Exposição do Evangelho de João: A loucura de julgar a luz.

"Então, lhe perguntaram: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Que é que desde o princípio vos tenho dito? Muitas coisas tenho para dizer a vosso respeito e vos julgar; porém aquele que me enviou é verdadeiro, de modo que as coisas que dele tenho ouvido, essas digo ao mundo. Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que EU SOU e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou. E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.” (Jo 8:25-29).

I – INTRODUÇÃO:

Quando a luz nos mostra algo, não questionamos nem tentamos julgá-la, mas nos dobramos a realidade que ela nos revela. Da mesma forma os homens deveriam fazer com Cristo que é a Luz do mundo. No entanto, não é isso o que fazem, pois procuram questionar a Cristo e julgá-lo se de fato é ou não o verdadeiro revelador vindo de Deus. Tal ato em si se constitui em uma perfeita loucura, pois na verdade é Cristo, a luz do mundo, quem julga os homens e não o contrário.

II – JULGANDO A CRISTO APESAR DE ELE SER A LUZ DO MUNDO (Jo 8:25).

A pergunta destes homens incrédulos chega a ser assustadoramente surpreendente, diante do fato de Cristo já ter se revelado claramente nesta ocasião, e em seus discursos anteriores. Ele a pouco dissera ser a luz do mundo (Jo 8:12), o Revelador do Pai (Jo 8:19). Em outras ocasiões afirmou sua igualdade com o Pai (Jo 5:16-18), disse ser o pão espiritual (6:48), falou de sua carne e sangue como verdadeiro alimento (6:53-57), disse ter a água que sacia a sede espiritual, ou seja, o Espírito Santo (7:37-39). Por isso que Cristo os responde assim: “Que é que desde o princípio vos tenho dito?”. Diante de tantas revelações como é possível perguntarem sobre quem Ele é? Isto só pode ser motivado por incrédula zombaria. O fato é que estes homens estavam se colocando como aqueles que podiam julgar a Cristo, pondo-se assim na posição louca de juízes da luz.

Amigos, esta é uma posição natural dos incrédulos. Eles acham que podem julgar a Cristo, que podem questioná-lo, afrontá-lo, zombar de suas palavras. Mas o que fazem é questionar a única Luz que eles têm e este é o motivo suficiente para definir este ato como completa loucura. Ou não? Ora, Cristo é a Luz do mundo, o Filho de Deus, o Verbo Divino, o Revelador de Deus, o Salvador, Juiz, e Senhor. A obrigação dos homens é render-se a ele e não julgá-lo, assim como é uma atitude óbvia reconhecermos o que a luz nos mostra, e não questioná-la. Leitor, você não tem feito o mesmo? Você não tem julgado o Cristo revelado nas Escrituras? Você não tem se posto como juiz das Escrituras? Se este é o seu caso eu quero lhe alertar que seu caminho é perigosíssimo. Cristo mostra adiante porque este caminho é perigoso.

III – A LUZ É QUE JULGA (Jo 8:26).

Cristo agora coloca as coisas em seu devido lugar, ou seja, a luz não é julgada, mas ao contrário, é ela quem julga. Os homens não julgam o que a luz revela, mas aceitam seu julgamento, pois a luz tem exatamente a propriedade de revelar. Sendo assim, aceita-se de forma natural esta sua propriedade. A realidade que a luz revela não é questionada. O óbvio é que é a luz quem julga os homens, não o contrário. Por isso Cristo coloca-se como aquele que tem muito a julgar naqueles homens incrédulos, ou seja, muito a revelar sobre a situação espiritual em que eles se encontravam. E apesar de eles não crerem no juízo Dele, Ele comprova a veracidade do mesmo mostrando que todas as suas palavras são na verdade palavras Daquele que o enviou, ou seja, de seu Pai. Assim tal juízo de Cristo é fidedigno, pois o Pai é verdadeiro. Todo o juízo de Cristo esta baseado na verdade do Pai. Por isso não importa a incredulidade daqueles homens, não importa que eles não o levem a sério, o juízo continua sendo verdadeiro porque vem de Deus, o Pai. Se eles permanecerem negando a realidade, a mesma não deixará de ser realidade por causa disso, e o pecado em breve pagará o seu salário: a morte.

A conclusão é que aqueles homens estão em “maus lençóis”, pois afrontam tão somente a realidade inquestionável que a luz revela. A atitude mais sábia, aliás, a única atitude de fato sábia, seria parar de questionar, de tentar julgar a Cristo, e reconhecer o seu juízo verdadeiro. Eu repito que este é o único caminho a seguir. E para você que lê estas linhas não é diferente. Para de questionar a Cristo e exponha-se a sua luz reveladora, ao seu julgamento, ou seja, dê ouvidos a sua Palavra permitindo que lhe seja revelada sua real condição espiritual.

IV – A CEGUEIRA SE TORNA MAIS E MAIS ESPESSA (Jo 8:27)!

O texto nos diz que aqueles homens não entenderam que Cristo lhes falava a respeito do Pai. Já vimos em nossas exposições deste Evangelho que ao negarmos a luz de Deus poderemos cair em trevas cada vez maiores. A falta de entendimento destas pessoas demonstra que elas cada vez mais perdiam a capacidade de compreendê-lo. Em outras palavras, o ensino era transmitido de forma clara, mas os receptores não tinham capacidade de o receberem. A luz era reveladora, mas os olhos eram cegos, e assim incapazes de discernirem o que a luz mostrava. Cristo estava falando e eles não entendiam nada. Esta situação é terrível. Como foi triste, trágico mesmo, estar diante do Filho de Deus e não compreendê-lo. Amigo não despreze o que lhe tem sido revelado por Deus em Cristo, para que sua cegueira não se torne grande demais, para que seu entendimento não se torne tão obtuso que você seja incapaz de enxergar o óbvio.

V – A PROVA INCONTESTÁVEL (Jo 8:28,29).

Cristo conclui seu argumento mostrando que a prova incontestável de que Ele falava pelo Pai seria sua morte na Cruz. Esta seria a sua coroação. Cristo era absolutamente obediente ao Pai, e o foi até a morte, e morte de Cruz (Fl 2:8). E foi na Cruz que Ele pagou o preço pela justificação de seu povo. Na Cruz de Cristo foi que Deus se tornou o justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm 3:21-26). Dessa forma a prova incontestável de que Ele falava apenas as palavras do Pai, a prova incontestável de que seu juízo a respeito dos homens era verdadeiro, a prova incontestável de que Ele era de fato a luz do mundo seria morrer na Cruz, ou seja, “ser levantado”.

O Senhor diz que então os seus inimigos “saberão” que Ele falava as Palavras do Pai. Mas o que significa este “saber”? Naturalmente não significa um “saber” para a salvação, pois em sua maioria aqueles homens nunca chegaram a crer em Cristo. Eu diria que este “saber” é o “saber” dos desesperados, pois um dia todos os inimigos de Cristo estarão diante Dele como o Juiz, e não poderão mais negá-lo como o enviado do Pai, pois tudo estará patente, e Ele os julgara e eles perecerão (Jo 5:25-30). Este é o “saber” dos desesperados. Então este “saber” de nada vale para o que sabe, pois estará condenado, porém glorificará a Cristo, como o enviado do Pai. Amigos, hoje é o tempo de “sabermos” quem é Cristo, de nos humilharmos diante Dele como o enviado do Pai. Caso contrário um dia “saberemos”, mas então será tarde demais. Saibamos e creiamos que Deus o Pai sempre esteve com seu Filho, e sempre se agradou Dele, pois Cristo sempre fez o que era de seu agrado. Amém!

VI – CONCLUSÃO:

Cristo é a luz do mundo, pois foi enviado para falar as palavras verdadeiras do Pai. Portanto, não tentemos julgar a Cristo, mas nos submetamos ao seu julgamento a respeito de nossa situação espiritual. Este é o caminho sábio.

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Leitura recomendada para o aprofundamento no assunto:

Cristo: Sabedoria, Justiça, Santificação, Redenção

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