Unidos na morte e na vida de Cristo - Fabiano Rocha*.

A união do crente com Cristo é um tema central no plano da redenção, sendo um dos aspectos importantes da aplicação da salvação à vida do crente. Todo o processo de salvação tem sua origem no Filho de Deus. Isso pode ser claramente visto nas expressões que encontramos comumente na Escritura: “em Cristo”. Ele é a fonte da salvação na eleição eterna, da qual decorrem as bênçãos para o povo de Deus. Jamais devemos argumentar acerca da salvação realizada definitivamente por Cristo desconsiderando a nossa união com Ele. Por isso, pela abrangência dessa verdade central do evangelho, é impossível que alguém que tenha se unido a Cristo de forma efetiva não apresente como fruto dessa união uma nova postura moral. Essa união possibilita ao cristão desfrutar de todos os méritos da graça de Deus. Proporciona ao homem a capacidade espiritual de não ser mais dominado pelas paixões da velha natureza. Nessa relação, os crentes se tornam um com Cristo, no sentido de que a morte dele foi a nossa morte e a vida ressurreta de Cristo é a nossa vida. Portanto a vida que decorre dessa condição nova é também uma vida completamente nova, não como uma mera extensão da anterior, mas uma vida que em todos os sentidos deve representar um rompimento da primeira. Outrora éramos escravos do pecado e estávamos unidos a Adão, como o representante de toda a raça. Agora, muitos dos que pecaram em Adão são transformados, em Cristo Jesus. Onde abundou o pecado superabundou a graça de Deus. Os crentes estão dentro de uma vida onde Cristo é o Cabeça. Logo, suas atitudes, escolhas e estilo de vida devem ser uma expressão visível daquilo que agora somos no segundo Adão.

Nós jamais devemos nos apropriar das verdades cristãs para darmos ocasião à carne. Jamais podemos entender que a abundância da graça tem o propósito de produzir mais pecados ao invés de nos levar a uma nova vida. Jamais devemos negociar ou tripudiar da misericórdia divina. O homem que está em Cristo é chamado a viver à altura da posição que agora está. Isso porque ele morreu para um tipo de vida e nasceu para outro. Um tipo de vida diferente que não é mais a dominada pelo pecado, pela transgressão. A vida do crente foi totalmente mudada, transformada. Isso é mais do que uma postura ética, é o fruto da própria união mística do crente com Cristo. Quando um homem é chamado por Deus, ele é chamado a estar no Filho de Deus em todos os sentidos. Essa pessoa é chamada a estar nessa união no sentido mais profundo do termo. A morte de Cristo como o pagamento do pecado passa a ser daquele que por foi representado por Cristo. A escolha de Deus em moer Cristo, de colocá-lo como maldito em nosso lugar, de exigir o pagamento do pecado nele, foi também o plano de Deus para nos unir nessa morte.

Judicialmente, aquela morte foi considerada nossa e como consequência dessa união somos convocados por Deus diariamente a andar como mortos para aquela vida anterior, que foi sepultada juntamente com Cristo. A morte com Cristo se reveste de exigência prática. Ou seja, devemos crucificar diariamente a velha natureza e suas inclinações pecaminosas. É uma nova vida em todos os sentidos, pois o cristão desfruta não só da morte mas também da vida de Cristo. Nós ressuscitamos juntamente com Ele. Paulo expressa uma grande verdade em Rm 6:11 : “devemos considerar-nos mortos para o pecado mas vivos para Deus”. Nossa postura deve apresentar toda essa realidade. O cristão não deve fazer de conta que está morto ou fazer de conta que está vivo. A salvação não nos coloca em posição neutra, meio morto ou meio vivo. Aqueles que morreram com Cristo também estão vivos com Ele. O caminho do velho homem foi interrompido com a morte e a estrada que agora trilhamos é o caminho do novo homem, da nova vida. É a peregrinação dos vivos para Deus. Precisamos considerar essas verdades diariamente.

*Pastor da Primeira Igreja Batista Reformada em Taguatinga. 

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Leitura recomendada: 


A Tentação - A Mortificação do Pecado


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