Quarta exposição sobre o Juízo Final - O julgamento divino sobre religiosos - Salmo 50 - Parte I.

Para ler a terceira exposição clique aqui. 

Fala o Poderoso, o SENHOR Deus, e chama a terra desde o Levante até ao Poente. Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus. Vem o nosso Deus e não guarda silêncio; perante ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta. Intima os céus lá em cima e a terra, para julgar o seu povo. Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios. Os céus anunciam a sua justiça, porque é o próprio Deus que julga. Escuta, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu testemunharei contra ti. Eu sou Deus, o teu Deus. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, nem pelos teus holocaustos continuamente perante mim. De tua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos? Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo; invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe. Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista. Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre. O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus.” Sl 50.

I – INTRODUÇÃO:

Prosseguindo nossas exposições sobre o Juízo Final desejo tratar de mais um belo salmo. Devo logo no início destacar que o Sl 50 possui uma diferença muito importante com relação ao Sl 2. Este último tratava da loucura dos homens que flagrantemente lutam contra Deus e contra Cristo. Mas o presente salmo se dirige a pessoas que manifestam religiosidade, isto é, a pessoas que não se voltam claramente contra Deus, mas ao contrario, se veem como tementes a Ele. Este grupo está sujeito a um problema que os mundanos e ímpios não possuem. Os que desprezam a Deus abertamente não tentam se enganar fazendo-se de piedosos. Mas os religiosos estão sujeitos a este risco. O Sl 2 evidentemente pode ser aplicado a religiosos hipócritas, mas este não é o assunto essencial do texto, mas a revolta aberta dos ímpios contra Deus. Porém o assunto do Sl 50 é voltado basicamente para o problema da religião formalista ou/e hipócrita. Estes precisamente são os dois assuntos do texto: O formalismo e a hipocrisia.   Lembro também que este salmo não é em si sobre o Juízo Final, pois aqui há chance de arrependimento, o que não haverá no Naquele Dia. Mas é importante para o assunto, visto que trata da avaliação que Deus faz dos religiosos. Assim que nos deixemos avaliar agora enquanto há tempo, pois no Grande Julgamento será ocasião apenas para a decretação do veredicto.

II – O JUIZ É DEUS (1- 6).

Este julgamento é tão solene devido ao Juiz. Ora, um juiz desta terra não passa de um mero ser humano, pecador e finito em sua avaliação. Como homem é tão pecador em sua natureza quanto o réu e seu conhecimento não pode abranger toda a realidade. Mas o nosso Juiz Eterno é o Deus Poderoso, Aquele que É. Ele controla toda a criação chamando o céu e a terra como testemunhas do julgamento. Ele não fica calado, mas fala apontando todo o pecado. Seu juízo é segundo a Luz, Ele resplandece, isto é, nada fica encoberto, mas tudo é revelado.   E trata-se de verdadeira justiça, pois é Ele, o Deus Verdadeiro, o Padrão da Justiça quem julga.

Meus leitores percebam que diante destas verdades não podemos nos conformar ou nos iludir com qualquer espécie de falsidade religiosa, visto que não estamos sendo avaliados por outros homens, mas pelo próprio Deus. Amigos, podemos enganar a nós mesmo com muita facilidade criando uma religião agradável aos nossos pensamentos. Quanto aos outros ainda é mais fácil enganar simulando piedade por meio de cerimônias e confissões desprovidas de sinceridade. Mas isso funcionará com Deus? Isso iludirá Aquele que é Luz? Nossas falsificações perverterão a Justiça Divina? Enganaremos Aquele que tudo sabe? Nossas mentiras vencerão o Poderoso Deus? Acaso sua Palavra não possui poder de penetrar até nosso coração mostrando tudo que lá existe? Nossa falsidade conseguirá esconder-se ante seus olhos que tudo veem? Poderemos enganar Aquele que É? Enfim, nossa mentirá vencerá sua Verdade? A todas estas perguntas só podemos bradar com um forte não. Deus julga de fato. Deus é Quem nos julga. Dessa forma a única coisa a fazer é deixar-se avaliar por Ele agora enquanto a porta do arrependimento e da fé esta aberta. Se continuarmos na ilusão o Juízo Final nos desiludirá, mas será então tarde demais. Assim, a grande questão a você que pensa ser religioso é: Você de fato teme a Deus? Você que diz ter “aceitado a Jesus” responda: Você é mesmo crente? Está arrependido de fato? Ama mesmo a Deus e odeia o pecado? Que Deus o ilumine por sua Palavra neste estudo.

III – DEUS JULGA OS FORMALISTAS (7-15).

Nesta seção Deus avalia os que com Ele fizeram aliança, o seu Povo, apontando o erro do formalismo. O formalismo é um perigo constante para todos os que se propõem a adorar a Deus. Trata-se de apegar-se a forma externa esquecendo-se da gratidão no coração. Basicamente o culto a Deus envolve o objeto que é Deus, a atitude que é a disposição interna, e a forma que é a expressão externa da adoração. Neste salmo parece que Deus não os critica pela forma que se manifesta nos sacrifícios. A crítica vai para a atitude errada. Eles faziam todos os sacrifícios de forma correta, mas a atitude era mecânica, ou seja, não havia amor e gratidão. Deus mostra o absurdo desta espécie de adoração que acaba tratando-o como alguém que busca se alimentar de animais. Com isso Ele quer mostrar que a essência do culto não são os sacrifícios em si, mas a atitude com que são feitos. O verdadeiro culto é ser grato a Deus: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graças”. O Senhor explica melhor o espírito da coisa com as seguintes sentenças: “invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” (15).

Amigos, a luz do próprio salmo e de toda a Escritura acredito que podemos analisar este verso com relação a maior de todas as angustias que temos: O pecado. Há angustia maior? Eis que um dia iluminados pela Palavra de Deus vimos nosso pecado e sentimos o seu peso angustioso. Vimos também a Cristo, O Redentor, e invocamos a Deus em Seu Nome. Então o Senhor graciosamente nos ouviu e nos salvou Nele, em Cristo.  Assim, cheios de gratidão ante a graça recebida nós o glorificamos, o honramos. Amados a vida cristã não é fria, não é mecânica. Não devemos cultuar por mero costume, mas com o coração ardente. Oh, o que aquece nosso coração? O que nos leva a adorá-lo com vigor? Resposta: Seu amor, sua graça, manifestos na Cruz de Cristo. É assim que aquecemos nosso coração e vencemos o formalismo. É isso que Deus requer no culto e não meros sacrifícios, não meras formas mecânicas. Amigo como é o seu culto? Você pode se lembrar da salvação em Cristo e glorificar a Deus? Você o ama e é grato pelo o que lhe fez em Cristo? Pode aquecer seu coração com esta lembrança quando está tendente a meras formas? Você deseja por amor obedecer a Deus em cada momento de sua vida? Você ama a Cristo que lhe salvou e quer honrá-lo sempre? Se a resposta é sim, trata-se de um ótimo sinal de graça. Mas se sua religião não passa de formas, então ainda nem convertido você é. Eis uma avaliação difícil, mas salutar. Avalie-se meu amigo em oração. Ouça: Quando um homem não ama a Deus é que ainda ama outras coisas e luta por elas. Mas quando o ama tudo é desprezível ante o Glorioso Senhor.  Veja o caso do endemoninhado liberto por Cristo em Gerasa:

Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo. Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras. Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou, exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem! E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país. Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos. E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram. Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o povo para ver o que sucedera. Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.” Mc 5:1-20.

Você percebe a diferença? Aquele que foi salvo ama a Cristo e quer estar com Ele. Mas, os que não foram salvos preferirem os porcos. A quem você ama? Você quer Cristo ou os porcos? Você ama a Deus e é grato por ter sido realmente salvo? Seu culto pode expressar esta gratidão e amor ou não passa de formalismo?

Continua...

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Leitura recomendada para o aprofundamento no assunto:

As Raízes de Uma Fé Autêntica

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