Exposição de Gênesis 17: Deus prossegue na implementação da Aliança com Abraão.

I – INTRODUÇÃO:

Deus prossegue a implementação da Aliança com Abrão. Agora muda o seu nome e de Sarai e estabelece o rito da circuncisão. Todo este evento tem uma ligação muito forte com os eleitos de todas as épocas, inclusive a nossa, pois aqui Deus está executando na história o Eterno Pacto da Graça em Cristo, e todos os crente são descendentes de Abraão em sentido espiritual. Assim estudemos este texto aplicando as nossas vidas hoje.


II – ALIANÇAS E PROMESSAS (Gn 17:1-8).

Deus se manifesta a Abrão passados treze anos de seu pecado com Agar, do qual nasceu-lhe Ismael. Certo pastor, com quem muito aprendi, mencionou este fato como uma evidência do desprazer de Deus com o pecado de Abrão. De fato creio que há motivos para esta posição. Observemos que a palavra de Deus foi que Abrão mantivesse comunhão com Ele, que seu estilo de vida fosse voltado para Deus. De qualquer forma, temos aqui o Senhor prosseguindo em estabelecer a Aliança com Abrão e deixando claro que tal Aliança tem o propósito de fazer do Senhor o Deus de Abrão e de seus descendentes. Ele fala que Abrão deve ser integro diante Dele, o que indica que Abrão deve ter todo o seu ser voltado para o Senhor. Não deve ter um coração dividido. Esta é a benção central da Aliança: Deus ser o Deus de seu povo. Outra bênção é mencionada, a terra, mas é apenas periférica, pois aqui vemos o propósito do pacto da graça: Produzir um povo em Cristo que glorifique a Deus sendo purificado do pecado e zeloso de boas obras (Tt 2:14). Por isso também se fala de uma descendência numerosa, o que indica a descendência física, mas podemos crer, de maneira decisiva, a espiritual (Leia Rm 4:16,17). Dessa forma Deus muda seu nome para Abraão, que significa “pai de uma multidão”. Assim, todos os crentes são descendentes de Abraão, fazem parte desta aliança em Cristo, e Deus é o Deus de cada um deles. Haveremos, portanto, de testar-nos diante destes fatos. Se nos dizemos crentes, também somos descendentes de Abraão, estamos em Aliança com Deus, andamos em sua presença, todo nosso ser está voltado para Ele, enfim, o Senhor é nosso Deus e esta é nossa maior riqueza. Este é o seu caso, prezado leitor? Creio que esta é uma aplicação direta deste texto para cada um de nós.

III – O ESTABELECIMENTO DA CIRCUNCISÃO (Gn 17:9-14).

Como fez na aliança com Noé, com o arco-íris, Deus estabelece o sinal de sua Aliança com Abraão, a circuncisão. Todos os machos de sua casa, e todos seus descendentes, deveriam passar pela circuncisão. Caso houvesse desobediência o castigo seria a morte. Sabemos que este rito não passou para nossos tempos (Rm 4:9-12), no entanto devemos lembrar que a verdadeira circuncisão é feita não no órgão genital, mas no coração (Leia Dt 10:16; Jr 9:23-26; Rm 2:25-29). Dessa forma, permanece a questão de que nossos corações precisam ser dóceis diante de Deus e não endurecidos. Isso só é possível com o “novo nascimento”. Ocorria, no entanro, que certos israelitas se conformavam com o rito externo sem uma prova de um quebrantamento interno, ou seja, a circuncisão no coração. É comum nós nos conformarmos com as cerimônias, como a Ceia e o Batismo, esquecendo-nos que precisa haver uma correspondência no coração. O verdadeiro povo de Deus não seria apenas o que tivesse uma marca em sua carne, mas a verdadeira marca no coração. O verdadeiro povo de Deus é aquele que tem Deus como Deus, que anda em sua presença. Os sinais têm valor se coisa assinalada for real. Este é o seu caso, meu leitor?

IV – O NOME DE SARAI É MUDADO (Gn 17:15-22).

De Sarai para Sara. Derek assinala que não há diferença de significado, mas que se introduz Sara na promessa da Aliança. Sara era importantíssima, pois como “princesa”, dela sairiam reis. A Bíblia dá grande importância as mulheres. Diante desta promessa Abraão ri, parece-lhe incrível que idosos possam gerar descendentes. Mas nele agora há um misto de fé e incredulidade, pois roga por Ismael. O Senhor em sua imensurável compaixão reafirma a Abraão a promessa, e promete-lhe grandes bênçãos Ismael, ouvindo, assim, a oração de Abraão. Deus ouve nossas orações! Mas o escolhido era Isaque, com que estabelece a Aliança, o filho da promessa (Gl 4:21-31). Deus tem seus eleitos! Louvamos a Deus que deu fé para que Abraão cresse contra a esperança, e de fato tudo ocorreu como Deus dissera (Rm 4:18-25). De fato esta é a fé genuína, a que descansa em Deus e não no homem. Os descendentes de Abraão têm esta fé, a fé que descansa em Cristo. Observamos em tudo isso o propósito bem definido de Deus em salvar um povo para si, um propósito infalível. Devemos nos regozijar em Deus por nossa eleição, e se de fato somos eleitos possuímos a verdadeira fé.

V - OBEDIENCIA IMEDIATA (Gn 17:23-27).

No mesmo dia Abraão obedeceu ao Senhor, circuncidando a si, a seu filho, e a todos os machos de sua casa. Esta é a prova mais evidente da participação na Aliança com Deus: A obediência por amor e respeito a Deus. Assim se demonstra que Deus é de fato nosso Deus. Somos povo de Deus, estamos em aliança com Ele, nosso coração é circuncidado? Então nós o obedeceremos, e imediatamente. Que nos avaliemos seriamente diante desta realidade!

VI – CONCLUSÃO:

Em Cristo, espiritualmente, todos os crentes estão ligados a Abraão. Estes tais têm Deus por Deus. Esta para eles é a maior benção da Aliança. De coração eles temem a Deus e desejam sempre obedecer-lhe. Manifestam a circuncisão no coração dessa forma. Diante disso devemos louvar a Deus, pois cabalmente Ele cumpre seu propósito de eleger um povo em Cristo zeloso de boas obras, e para sua glória. Amém!

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Estudo recomendado para o aprofundamento no tema: 

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