rm 5.1), torna-os Seus filhos (Jo 1.12) e lhes garante a vida eterna – tendo-lhes Deus assegurado essa GRAÇA ao enviar Jesus para morrer os seus pecados (Mt 1.21/Jo 3.16/Ef 5.25).

Remissão do pecado, portanto, somente é possível através da Pessoa de Jesus Cristo (II Co 5.21), uma vez que somente as suas obras são imaculadas (Hb 7.26-28). Isto significa dizer que você precisa se arrepender do pecado, para ser redimido por Cristo (Lc 24.47; At 3.19), e confiar somente nEle, para ter vida eterna (Jo 6.47), pois, do contrário, o próprio Jesus não hesitará em condená-lo ao eterno sofrimento (Mt 3.12; 25.41), visto que seus pecados não podem permanecer impunes ante a face do Justo Juiz (Sl 7.11-13), para Quem “todas as nossas boas obras são como trapos da imundícia” (Is 64.6). E por isso novamente o próprio Jesus assim declarar: “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lc 13.5).

Não obstante a tanta clareza bíblica, talvez você ainda imagine que Deus nunca vai julgá-lo, pelo simples fato de considerar a boa vida que Ele lhe tem concedido, ou em razão da permanência de todas as coisas como desde o princípio. Se for assim que pensa, preciso ainda lhe dizer que esse é o maior engano que um ser humano pode ter na vida, pois é de caráter eterno! O que ocorre é que Deus usa de MISERICÓRDIA para com toda a sua criação (Sl 145.9), ao mesmo tempo em que espera que os seus se arrependam (Jo 6.39/II Pd 3.9), revelando a sua PACIÊNCIA não obstante os nossos pecados, e não vai julgar ninguém fora do tempo que Ele mesmo determinou (At 17.31), uma vez que tambem possui a IMUTABILIDADE. Contudo, o que determinou certamente executará (Is 46.9-11), pois “não é homem para que minta ou filho do homem para que se arrependa; porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Nm 23.19). E isto em razão da sua FIDELIDADE. Por isso Jesus afirmar que “nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5.18) e, em cumprimento a esta lei, vir “em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (II Ts 1.8). Ou seja, se você permanecer resistindo a esse Evangelho em virtude de seus próprios interesses (Lc 9.23-26), não espere absolutamente uma vida eterna de gozo e paz, uma vez que preferiu os valores do mundo a negá-los por amor a Jesus, pois “o que, todavia, se mantem rebelde contra o filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).

Atente para o fato que nenhum tema nesta vida deve ser mais importante para você que o da vida pós-túmulo, uma vez que a sua vida eterna com Deus (ou sem Ele) é determinada enquanto neste mundo (Mc 16.15,16). Portanto, por maiores que sejam os prazeres pelos quais você anela ou vive a usufruir, não se comparam com as eternas alegrias que se reservam àqueles que negam suas vidas por amor ao Evangelho (Rm 8.18). Igualmente, por maiores que sejam as dores pelas quais você passou ou passará neste mundo, não se comparam ao sofrimento que se abate (e se abaterá) sobre milhões no inferno, por não priorizarem o Senhor Jesus nesta vida (II Pe 2.4 e 9/II Ts 1.8,9).

É loucura, pois, caminhar em oposição ao único que possui a ETERNIDADE e ONISCIÊNCIA, estabelecendo idéias próprias ou dando ouvidos ao que a sociedade ou as filosofias humanas ditam como verdade. As filosofias passam, bem como a sociedade com seus conceitos e costumes – por mais modernos que sejam. Porém, “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hb 13.8), ou seja, os conceitos bíblicos não prescrevem, pois o que era pecado para Deus ainda é e sempre o será, restando a nós pecadores o arrependimento e a conformação à Sua vontade.

Portanto, amigo, compreenda o risco eterno de um desvirtuado conceito de Deus! Considere que após a sua morte será eternamente inútil lamentar toda uma vida apenas de acúmulo de pecados contra Ele (Rm 2.5)! Que valor tem sua vida sem a eternidade com Deus, por mais tempo e qualidade de vida que aqui Ele lhe conceder (Lc 12.19,20; 16.25)? Oh pondere estas coisas! Apresse-se em recorrer às Escrituras e clamar a Deus por sua graça, na expectativa de que Ele lhe conceda o arrependimento enquanto nesta vida (II Tm 2.25), visto que “após a morte segue-se o juízo” (Hb 9.27), quando a sua eternidade já estará definida (Lc 16.22, 23 e 26).


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Leitura recomendada para o aprofundamento no assunto:  

Soli Deo Gloria - O Ser e Obras de Deus

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