Estudo em Gênesis 3 (Segunda Parte):


V – AS MALDIÇÕES E O PRIMEIRO ANÚNCIO DO EVANGELHO (3:14- 21):

Chegamos agora a esta parte tão instrutiva e esperançosa para todos nós. Digo isso pelo fato de que aqui a forma de Deus revelar seu Evangelho por toda a Escritura se torna evidente. Eu me refiro a realidade de que Deus não nos engana. Ele mostra a real situação em que nos encontramos. Ele mostra que estamos em condenação. Ele tira a venda de nossos olhos e nos faz ver a gravidade de toda a nossa situação. Já falei anteriormente que o homem no pecado se torna cego. O pecado é trevas, cegueira e ilusão. O pecado faz as pessoas dançarem, pularem, rirem, em beira ao precipício. Estão quase escorregando, mas continuam pulando. Não meu amigo, Deus não nos engana. Deus não engana você. Deus lhe alerta. Não se engane: O pecado é maldição. Assim neste texto Deus amaldiçoa, Ele pronuncia juízo e condenação. Mas não fica só nisto. Eu disse que este texto era esperançoso. Por quê? Porque nele está o primeiro anuncio do Evangelho, da Boa Nova de salvação em Cristo. Sim em meio a Maldição está a luz. Só o Senhor pode fazer isto. Sim! Só Ele pode fazer brotar em meio a maior tragédia que a humanidade já viu, sim, fazer em meio a isto brotar a Salvação. Do Senhor é a Salvação. Só o Senhor pode salvar você!
Mas preciso dizer algo mais a respeito destas maldições. Elas vão significar um transtorno na boa criação de Deus a partir de então. Lembremos que tudo o que Ele fez era bom. Tudo era ordenado, organizado, equilibrado e adequado. As coisas se encaixavam. As relações eram adequadas. Deus e Homem, homem e mulher, homem e natureza, estava tudo em paz, em tranqüilidade. Havia uma harmonia perfeita. Mas o pecado transtornou tudo, e tudo se tornou difícil, muito complicado, muito suado. Podemos ilustrar com uma máquina. Sabemos que as máquinas são formadas de diversas peças. E cada uma destas peças tem seu lugar específico. Mas sabemos também que com o tempo estas peças se desgastam e já não conseguem mais cumprir suas funções com perfeição. Elas estão lá no mesmo lugar, mas não se encaixam, não se “entendem” mais. Até o som emitido muda. Antes era suave, agora é incomodante. As peças começam a ameaçar o trabalho uma das outras. A máquina trabalha inadequadamente, e se nada for feito por fim pode ser que todo o equipamento se perca. Há algo semelhante nestas maldições. Vejamos, então:

1 – A maldição sobre a serpente (14,15): Sabemos que o Senhor não está falando apenas à serpente. Sabemos que há alguém por traz da serpente e este é satanás. Assim a maldição é compartilhada. Notemos ainda que as maldições começam pela origem de toda a tragédia: o diabo. E isso para nós já significa um forte motivo de consolo, pois, Deus se volta contra o tentador, contra aquele que provocou o primeiro casal e os induziu ao pecado. O Maligno causou grande mal a humanidade e a tem escravizado desde então, mas ele está condenado e vencido. Sua derrota final virá, ele não têm a palavra final e sim o Senhor Nosso Deus. Existe esperança, e esta está em Deus. Vamos então ver quais foram as maldições sobre a serpente:
A – Foi amaldiçoada entre todos as animais e deve agora rastejar: Será que isto significa que antes a serpente não rastejava? De certo que não é este o significado. Vemos que em Gn 1:25 Deus criara os Répteis, ou seja animais rastejantes. Tais animais já existiam, já rastejavam. Qual o significado então? O sentido é encontrado mais no que está por traz da coisa do que na coisa em si. Não é que só agora a serpente passou a rastejar, mas que agora o rastejar, para ela, significa um rebaixamento uma humilhação. Ela que foi usada pelo maligno para o mal do homem, ela que em certo sentido foi exaltada pelo diabo como instrumento da queda daquele que é a imagem de Deus, agora então é humilhada desta forma. Creio ainda que isto seja aplicável ao próprio maligno. Ele está condenado a humilhação e derrota, visto que quis se exaltar.
B – O primeiro anúncio do Evangelho: Diz o verso 15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Pela primeira vez nas Escrituras é mencionado o Evangelho. E notemos bem: em meio a toda esta tragédia. Este é o Senhor nosso Deus. Só Ele poderia dizer isso, Só Ele poderia declarar está nota de esperança. Mas o que Ele diz afinal? Ele manifesta uma inimizade constante entre a serpente e os homens. Sabemos da aversão que as pessoas têm das serpentes. Mas sabemos também que esta maldição está voltada contra o maligno. Haverá uma guerra constante entre os homens e satanás. Esta guerra seria definitiva entre a serpente, ou seja, entre o maligno e o descendente. Quem é este descendente? O contexto geral das Escrituras aponta claramente para o Senhor Jesus Cristo. A guerra seria entre o descendente da mulher. Entre um nascido de mulher que seria então mordido no calcanhar, mas que finalmente esmagaria a cabeça da serpente. Ora, este é Jesus que foi perseguido por satanás e levado a morte, mas que por esta mesma morte pisou, esmagou de uma vez por todas a cabeça da serpente. Mordida de calcanhar é curável, mas cabeça esmagada não tem cura. Satanás está destruído para sempre. Este é o Proto-Evangelho, é a primeira vez que a boa nova é mencionada. Notemos que este anúncio não é feito direto a Adão, mas a serpente. Fora dito bem claramente que ele seria derrotado.

Diante de tudo isso quero tirar duas lições:

A – A vitória do Filho de Deus é certa, assim como a derrota do maligno. Tudo é apenas uma questão de tempo para a concretização final deste fato. Assim eu lhe pergunto: A quem você está seguindo? A Cristo ou a satanás? Quem é o seu Senhor afinal? Você crê em Cristo como seu Salvador e Senhor? Já se arrependeu de seus pecados? Ou ainda serve ao diabo em sua arrogância a Deus, em sua rebeldia e afronta ao Rei dos Reis? Dependendo de suas respostas a estas questões ou você será salvo, ou condenado. Diga-me: Os que servem ao diabo que esperança têm se para ele não existe nenhuma? Responda-me seriamente. Ele está condenado, para ele não existe esperança, mas somente derrota e danação. Porem Cristo é o Rei vitorioso que já esmagou a cabeça da serpente, Ele é o Cabeça da Nova Raça que não é Escrava do maligno, mas que ao contrário Reinará juntamente com Cristo o Nosso Senhor. Creia em Cristo e serás salvo. Mas se não creres eu te digo solenemente: Já estás condenado, pois fora Dele não há salvação!
B – Deus continua sendo soberano. O texto demonstra de forma inequívoca que Deus está no controle. Não, a serpente não venceu. Ele não tem a ultima palavra. Mas o Senhor do alto de sua Soberania pronuncia maldição a serpente e declara sua derrota. Na verdade tudo inclusive a Queda e a Redenção estavam no desígnio de Deus. Em Cristo temos a Redenção, Eleição e a Predestinação desde antes da fundação do mundo (I Pe 1:18-21; Ef 1:3-5). O Senhor é Soberano e nada o toma de surpresa. Ele é Senhor! Não meus amigos, o nosso Deus não é pego de surpresa, seus planos não são frustrados, mas tudo o que determinou será cumprido. Até a Queda está em seu controle e o glorificará, pois em meio a Queda surgirá a Redenção. Sim em meio a toda esta tragédia Ele diz: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15). Este é o Senhor, a Ele a Glória!
Continua...

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