A atualidade da Lei de Deus.


Este é o texto do sermão pregado em nossa congregação em Belém pelo meu amigo Pr Edson Rosendo. Acesse várias pregações em áudio do pastor neste endereço: http://reformadoscaruaru.blogspot.com/

PRELIMINARES

Muitas igrejas têm negligenciado a pregação da lei do Senhor e o resultado disso é a retirada de todas as barreiras para que o pecado entre livremente nos arraiais santos. Uma frase muito comum que escutamos dentro das igrejas, mesmo por irmãos bem antigos, é: “A lei de Deus é coisa do antigo testamento; eu vivo pela graça; eu estou no tempo da graça”. E esse pensamento parece generalizado entre o povo de Deus na atualidade. A causa disso tudo é que os púlpitos têm deixado de pregar sobre a lei do Senhor, ou por mero desconhecimento, ou por negligência, ou mesmo por falta de crer, achando que é assunto de museu ou coisa que o valha. Assim, levanta-se uma geração de crentes que adultera, que sonega o imposto do governo, sonega o tesouro sagrado, uma geração de crentes que mente sistematicamente, cobiça, desrespeita autoridades, transgride o dia do Senhor, usando-o como se fosse um dia comum, um dia normal de trabalho e lazer, uma geração de crentes que toma o nome do Senhor em vão, uma geração de crentes idolatra, enfim.
Ora, a lei de Deus é perpétua, eterna. A lei de Deus representa o caráter de Deus. Deus é conforme a sua lei. A sua lei é a expressão do seu caráter santo e puro e justo. Deus é do jeito que a lei mostra. Ela foi impressa no coração dos homens desde a criação, porém, por causa da queda, ela ficou anuviada e o homem não mais a enxerga direito, por isso aprouve a Deus fazê-la escrever em tábuas, e isso Ele fez por ocasião da viagem de Israel pelo deserto, no monte Sinai, quando a entregou a Moisés, escrita, para que todos a conhecessem e praticassem. Foi escrita em duas tábuas, sendo uma com quatro mandamentos e a outra com seis mandamentos. A primeira tábua contém os nossos deveres para com Deus, os chamados deveres verticais, que regem toda e qualquer relação do homem com Deus, inclusive o culto, e a segunda tábua contêm os nossos deveres para com o nosso próximo, os chamados deveres horizontais. A escritura deixa claro que Deus fez derivar da primeira tábua um outro código legal, a chamada lei cerimonial, que regia o culto no antigo testamento, e fez derivar da segunda tábua um outro código, a lei civil, que regulava a vida civil do povo de Israel. A lei cerimonial, que regia o culto no antigo testamento, cessou quando da ressurreição de Jesus, pois uma outra ordem do culto foi estabelecida. É como se o papiro da lei cerimonial fosse enrolado de volta e fosse guardado nas gavetas da primeira tábua. A lei civil de Israel, que regulava a vida civil do povo, foi encerrada com o antigo estado de Israel (por volta do ano 70, quando da invasão efetuada pelo império romano e a conseqüente deportação dos judeus por todo o mundo). Mas a lei moral, o decálogo, essa tem vigência eterna, pois representa o caráter santo e justo de Deus, e isso independe de tempo ou de gerações.


A VIGÊNCIA DA LEI DE DEUS PARA HOJE

A lei de Deus continua em plena vigência; Ignorar isso é desconhecer a escritura e andar em terreno perigoso. O apóstolo pergunta: “Porventura, ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida?” (Rm 7.1); Depois ele afirma: “Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo, e bom” (Rm 7.12). Muitos usam verdades da escritura para formar uma teologia antinomiana (contrária à lei de Deus). Por exemplo, Paulo escreveu em Rm 3.28 que o homem é justificado pela fé, independente das obras da lei, e essa afirmativa, que trata da justificação do homem diante de Deus, tem o foco desviado para a não vigência da lei do Senhor. Nada mais absurdo! Sustentamos sempre o argumento do apóstolo quando, tratando da justificação pela fé, pergunta se, por ser pela fé, a lei deixa de vigorar; Ele pergunta: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de modo nenhum! Antes, confirmamos a lei” (Rm 3.31). E o óbvio da vigência atual da lei de Deus é que a escritura define pecado como sendo a transgressão da lei. Em 1 João 3.4 está escrito: “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”. Ora, se não existe mais a lei, então, também não existe mais o pecado. E, se não existe pecado, a igreja do Senhor não deve andar por aí pregando ao povo que se arrependa (como João Batista e Jesus o faziam), porque o povo não terá absolutamente do que se arrepender. Mas isso não é assim! A lei não foi revogada, mas continua em plena vigência. A lei de Deus é perpétua e promete bênçãos aos que obedecem e punições aos desobedientes.
Os crentes são salvos pela graça para cumprirem a lei de Deus, mas os descrentes também a obedecem, em parte, em algumas coisas. Por exemplo: conhecemos pessoas que são sérias, honestas, não gostam de mentiras e têm uma porção de outras virtudes (mesmo não sendo crentes). E dizemos que até essas pessoas são abençoadas por Deus (pois Deus é justo), porém, se morrerem sem Cristo, perecerão eternamente, pois o seu nível de obediência à lei do Senhor não será suficiente para salvá-las. Os crentes que obedecem, também serão abençoados e os que não obedecem, são castigados duramente até que retornem à obediência. Porém, em nenhuma hipótese, o descrente ganhará a salvação pela lei, caso obedeça, e nem o crente perderá a sua salvação ganha pela graça, caso desobedeça. Se a salvação não é pelas obras, então não será por causa de alguma desobediência que o crente perderá a sua salvação. O sacrifício do Senhor é suficiente para salvar e para manter o crente na salvação. Se assim não fosse, nenhum salvo, deixado à sua mercê, conseguiria manter-se na salvação. A diferença entre a obediência do crente e a do descrente é que aquele obedece à lei com prazer, enquanto que o descrente obedece sem prazer, apenas para fugir dos prejuízos que a desobediência traz. Aliás, a lei de Deus tem uma função tríplice: (1) Refletir, tal qual um espelho, o caráter de Deus, santo, justo, e o quanto os homens estão distantes dele (2) Refrear o mal (por exemplo: um homem tem raiva de outro e tenciona matá-lo, mas não o faz porque tem medo das punições) e (3) Guiar o crente à prática das boas obras (por exemplo: somos salvos pela graça – Ef 2.8 – para praticar as boas obras – Ef 2.10). Observe que não somos salvos por causa das nossas boas obras, mas somos salvos para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas – Ef 2.10.
Jesus, em Mateus 5.17-19 afirmou categoricamente que a lei de Deus está em pleno vigor. Ele disse que não veio revogar a lei, mas cumpri-la (v.17); Disse que até que a terra e o céu passem, nenhum “i” ou “til” passará da lei até que tudo se cumpra (v.18), isto é, que enquanto houver teto acima das nossas cabeças e chão debaixo dos nossos pés, a lei estará em vigor; E disse ainda que aqueles que a observarem e ensinarem os homens a observar, serão engrandecidos no reino de Deus, porém, aqueles que não cumprirem a lei e ensinarem os homens a não cumprirem, serão considerados mínimos no reino de Deus (v.19). Ora, ser considerado mínimo no reino de Deus, segundo 1 João 2.4 é ser um tremendo de um mentiroso, pois diz conhecer a Deus, mas não guarda os seus mandamentos (isto é, os mandamentos da lei do Senhor).
A lei de Deus, portanto, está válida, em vigor; Se assim não fosse, ela não seria repetida no novo testamento. Mas ela está repetida em todo o novo testamento, a fim que os crentes observem os mandamentos do Senhor. E Ele próprio disse: “Se me amais, guardareis meus mandamentos” (João 14.15).

O NOVO TESTAMENTO REPETINDO A LEI DE DEUS

O primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3 e Dt 5.7). O novo testamento, em Rm 1.25 escreve: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo à criatura em lugar do Criador”. Adorar à criatura e não ao Criador é ter outros deuses além do Senhor. E o texto mostra que, por causa dessa transgressão, Deus entregou os homens a pecados horríveis, com punições severas (observe os v.24, 26 e 28 que trazem a expressão: Deus os entregou).

O segundo mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura” (Ex 20.4 e Dt 5.8). O novo testamento, em Rm 1.23 escreve que os homens transformaram a glória de Deus em semelhança de homens, de aves, de quadrúpedes e de répteis. Há os que adoram imagens de homens, aves, crocodilos e vacas. Isto é, os homens continuam na idolatria e o novo testamento promete punições terríveis: O v.18 afirma que a ira de Deus se revela do céu contra tais homens, por causa desses pecados.

O terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Ex 20.7 e Dt 5.11). Na oração que ensinou, Jesus afirmou que orássemos assim: “Pai, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Isto é, o nome de Deus continua sendo objeto de respeito e de adoração. Deve ser um nome separado (santificado) do uso comum. O que mais vemos hoje em dia é o nome de Deus sendo usado em piadas e em vão: “Pelo amor de Deus” (em qualquer situação, mesmo as mais banais). Usar também o nome do atributo de Deus em vão é a mesma coisa: “Misericórdia” sendo usado em ocasiões me que a situação não pede. Em João 12.27-28 está escrito: “Agora está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda glorificarei”. O novo testamento, portanto, continua exigindo a honra ao nome do Senhor.

O quarto mandamento: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar” (Ex 20.8 e Dt 5.12). O dia de descanso no antigo testamento era o 7° da semana e no novo testamento é o 1° da semana. A teologia da mudança é muito clara nas páginas da escritura, porém, não é nosso objetivo mostrá-la agora, mas tão somente demonstrar que a exigibilidade da guarda do dia do Senhor continua, nas páginas do novo testamento. É muito claro que a igreja passou a se reunir no primeiro dia da semana (At 20.7; 1 Co 16.1-2; Ap 1.10), porém, a exigibilidade não se encontra nas páginas do novo testamento. Mas, onde está, então? Resposta: A exigibilidade de se continuar guardando o dia do Senhor se encontra nas páginas do antigo testamento, por isso que não se precisou repetir no novo testamento. O antigo testamento deixa bem claro que, quando chegar os dias do novo testamento, o dia do Senhor deve continuar sendo guardado nas mesmas bases, mudando-se o dia da semana apenas. Vejamos os argumentos: (1) Em Isaías 56.1-8 encontramos expressões que se referem claramente aos dias do novo testamento: “Porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça, prestes a se manifestar” (v.1), que são expressões que se referem à chegada de Jesus ao mundo, à encarnação do Verbo (2) O estrangeiro e o eunuco (v.3) participando do culto público (v.4-7) e o lugar do culto público sendo chamado agora de “casa de oração” demonstram claramente que o tempo referido no capítulo é para os dias do novo testamento, porque o estrangeiro e o eunuco não participavam do culto público e muito menos o templo em Jerusalém seria chamado de casa de oração. A expressão “Casa de Oração” foi repetida por Jesus em Mt 21.13, quando Ele afirmou: “A minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos”, que significa a abertura do evangelho para todas as nações. Onde houver cristãos reunidos adorando a Deus publicamente, então aí é uma casa de oração; Diferente do antigo testamento, que o culto público só podia ser realizado em Jerusalém, no templo do monte Sião. Isso explica o porquê de não ter tido problema algum – na igreja primitiva - para se mudar o dia de adoração do 7° para o 1°. O dia mudou, mas a exigibilidade da guarda continua. A santa convocação continua e a exigência de não se realizar nenhuma obra servil, também. Isaías 58.13 ensina o que não se deve fazer: “Não cuidar dos próprios interesses” (estudo secular, trabalho secular, cozinhar, feira, supermercado, arrumar a casa, costurar), “Não fazer a própria vontade” (praia, piscina, futebol, televisão, lazer em geral), “Não falando palavras vãs” (conversas que em outro dia são legais, no dia do Senhor são proibidas, como falar sobre trabalho, estudos e coisas do gênero). O judeu tinha o dia da preparação, em que colocava, de antemão, as coisas em ordem, para que no dia de sábado nada fosse preciso fazer. Que as donas de casa cozinhem no sábado, de tal maneira que no domingo apenas esquentem a comida. Deixar de atender à santa convocação, ao culto público, para ficar em casa cozinhando é abominação diante de Deus. Dos sete dias, Deus nos deu seis para fazermos toda a nossa obra, e exigiu apenas um para Ele, para que nos dedicássemos a Ele em oração, em confissão, em adoração pública, em pontualidade. Ele poderia muito bem, na sua soberania, ter nos dado 1 dia para fazermos a nossa obra e ter exigido de nós 6, para dedicarmos a Ele. Mas não fez assim, antes nos deu 6 dos 7 e exigiu apenas 1, para dedicação exclusiva. Assim, não podemos falhar com Deus nesse mister. Isaias 58.13 também nos diz o que devemos fazer nesse dia: “Chamá-lo de deleitoso” (para muitos crentes o domingo é o dia mais chato; esses nunca compreenderam o que significa a lei de Deus e a adoração devida a Ele). Os crentes verdadeiros fazem uma contagem regressiva para o grande dia do Senhor. Aliás, a escritura não reconhece nenhum outro dia mais importante do que o dia do Senhor: culto de natal, culto de ressurreição, culto disso, culto daquilo, nada substitui o dia do Senhor. É o dia da feira da alma. É o dia exclusivo de adoração. Nos outros dias lemos a escritura, oramos, mas também trabalhamos, estudamos, viajamos e fazemos tudo quanto é do nosso interesse. Mas no domingo não. Ele é exclusivo para a oração, para a leitura da escritura, para a confissão de pecados, para as conversas sobre a Palavra de Deus e principalmente a participação no culto público, que é o culto em que Deus recebe mais glória. Portanto, a exigibilidade da guarda do dia do Senhor para os dias do novo testamento continua. A lei de Deus está em vigor!

O quinto mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe” (Ex 20.12 e Dt 5.16). O novo testamento, em Ef 6.1-2 está escrito: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo; Honra a teu pai e a tua mãe”. Vemos as palavras do quinto mandamento serem repetidas quase iguais às do antigo testamento. A expressão “pai e mãe” se refere à qualquer autoridade. Quando a criança nasce que abre os olhos, as primeiras autoridades que vê na sua frente são o pai e a mãe, por isso que o mandamento está escrito assim, porém, na verdade, a honra devida é a qualquer autoridade e a todas as autoridades. O apóstolo afirmou que não há autoridade que não venha de Deus (Rm 13.1), por isso que todo homem esteja sujeito às autoridades (Rm 13.1). A esposa deve estar submissa ao marido; os filhos, aos pais; os membros da igreja às autoridades: pastor e diáconos; os cidadãos ao prefeito, ao delegado, ao agente do trânsito, ao guarda-noturno. Os crentes devem dar “show” de submissão por causa do temor a Deus. É inadmissível que um crente não honre o pastor, os diáconos e os mais velhos. É inadmissível que uma mulher se levante contra o marido, não o honrando; é inaceitável que uma mulher domine o marido. Honrar qualquer autoridade é honrar o próprio Deus. Deus não se deixará escarnecer por qualquer rebelde, muito mais dentro da sua igreja gloriosa. Qualquer rebeldia sempre foi tratada com o máximo rigor; basta lembrar Miriam e Arão, quando se insurgiram contra Moisés. Deus tratou com máximo rigor e não faz diferente com qualquer rebeldia dentro da sua igreja. O quinto mandamento, pois, continua em pleníssimo vigor.

O sexto mandamento: “Não matarás” (Ex 20.13 e Dt 5.17). O sexto mandamento é repetido no novo testamento e muito mais agravado. Em Mateus 5.21-22 Jesus ensinou que o matar não é apenas o tirar a vida (como foi dito aos antigos), mas também a ira contra o irmão (v.22), o insulto contra o irmão (v.22) e também o desprezo pelo irmão (quem lhe chamar de tolo – v.22). Todas essas atitudes, diz Jesus, torna o sujeito réu de ser transgressor do 6° mandamento.

O sétimo mandamento: “Não adulterarás” (Ex 20.14 e Dt 5.18). O sétimo mandamento também está repetido nas páginas do novo testamento e muito mais agravado. Em Mateus 5.27-28 Jesus ensinou com clareza que o adultério não é apenas a conjunção carnal (como foi dito aos antigos), mas que o próprio desejo alimentado a respeito da mulher do próximo se constitui em transgressão do sétimo mandamento. E o apóstolo acrescenta em 1 Co 6.9 que nem os impuros (adúlteros no pensamento), nem os adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas herdarão o reino de Deus. Então, se o pecado do adultério é punido é porque o 7° mandamento da lei de Deus está em pleno vigor.

O oitavo mandamento: “Não furtarás” (Ex 20.15 e Dt 5.19). O oitavo mandamento também está repetido nas páginas do novo testamento. Em Ef 4.28 o apóstolo afirmou: “Aquele que furtava, não furte mais...” e em 1 Co 6.10 está escrito que os roubadores não herdarão o reino de Deus. E cá entre nós, o roubo mais desatinado, mais descarado, mais ousado que alguém pode cometer é roubar o tesouro do Senhor. Crentes que não sustentam a obra de Deus, mantendo o salário dos pastores de forma digna (e até dobrada), que não sustentam a beneficência da igreja, acudindo os irmãos pobres, são os sacrílegos mais dignos de condenação que existem, pois que roubam o tesouro sagrado. Deus claramente chama os tais de ladrões. Embora seja um termo forte para os padrões globalizados atuais, mas é a pura verdade. São os ladrões mais vis e desprezíveis que existem. Chegam ao mundo nus e vão embora sem nenhum centavo. Adquirem riquezas – do Senhor; administram riquezas – do Senhor e se negam a sustentar a obra do Senhor. Não honram o Senhor com as primícias da renda, sequer com os restos. Esses são os transgressores mais veementes do oitavo mandamento.

O nono mandamento: “Não dirás falso testemunho” (Ex 20.16 e Dt 5.20). O nono mandamento também está exigido nas páginas do novo testamento. Em Ef 4.25 o apóstolo escreveu: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo”. O falso testemunho é condenado na escritura como a mentira pura e simples, a calúnia e a difamação (entre outras). A calúnia acontece quando criamos uma mentira a respeito do nosso próximo. A difamação acontece quando dizemos uma verdade a respeito do nosso próximo, porém, que lhe trará sérios prejuízos à reputação. Todo esse procedimento é apontado pela escritura como transgressão do nono mandamento.

O décimo mandamento: “Não cobiçarás” (Ex 20.17 e Dt 5.21). O décimo mandamento está exigido nas páginas do novo testamento. Todas as vezes que a escritura nos recomenda o contentamento ela está, na verdade, nos proibindo de qualquer cobiça. A falta do contentamento nos remete à cobiça. Em Tiago 1.14 está escrito: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”. Observe que Tiago está apontando a cobiça não como virtude, mas como transgressão do 10° mandamento da lei de Deus. A lei de Deus, portanto, está em pleno vigor também para os nossos dias.

CONCLUSÃO

A falta da pregação da lei de Deus nos púlpitos sagrados ajuda na frouxidão moral dos crentes. Muitos há que não gostam da pregação da lei. Não gostam porque a lei lhes aponta o pecado. Paulo advertiu Timóteo que chegaria o tempo em que os homens não suportariam a sã doutrina (2 Tm 4.3). Vivemos em dias de grandes transgressões, principalmente quanto ao adultério. Em todos os lugares e ocasiões encaramos revistas, livros, comerciais de TV, outdoors, panfletos, conversas, filmes, novelas, programas, músicas, gravuras e tudo isso bombardeia a mente das pessoas de forma intensa; Os crentes estão conformados com o mundo no tocante a essas coisas, e o único antídoto é a pregação da lei, que justamente está ausente das igrejas. Assim, o nosso povo se veste como o mundo, namora como o mundo, vive a vida conjugal no padrão do mundo; os nossos jovens se prostituem, as meninas perdem a virgindade em idade precoce e encetam namoro à moda de Sodoma e Gomorra. Tudo isso tem invadido os arraiais cristãos nos últimos anos. Precisamos de uma reforma ampla, total e irrestrita. Precisamos de pregadores que não tenham a vida como preciosa, que digam: “Ai de mim se não pregar o evangelho!”, que não tenham compromissos com instituições, com homens, para não serem tentados a “aliviarem” o peso da Palavra de Deus. Somente pregadores dessa estirpe serão eficazes na pregação dos ensinamentos que são o ribombar do trovão de Deus para acordar crentes dormentes e pecadores mortos nos seus delitos e pecados.
A disciplina bíblica precisa ser aplicada com urgência e de forma correta pelas igrejas da atualidade. Precisamos seguir os ensinos de Jesus quanto a essa matéria, contidos em Mateus 18.15-20. Se um irmão vir outro irmão cometer pecado, então deve ir até ele, sozinho, e abordá-lo em espírito de mansidão (pois o mesmo pecado que está sendo tratado poderá ser também cometido pelo que interpela – Gálatas 6.1); se o irmão ouvir, então a disciplina estará encerrada (Mt 18.15). Se o irmão, no entanto, não atender, então o outro irmão deve se fazer acompanhar de mais um ou dois irmãos e irem os três novamente ao irmão em pecado para nova tentativa de resgate (a essa altura o pecado do irmão já está sendo conhecido de três pessoas; antes era apenas por uma). Se o irmão em pecado ouvir, então a disciplina estará encerrada (Mt 18.16). Se ainda não ouvir os três, então ele deve ser pronunciado diante de toda a igreja. Um dos três irmãos, de maneira formal, dirá pecado do outro diante de toda a igreja (e apenas da igreja) e dirá das tentativas bíblicas que foram encetadas visando o resgate, e dirá também do fracasso das missões e do endurecimento do coração do tal irmão. Essa pronúncia tem como objetivo fazer com que a igreja vá até o tal irmão; Isso pode ser feito em grupos, de dois, de três, por telefone, por mensagem via celular, por carta, enfim. A igreja como um todo deve estar empenhada nesse resgate (Mt 18.17). Jesus afirmou que, para essa missão, Ele estaria no meio dos irmãos que fossem para o resgate (Mt 18.20). Se depois que toda a igreja foi até o transgressor ele ainda continuar com o coração endurecido, então deve ser considerado pela igreja como o judeu considerava o gentio e o publicano (Mt 18.17 – final do verso). Isso significa que esse irmão rejeitou todas as tentativas de resgate, rejeitou todas as investidas do Espírito de Deus (que foi com todos os grupos – v.20) e agora não mais pertence à comunhão. A igreja não tem mais nenhuma responsabilidade de orar por ele (1 João 5.16), pois esse irmão saiu do apascentamento de Jesus e passou para o apascentamento de Satanás (1 Co 5.3-5). Nenhuma visita, nada de sentar à mesa com ele para uma refeição (1 Co 5.11). Ele deve sentir o abandono da igreja, na esperança de que se entristeça e se arrependa do seu pecado contumaz. Só assim o corpo de Cristo – a igreja – terá a sua pureza mantida e terá autoridade para pregar o evangelho diante de um mundo eminentemente transgressor de toda a lei do Senhor.

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