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terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Riqueza de Deus - Edson Azevêdo.

O texto a seguir é uma pregação do Pr Edson Azevêdo. Se quiser baixar o áudio clique aqui. Se quiser o texto em PDF clique aqui. Para outras pregações do mesmo autor clique aqui
 
Porque dele, e por meio dele, e para Ele, são todas as coisas. Glória,
pois, a Ele, eternamente. AMÉM.
(Rm 11:36).

Introdução :

Só existe uma riqueza: a de Deus. Só existe uma pessoa rica: Deus. Qualquer pessoa que se arvore como rico é apenas mais um usurpador. Tudo aquilo que está em nosso poder não é nosso, é de Deus. Tudo aquilo que está em nosso poder, apenas administramos. Avarento é aquele que ama os bens que estão em seu poder e que pensa que são dele. A riqueza de ‘ter’ é unicamente de Deus. A riqueza de ‘fazer’ é unicamente de Deus. A riqueza de ‘ser’ é unicamente de Deus, por isso que o Espírito Santo juntou num só versículo a glória de Deus com a totalidade de todas as coisas como sendo de Deus, por Deus e para Deus. Portanto, os que estiverem fora do ensino para o qual essa doutrina da riqueza de Deus aponta, nunca aprenderam o que significa, de fato, a glória de Deus.

Todos os homens, sem exceção, possuem na sua natureza três idéias básicas pelas quais se regem. São elas: a idéia de posse, a idéia de obras (o fazer, o realizar), a idéia de auto-satisfação. Uns as possuem em grande intensidade, outros em menos intensidade, mas todos nós as possuímos. Essas coisas, aparentemente inofensivas, permeiam todos os homens: gregos, troianos, escravos, livres, judeus, gentios, ímpios e até crentes. Crentes?! Sim, crentes têm desejo de possuir, desejo de fazer e desejo de auto-satisfação? Sim! Mas, pergunto: É errado querer ter posses? É errado querer fazer algo? É errado querer satisfazer o eu, o ego? Bem, lá fora, no mundo, tudo isso é normal, lá fora tudo isso é necessário; lá fora, diríamos, tudo isso, é a razão da própria existência, o ter, o ser e o fazer. O mundo diz: “Não dá para viver sem desejar possuir tudo que os olhos vêem”. O mundo diz: “Não dá para viver sem ser reconhecido pelos meus feitos”. O mundo diz: “Não dá para viver sem satisfazer o meu ego”.

Tudo isso, é normal num mundo que jaz no maligno. Mas, dentro da Igreja do Senhor, isso é pecado capital, é veneno puro, é cair nos desejos do maligno. Foi nesse desejo que Lúcifer se tornou em Satanás: “Eu subirei... serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). A postura dos crentes da Bíblia com relação ao domínio absoluto de Deus sobre todas as coisas era sempre essa: (1) Quanto ao fazer: “Senhor... todas as nossas obras Tu as fazes por nós” (Is 26.12) (2) Quanto ao Ser: “Logo, já não sou eu quem vive...” (Gl 2.20) (3) Quanto ao ter: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1). A postura bíblica é: só Deus é o dono de tudo; só Deus faz todas as coisas; só para sua satisfação pessoal é que Deus faz todas as coisas. O ter, o fazer e o ser só são perfeitos porque existem em Deus. Só nele é que podem existir, e com perfeição. Em nós, não. O ter, o fazer e o ser tornam-se imediatamente em: egoísmo, obras de justiça e ambição. Quando ouvimos que Deus é dono de tudo, imediatamente concordamos e dizemos: “Glória a Deus!”, mas continuamos com aquela idéia de que também somos donos de alguma coisa, ficamos a pensar nas nossas posses ou mesmo a dmirá-las. Quando ouvimos que todas as coisas existem por meio dele, imediatamente concordamos e dizemos: “Glória a Deus!”, mas também continuamos com a idéia de que não é bem assim, que nós também fazemos algumas coisas, e umas até bem importantes e tal e tal. Achamos-nos imprescindíveis em algumas situações, como se Deus precisasse de nós para realizar os seus propósitos. Ao ouvirmos sobre o fato de que Deus faz tudo para a sua satisfação pessoal, imediatamente concordamos, mas também que Ele faz as coisas para a nossa satisfação pessoal e que nós também fazemos todas as nossas coisas para a nossa satisfação própria. É aí que descobrimos que não damos toda glória a deus. Estamos retendo parte do crédito na nossa conta, e isso indevidamente. Mais cedo ou mais tarde devolveremos tudo, e com juros altíssimos, pois “... minha glória não a darei a outrem” (Is 42.8). Se dizemos: “Porque dele são todas as coisas”, então, por que ainda conservamos algum sentimento de posse? Será que estamos pensando que o criador sagrado está apenas falando em linguagem bela e poética? Será que pensamos que o escritor sagrado não está falando prá valer? Qual é o ser humano que possui alguma coisa a não ser no terreno ilusório da desgraça material?

Calvino fez uma cadeia interessante a respeito das riquezas: Ele disse que todas as coisas, sem
exceção, se corromperam por conta do pecado. Até os metais enferrujam como conseqüência. Semelhantemente o papel, envelhece. Então, o que seria um homem ‘rico’? Seria aquele que carrega um enorme fardo de papel que a traça consome e um enorme fardo de metais que se enferrujam, e essas coisas só servem de carga sobre seus ombros, pois anda dificultosamente e não chegará a tempo, antes que a porta se feche. Sempre que lemos ou ouvimos sobre Mt 19.24 onde Jesus diz ao jovem rico: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”, numa interpretação tendenciosa, colocamo-nos contra os ricos, mas, se prestarmos atenção direito ao texto sagrado, vemos que Jesus refere-se não ao bem material em si mesmo, mas à cobiça no coração. Cobiça fala de desejo íntimo, algo arraigado no fundo do coração, pois, se ao rico é impossível entrar no Reino de Deus por causa das suas riquezas, ao pobre também é impossível entrar no Reino de Deus mesmo não possuindo nada, Mc 10.17-27. É muito claro, então, que o pecado da posse está no coração. O rico apenas manifesta exteriormente o seu pecado de posse, amando os bens. O pobre não pode exteriorizar, mas guarda o pecado no íntimo, o pecado de querer ter. Então, diziam os reformadores: querer ter é pecado, porque é ambição, cobiça; ter é pecado, pois o direito de ter é só de Deus, e só Ele tem; agora administrar é possível, e administrar bem trasforma-se em glória para Deus, seja pouco, seja muito. Somos mordomos daquilo que Ele coloca em nossa mão. Ele é quem decide quanto colocar e quando colocar. Aguardemos as suas decisões e administremos com o maior esmero e diligência tudo quanto Ele nos colocar nas mãos. Fazendo assim estaremos glorificando o seu nome e isso se dá por três razões, descritas em Rm 11.36a:

1 – Porque dele são todas as coisas:  


Nada impede Deus de colocar alguns ou muitos dos seus bens nas mãos dos homens. Após criar Adão, O Senhor lhe deu a administração geral de todas as coisas: “... deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos, e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares” (Sl 8.6-8). E Adão honrou essa dádiva. Comportando-se como mero mordomo até que veio a queda. Mesmo assim, a misericórdia de Deus não deixou de agir sobre os homens. Mesmo na dispensação do pecado, Deus colocou nas mãos de Nabucodonosor muitos bens e muitas riquezas as quais ele não soube administrar. Sabemos dele que, quando passeava nos seus palácios disse: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para a glória da minha majestade?”. Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: “A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: já passou de ti o reino” (Dn 4.29,30). Ali se cumpriu fielmente a Palavra de Deus, descrita em Jó 20.15, que diz: “Engoliu riquezas, mas vomitá-las-á; do seu ventre Deus as lançará”.

O desejo de ter, então, é uma característica do homem caído. O desejo de ter é usurpação, é apropriação indébita. Deus não é possuidor apenas de muitas coisas, Ele é possuidor de tudo, pois dele são todas as coisas. Todas as coisas mesmo! Sem exceção! Não sobra nada! Encontramos em Lv 25.23: “... Porque a terra é minha, e vós estais como estrangeiros e peregrinos”. Lembram-se dos cristãos primitivos? “... Ninguém considerava exclusivamente seu nenhuma das coisas que possuía...” (At 4.32). E que dizer das famílias puritanas da Inglaterra, que trabalhavam, viviam e pensavam para a glória do Senhor? Viviam tão somente para enaltecer o seu domínio eterno. Suas empresas não visavam lucro, eles tão somente se preocupavam com a glória de Deus, e eram extremamente rígidos com os débitos, para não suceder que, atrasando um pagamento, pudessem comprometer ou envergonhar o nome do seu Senhor.

Deus coloca sob a administração de alguns, muitos bens, muitas riquezas, e sobre outros, muito pouca coisa. Isso Ele faz como lhe apraz. Por que te queixas? Não tem direito o oleiro fazer o que quer com o barro? O oleiro se compadece de que Ele quer. Saiba: riqueza não é pecado, assim como pobreza não é virtude. O orgulho do rico e o complexo de inferioridade do pobre sapo pecados da mesma intensidade, do mesmo grau e do mesmo gênero. Este mal no rico e no pobre, chama-se a mania de ter. Pode-se cobiçar quando se tem pouco, muito ou o suficiente, pois a cobiça vem do coração e não das circunstâncias da vida. O fato de se receber alguma coisa de Deus e pensar-se que é nosso, constitui-se no pecado da cobiça, da ambição, do egoísmo. Da mesma forma, não saber usar para a glória de Deus aquilo que Ele colocou em nossas mãos, ou não saber dividilo com o próximo, constitui-se no pecado da cobiça, da ambição e do egoísmo.

Um autor anônimo diz que nossas riquezas consistem não na abundância das nossas posses, mas na pequena quantidade dos nossos desejos. Thomas Brooks diz que: “A melhor riqueza é não desejar riqueza”. Isso é válido, irmãos: o mais rico é aquele que com menos se contenta. Aquele que está sempre satisfeito, embora Deus tenha lhe dado pouco, é muito mais feliz do que aquele que está sempre a cobiçar mesmo Deus tendo lhe dado muito. Benjamim Franklin dizia que “A satisfação faz com que os pobres se tornem ricos; e a insatisfação faz com que os ricos se tornem pobres”.

Entendamos bem, irmãos: Tudo que temos, não temos, administramos. Será que temos alguma coisa em nosso poder para considerarmos nosso? Será que temos casas, ou carros, ou roupas, ou conta bancária recheada, ou mesmo com pouco dinheiro? Será que é nosso mesmo? Que acham os irmãos? E não é somente isso. Se derivarmos para outras áreas da nossa vida e perguntarmos: “Será que temos alguma coisa?” Por exemplo: Os nossos filhos, realmente são nossos? Os nossos pais, realmente são nossos? Resposta: Eles pertencem ao Senhor! Será que o Senhor não pode dispor deles para o fim que desejar? Será que o senhor não pode mantê-los aqui, ou enviá-los para uma terra distante ou mesmo para a eternidade? Será que o senhor não pode fazer tudo isso ao seu bel-prazer, conforme o conselho da sua vontade? Que temos nós? Apresentemos a nossa declaração de renda, de posse! Chegamos aqui nus e iremos embora apenas com a roupa do corpo, envoltos em seis faces de madeira e algumas flores ao redor. Respondam: a mortalha do falecido tem bolso? Alguém já viu um enterro acompanhado de um caminhão de mudanças? Bem, se chegamos nus é porque não temos nada. Qualquer quantidade de bens que Deus nos coloque nas mãos é vantagem. Qualquer coisa que Deus coloque em nossas mãos, é muito, pois não temos nada. Não temos pouco nem muito, simplesmente não temos. O que está nas nossas mãos é exatamente aquilo que Deus quer que esteja, nem mais, nem menos. Compramos casas ou pagamos aluguéis com o dinheiro que Ele nos dá. Fazemos tijolos da terra que é dele e
com a força que Ele nos dá. Ele vestiu Adão e Eva depois de caídos, veste os lírios do campo e nos veste a nós também. Compramos o alimento que Ele faz brotar da terra, com os recursos que Ele nos dá. Tudo arrancamos da terra dele e tudo, no final, será devolvido à terra dele. Por isso disse Jesus: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Notem os irmãos que Jesus disse ’receber’ e não ‘ter’. E o apóstolo completa: “...Que tens tu que não tenhas recebido? E se o recebeste, por que te vanglorias como se não tivera recebido?” (1 Co 4.7). De novo Jesus diz em Ap 3.17 “Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabem que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”. Ou, como disse o grande agro-pecuarista: “E direi à minha alma: alma, tens em depósito muito bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.19,20).

Quem pensa que tem, ou quem tem, ou quem deseja ter, é chamado de louco, de miserável, de pobre, de cego, de nu. Por que? Porque todas as coisas são de Deus. Se estendermos esse princípio para outras áreas das nossas vidas concluiremos que, o simples conversar ou falar, tem que ser submetido ao crivo da Palavra de Deus, do contrário haverá usurpação. Por isso o apóstolo Paulo diz em Ef 5.4: “Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês. Ao contrário, digam palavras de gratidão a Deus” (BLH). No mesmo capítulo de Ef 5, o apóstolo diz, precisamente em Ef 5.20: “Dando sempre graças por tudo a nosso deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo”. Metthew Henry diz que “Agradecer é bom, mas viver agradecido é melhor”. Viver agradecido é dizer: “Senhor, eu te agradeço, do fundo do coração (não da boca prá fora), por tudo que me tens permitido passar, possuir e ser.

Irmãos, a partir do momento em que sairmos desse santuário, devemos alistar todas as coisas que julgamos nossas, e depois disso, confessemos a Deus a nossa ambição, o nosso desejo maligno, a nossa presunção e pretensão. Confessemos a Deus que a nossa ambição é como a morte e como o inferno, que nunca se fartam. Digamos a Deus como disse Bem Johnson: “Senhor, a minha cobiça é infinita naquilo que ela cobiça”. Confessemos a Deus que muitas das tribulações da nossa vida são causadas porque o nosso desejo de ter, a nossa cobiça, é maior do que as nossas posses. Peçamos perdão a Deus por termos estado tampo tempo nessa usurpação, nessa apropriação indevida das coisas que só a Ele pertencem. Reconheçamos que tudo isso é puro engano, puro engodo. Tudo isso é cobiça.

Robert South diz que: “A cobiça está no começo e no fim do alfabeto do diabo – este é o primeiro defeito que aparece na natureza corrupta e o último que morre”. Pecamos e pecamos, pensando adquirir, ter, possuir, coisas que jamais serão nossas. Vivemos numa ilusão eterna. Sabemos até de crentes que prometem a Deus construir templos se acertarem a mega-sena, e de outros que são viciados no 0900, na esperança de serem agraciados com os carros do Faustão, ou os prêmios do baú do Silvio Santos, ou ainda serem contemplados com os veículos e os apartamentos do poupa-ganha. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32. E esta é a verdade: Dele são todas as coisas! Glória pois a Ele eternamente, amém! Dele são todas as coisas! Vejamos essa verdade na Bíblia: Dn 4.35 diz: “Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e segundo a sua vontade Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: que fazes?”. Ainda, Jó 41.11: “Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu”. Também o Sl 50.10-12: “Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes e são meus todos os animais que pululam no campo. Se Eu tivesse fome não to diria, pois o mundo é meu, e quanto nele se contém”. Também o Sl 89.11: “Teus são os céus, tua a terra; o mundo e a sua plenitude, Tu os fundaste”. Toda a plenitude é do Senhor; nada é nosso. Porque dele são todas as coisas, glória, pois a Ele eternamente amém. A primeira razão para glorificar a Deus é: Porque dele são todas as coisas. A segunda razão para glorificá-lo é:

2 – Porque por Ele são todas as coisas 

A segunda parte de Rm 11.36 deita por terra uma das áreas mais preciosas do homem caído: as obras, as realizações, o fazer. Desde a mais tenra idade que manifestamos o prazer em realizar. À medida que aprendemos as coisas, queremos imediatamente mostrar aos outros que somos capazes de fazer também. O mundo glorifica, ovaciona quem faz bem. Quanto melhor fizer, maior será a glória. A mídia anda à caça de gênios em alguma área para promovê-los e assim auferir os seus lucros. As pessoas que realizam bem são logo destacadas e notadas e passam a ser encaradas com respeito, com honra, com glória. A glória é o lucro do bem-fazer. Todos se deliciam com esse lucro. Na escola, o aluno que estuda bem tira notas boas, ganha o elogio dos mestres e o respeito e a admiração dos colegas, e, de quebra, a inveja de algum oponente. Nas artes ocorre a mesma coisa, e com especial destaque. Nos esportes não é diferente: rios e mais rios de dinheiro envolve todas as transações de craques, de ases em alguma modalidade. A propaganda, que gira em torno de capacitar o homem para desempenhar cada vez melhor alguma atividade, é sucesso certo. As agências de publicidade têm como segredo infalível atingir a gana do consumidor de querer ser o melhor. O sucesso é garantido. O produto que for anunciado segundo essa perspectiva, explode na praça. A religião de hoje, também, utiliza essa técnica e se dar bem, isto é, bem mal. Perdeu o objetivo de dar glória a Deus e passou a dar glória ao homem. “Você tem valor”, dizem os tele-evangelistas, ou, “Tudo posso naquele que me fortalece – não admita fracasso – faça, determine, não admitida doença – decrete, não admita a perda de coisas valiosas – tome-os da mão de satanás, amarre-o, dizem eles: Deus lhe pôs por cabeça e não por cauda”. É a técnica de usar textos bíblicos no apoio de heresias. Por outro lado, os homens se cercam de mestres que só digam o que eles querem ouvir, como que sentindo coceiras nos ouvidos, 2 Tm 4.3,4 [..]. Mas a linguagem da Palavra de Deus é outra, ela diz: “E por meio dele são todas as coisas”. O Senhor é quem realiza; o Senhor é quem faz. Só Ele faz. Folheemos as nossas Bíblias e deliciemo-nos com as suas preciosas palavras. Deixemos que ela mesma fale, dizendo quem é que faz todas as coisas: Dt 3.22 diz [..]; Ainda Dt 20.4 diz [..]; Também Dt 8.11-18 diz [..]; Dt 32.6 diz [..]; Dt 32.39 diz [..]; Is 45.12 [..]; Is 54.16 diz [..]; Is 26.12 diz [..];

Também no Novo Testamento, Cl 1.16 diz [..]; Fp 2.13 diz [..]. Vemos irmãos, que não nos sobra espaço para fazermos nada. E se cremos que não fazemos nada mesmo, deixemos de apresentar o currículo das nossas obras. Abominemos aquele prazer, lá no íntimo, quando recebemos alguma glória. Semelhantemente ao TER, não podemos usurpar a glória de Deus, recebendo o crédito por alguma obra nossa. Por isso que só depois do novo nascimento, o crente começa a realizar as obras que Deus preparou de antemão para que ele andasse nelas (Ef 2.10). E essas obras são o mais puro cumprimento da Lei de Deus. Nós só conseguimos realizá-las por meio de Cristo Jesus – “Sem mim nada podeis fazer”. Antes do novo nascimento estamos construindo a torre de Babel, quando tivemos nossas línguas confundidas e cada um de nós ficou com uma fração do sonho a realizar. Meus só são os meus erros – tudo é dele e acontece por Ele. Por meio dele, pois, é que são todas as coisas; glória, pois a Ele eternamente amém.

A primeira razão para glorificá-lo é: Porque dele são todas as coisas; A segunda razão para glorificá-lo é: Porque Ele faz todas as coisas; A terceira razão para glorificá-lo é:


3 – Porque para Ele são todas as coisas:

Não é muito fácil para nós raciocinar este aspecto estando tudo criado, com tantas coisas, tantos movimentos. Mas, retornemos no tempo e imaginemos a solidão de Deus, quando não havia coisa alguma criada nos céus e na terra, nem anjos, nem homens, só havia a triunidade, o Pai, o Filho, e o Espírito. Neste ponto foi decidida a criação. Como Deus faz todas as coisas para o louvor da sua glória, então, Ele criou todas as coisas que existem, e que são, e tudo isso para Ele. A criação nada pode acrescentar à riqueza ou à dignidade essenciais de Deus: Is 6.3 diz [..]; 1 Cr 16.27 diz [..]. Ele não depende de receber glória de outrem, para ser o que Ele é. At 7.2 diz [..]; Se o homem nunca tivesse sido criado, e se os anjos não tivessem sido feitos, ainda assim, Deus seria o Deus da glória. Se ninguém lhe desse honra ou louvor, ainda assim, Ele seria o Deus glorioso que é. Sl 24.10 pergunta: “Quem é esse Rei da glória? O Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”. Samuel Falcão diz o seguinte: “Deus tem em si mesmo glória infinita e nada pode ser acrescentado à ela. Para ser feliz ou glorioso Ele não precisa de suas criaturas. Há beleza natural e eterna em sua santidade e em todos os seus atributos... Deus tem glória intrínseca pela qual nada podemos fazer para aumentá-la ou diminui-la” (Predestinação – 2a. edição, São Paulo – Ed. CEP: 1989.p.81).

A glória do homem é bem diferente, pois esta lhe é dada. Se despirmos um rei da sua coroa e das suas vestes, deixando-o nu ao lado de um mendigo igualmente despido, não se poderá distinguir quem é quem. A única glória gozada por um rei terreno é aquela dada a ele por roupas elegantes e um trono majestoso. Mas não possui glória intrínseca. “Não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia” (2 Co 3.13). A glória divina, ao contrário, é intrínseca à natureza do próprio Deus. Ela faz parte da sua essência. Deus diz em Is 48.11b: “... a minha glória não dou a outrem...”. Em outras palavras, Deus está dizendo que não distribui a sua própria natureza com ninguém. Wiliiam Palmer diz que “Deus é tão incomparável quanto imutável. Ele é infinitamente superior ao mais importante arcanjo, assim como este arcanjo é superior a um verme”.

A Bíblia está repleta desta grandiosa doutrina da exclusividade absoluta de Deus para Deus. Diz-nos Isaías 43.6,7,21 [..]. Ainda Isaías 48.8,11 [..]. Falando do reino milenar, Isaías disse, Is 60.7 [..]. Ainda em Is 63.12 [..]. Davi diz, no Sl 104.31 [..]. E no Sl 115.1, o mesmo Davi diz [..]. E não poderíamos deixar de citar, o verso que muitos jamais imaginariam que estivesse contido nas Sagradas Escrituras, Pb 16.4: “O Senhor fez todas as coisas para Si mesmo: até o perverso para o dia do mal.

Conclusão: 

Então, irmãos, o que se conclui? Que Deus faz todas as coisas para Si mesmo. Nenhum de nós é importante. A Bíblia nos chama de pó. Somos pó, físico e espiritual. No aspecto físico, somos pó porque somos feitos dos elementos químicos da terra e um dia retornaremos à terra, de onde viemos. No aspecto espiritual, somos pó porque estávamos mortos e dependíamos do favor de Deus para sermos vivificados, e uma vez vivos, continuamos dependendo do mesmo favor de Deus para permanecermos na fé. Não há em nós grandeza que justifique nada. Não somos destaque de nada. O amor não está em nós pura e simplesmente. O amor de Deus está em Cristo Jesus (Rm 8.39), portanto, se Cristo estiver sobre nós, então Deus nos ama somente por causa de Jesus. Por isso que Paulo pronunciou: “Ninguém vive para si mesmo...” (Rm 14.7a).Deus fez a nossa vida para Si mesmo. Se Deus é extremamente bondoso, Ele o é para Si e nós somos beneficiados, pois até com os ímpios Ele mostra bondade, conforme nos diz At 14.16,17 [..]. E Lucas 6.35,36 diz [..]. Todas as coisas, portanto, são do Senhor (não nossas). Todas as coisas foram feitas pelo Senhor (não por nós). Todas as coisas são para o Senhor (não para nós). Tudo acontece “... segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o Conselho da sua vontade... para o louvor da Sua glória”.

As duas jóias – Conta-nos uma antiga história que um pastor vivia muito feliz com sua esposa e não tinham filhos. Depois de um longo período de oração, duas lindas crianças nasceram, um menino e uma menina, e começaram a crescer rapidamente de tão saudáveis que eram. Certo dia, por imperativo da vocação, o pastor teve de se ausentar do lar por muitos dias, precisando realizar uma viagem. No período em que esteve ausente, um grave acidente provocou a morte dos seus dois filhos. Não havia como avisar o pai, distante, os meios de comunicação eram atrasados. A esposa, reunindo forças em Deus, sepultou os dois pequeninos filhos com a solidariedade dos irmãos e amigos. Passada a cerimônia, a esposa entrou num profundo dilema, pois, tinha certeza que o marido não suportaria a notícia de tamanha tragédia. Orou a Deus e buscou na sua Palavra o entendimento para ser confortada - e confortar - o seu velho marido, quando retornasse. No dia da chegada, ela se dirigiu à estação ferroviária, em oração, buscando em Deus as forças para ser sábia. Chega o trem, o marido desce, alegre, contente, abraça a esposa, e esta, sem lhe dar tempo para que fizesse perguntas, adiantou-se a falar diversos assuntos, um após outro. No carro, fazendo o trajeto da estação até a casa, ela lhe contou o seguinte caso:

- “Querido, enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável para que as guardasse. São jóias muito preciosas, jamais vi algo tão belo. Só que tem um problema: Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei muito a elas; o que você me diz?”
- “Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca foi afeita a vaidades... por que isso agora?
- “É que nunca vi algo igual! Nunca vi jóias assim! São lindas! São preciosas!”.
- “Podem até ser, mas não lhe pertencem. Terá que devolvê-las!”.
- “Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las!”.
E o pastor respondeu com firmeza: “Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! Vamos devolvê-las, eu lhe ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo!”.
E ela respondeu: “Querido, seja feita a sua vontade: O tesouro já foi devolvido. As jóias eram nossos dois queridos filhos. Deus os confiou às nossas mãos e, durante a sua viagem, veio buscá-los. Eles se foram...”.
O pastor compreendeu a mensagem. Parou o carro, desceram, abraçaram-se e choraram copiosamente, entendendo, sob lágrimas, sob profundo pesar, que todas as coisas foram feitas por Ele e para Ele, que o nome do Senhor é sempre bendito porque é Ele quem dá e quem toma.
Quantas vezes tomamos posse de algo que não nos pertence? Nossas vidas desfrutariam da verdadeira paz, da verdadeira felicidade, se entendêssemos que tudo que temos foi concedido por Deus e a Deus pertence, que Ele sempre faz o que lhe apraz. Por isso digamos com todo o entendimento: “Porque dele, e por meio dele e para Ele são todas as coisas; a Ele, pois, a glória, eternamente, amém”.

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