A Soberania de Deus - Manoel Coelho Jr.

Este texto é parte de um livro que está sendo escrito sobre os evangélicos modernos. Leia online o que já foi publicado do livro clicando aqui.   

Tratemos agora da questão da Soberania de Divina. Eis um assunto completamente abandonado pelos evangélicos modernos. Leia comigo o seguinte texto:

Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão. Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro; dar-te-ei os tesouros escondidos e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. Por amor do meu servo Jacó e de Israel, meu escolhido, eu te chamei pelo teu nome e te pus o sobrenome, ainda que não me conheces. Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces. Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.”. (Is 45:1-7).

Observemos algumas afirmações deste texto:


A – Ciro, um grande conquistador, está completamente nas mãos de Deus para ser usado em benefício de Israel.

B – Ciro, um gentio, não conhece a Deus e nem sabe que está cumprindo o propósito divino em prol de Israel. No entanto isto não impede que Deus o use, ao contrário, fica evidente que Ciro está completamente no domínio de Deus como seu instrumento.


C – Deus diz que por estes fatos Ciro saberá que só o Senhor é Deus, Aquele Único Deus que tudo faz e controla.

Leiamos um segundo texto no capítulo seguinte:

Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei. A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo? Os que gastam o ouro da bolsa e pesam a prata nas balanças assalariam o ourives para que faça um deus e diante deste se prostram e se inclinam. Sobre os ombros o tomam, levam-no e o põem no seu lugar, e aí ele fica; do seu lugar não se move; recorrem a ele, mas nenhuma resposta ele dá e a ninguém livra da sua tribulação. Lembrai-vos disto e tende ânimo; tomai-o a sério, ó prevaricadores. Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.” (Is 46:9,10).

Observemos as afirmações deste texto:

A – O Senhor se apresenta a Israel como o que o salva.

B – Chama a Israel para que compare o Senhor aos seus deuses fabricados.

C – Deus mostra que os deuses fabricados não se movem e a ninguém ouvem e salvam, mas o Senhor antes que as coisas aconteçam as anuncia. Estas mesmas coisas de fato acontecem porque Ele as domina absolutamente e opera para que sua Vontade Soberana seja feita sobre elas.

D – Deus afirma que toda a sua vontade será realizada.

Por estes textos concluímos que toda a vontade de Deus se cumpre e consequentemente, que Ele possui o controle sobre todas as coisas sem exceção. Também fica evidente que ninguém mais possui este poder, mas apenas Ele, o Único Deus. À esta característica divina chamamos de Soberania. Deus “é infinitamente elevado acima da mais elevada criatura, Ele é o Altíssimo, o Senhor dos céus e da terra. Não sujeito a ninguém, não influenciado por nada, absolutamente independente; Deus age como lhe apraz, somente, sempre como lhe apraz como lhe apraz. Ninguém consegue frustrá-lo nem impedi-lo.” (Pink, Os Atributos de Deus, página 45).

Agora para nosso melhor entendimento olhemos para exemplos importantes nas Escrituras da soberania de Deus.

A – Deus é soberano na criação:

Leiamos o seguinte texto:

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.” (Ap 4:11).

Já examinamos este texto no tópico anterior sobre a Centralidade de Deus. Mas neste momento desejo chamar a atenção para a segunda parte do verso. Fica claro que toda a criação existe porque Deus assim o quis. Eu, você, todos os seres vivos e inanimados, e também o Reino Espiritual só existe porque Deus determinou. A criação é fruto da Soberana Vontade de Deus, e não do acaso. Também fica evidente na Bíblia que houve “tempo” em que havia apenas Deus. Então Ele decidiu livremente criar tudo como nos mostra Gn 1 e 2. Neste ponto devemos refletir na realidade de que a minha e a sua existência estão na vontade soberana de Deus. Você meu leitor existe porque Deus o quis. Peço que para um pouco e pense sobre isso. Você não é fruto do acaso, mas da Vontade Soberana de Deus.

Leiamos o seguinte texto:

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. (Rm 11:36).

Também já fizemos uma breve análise deste texto no ponto sobre a Centralidade de Deus. Por agora desejo destacar a afirmação “por meio Dele”. Com estas palavras o apostolo Paulo está nos dizendo que Deus não apenas criou tudo, o que mostra ao dizer “porque Dele”, mas também mantém todas as coisas. Este é um pensamento sumamente maravilhoso. A Bíblia não apresenta a Deus como um Criador ausente, como por exemplo o Deísmo o faz, mas como o Criador que cuida de sua criação, que mantém todo o processo para que o que foi criado se mantenha. Na Escritura Deus é apresentado como Aquele que sustenta a tudo de forma soberana. Nada independe dEle, ou mantêm-se sem o seu cuidado. Olhemos outro texto muito belo e importante para a questão. Trata-se do Salmo 104. Peço que o leia por completo. Mas desejo apenas destacar alguns versos. Vejamos:

A – O Senhor soberanamente concede águas aos animais:

Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes; dão de beber a todos os animais do campo; os jumentos selvagens matam a sua sede.”. (Versos 10 e 11).

B – O Senhor soberanamente mantém a terra:

Do alto de tua morada, regas os montes; a terra farta-se do fruto de tuas obras.” (Verso 13).

C – O Senhor soberanamente mantém os animais, plantas e o homem:

Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão, o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças.” (Versos 14 e 15).

D – O Senhor soberanamente providencia casa para os animais:

“Avigoram-se as árvores do SENHOR e os cedros do Líbano que ele plantou, em que as aves fazem seus ninhos; quanto à cegonha, a sua casa é nos ciprestes. Os altos montes são das cabras montesinhas, e as rochas, o refúgio dos arganazes.”. (Verso 16 ao 18).

Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento;”. (Verso 21).

E - O Senhor soberanamente controla o Sol e a Lua e por eles beneficia os homens e os animais:

Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso. Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva. Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento; em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis. Sai o homem para o seu trabalho e para o seu encargo até à tarde.”. (Verso 19 ao 23).

F - O Senhor soberanamente sustenta a todas as criaturas do mar:

Eis o mar vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes. Por ele transitam os navios e o monstro marinho que formaste para nele folgar.”. (Verso 25 ao 30).

G – O Senhor é Soberano sobre a vida de todos os seres vivos:

Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra.”. (Verso 27 ao 30).

Creio que ficou provado que Deus é Soberano na manutenção da criação. É como Paulo diz: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.”. (At 17:28). Assim toda a criação é absolutamente dependente de Deus para sua manutenção. Deus soberanamente a sustenta.

C – Deus é Soberano até sobre as coisas mais insignificantes:

A Bíblia mostra que o controle de Deus é tão absoluto que até as coisas mais insignificantes estão em seu completo domínio. Os pequeninos pardais, que tinham na época de Cristo um valor monetário insignificante, morrem apenas quando Deus determina, e ele mantém a conta até de nossos cabelos. Vejam o que Jesus disse:

Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais.”. (Mt 10:28-31).

A conclusão que Jesus quer nos mostrar é que se Deus cuida soberanamente de um pequeno pardal também cuidará de nós. Fica assim estabelecido nas Escrituras que a soberania de Deus vai as mínimas coisas como “pardais” e “fios de cabelo”. Nada está fora de seu controle. O mover de uma pequena folha, ou de uma mínima partícula de matéria está em seu soberano domínio.

D – Deus é Soberano sobre as coisas importantes:

Deus está no controle de todas as coisas de grande importância. Ele controla as autoridades em suas decisões que influenciaram milhares ou até milhões, ou mesmo bilhões de pessoas. Veja:

Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina.”. (Pv 21:1).

A figura deste verso é a daquele que direciona as águas em direção a sua plantação para regá-la. Da mesma forma Deus direciona o coração dos Reis para que cumpram sua vontade. Aliás, já vimos isso no caso de Ciro.

Deus também controla as grandes forças da criação como nos mostra o caso em que Ele fez o Sol e Lua parar atendendo a Josué. Veja: “Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom. E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro. Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o SENHOR, assim, atendido à voz de um homem; porque o SENHOR pelejava por Israel.”. (Js 10:12-14).

Também isso se vê no caso do dilúvio que destruiu a humanidade da época com exceção de Noé e família, quando então soberanamente o Senhor controlou as águas e o vento. Veja:

No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.Nesse mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos;” (Gn 7:11-13).

Lembrou-se Deus de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as águas. Fecharam-se as fontes do abismo e também as comportas dos céus, e a copiosa chuva dos céus se deteve. As águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra e minguaram ao cabo de cento e cinqüenta dias”. (Gn 8 :1-3).

De fato o Senhor controla os grandes poderes, controla coisas e pessoas de grande importância.

E – Deus é Soberano sobre toda pecaminosidade:

Chamarei de pecaminosidade todas as forças hostis a Deus visto que o pecado é basicamente rebeldia ao Senhor. Amigos, neste ponto é importante afirmarmos que Deus não é a fonte do pecado no sentido de Ele ter em seu ser alguma raiz pecaminosa de onde se origina o pecado que se encontra nas criaturas caídas. A Bíblia claramente mostra que Deus em seu ser e atributos é completamente Santo, Perfeito e Justo. Portanto, o pecado não se encontra em Deus de nenhuma maneira, mas no coração corrupto dos que caíram. Tiago nos diz assim: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.”. (Tg 1:13-15). Dessa forma entendemos que a procedência do pecado, ou a raiz do pecado não está em Deus, que é Santo e Perfeito, mas no coração corrupto dos homens e anjos caídos. Todavia isso não significa que a pecaminosidade seja um poder autônomo, ou fora do controle e soberania de Deus. A Bíblia não ensina um tipo de dualismo, “Deus e a pecaminosidade”, no sentido de duas forças opostas com mais ou menos o mesmo poder, e que lutam pelo controle das coisas. Não, este não é o ensino bíblico. A Bíblia apresenta a Deus como absolutamente Soberano inclusive sobre seus inimigos, de forma que mesmo os tais inimigos acabam por cumprir o seu Propósito Sábio. Paulo afirma que Deus tem o controle sobre a tentação quando diz: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”. (I Co 10:13). Observem que Paulo diz que Deus não permitirá que sejais tentados além das forças, o que implica o controle de Deus sobre toda a tentação. E Nosso Senhor nos ensinou a pedirmos: “e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!”. ( Mt 6:13). Tudo isso nos mostra que Deus tem o controle sobre estes poderes opostos.

Temos ainda o grande exemplo de Faraó de Êxodo, homem totalmente rebelde a Deus, inimigo de seu povo, e que dizia claramente que não o conhecia (Ex 5:3). Porém O Senhor diz de forma inquestionável que Ele mesmo endurecia seu coração. Veja:

Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.”. (Ex 4:21).

Todavia, o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito.”. (Ex 7:13).

“Então, Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou. Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. Eles assim o fizeram.”. (Ex 14:3,4).

E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco. Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos; e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos.”. (Ex 14:16-18).

Observemos que Deus endurece o coração dos homens entregando-lhes a sua própria maldade como Paulo nos ensina em Rm 1:18-32, e tudo dentro da mais perfeita justiça pois é o que estes homens querem e Deus os entrega a este querer mau e perverso. E tudo acaba por glorificar ao próprio Deus. Mas o meu ponto é: Fica evidente que Deus é Soberano até sobre os corações duros dos homens ímpios e faz com que cumpram seu propósito como No caso de Êxodo.

Outro exemplo de que Deus controla toda a pecaminosidade, ou seja, controla todos os rebeldes está na tentação de Nosso Senhor. Veja:

A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.”. (Mt 4:1).

Dentro do propósito de Deus ao Filho Encarnado estava o ser tentado e vencer o maligno. Observamos que o Espírito Santo conduziu Cristo a esta tentação, a este encontro com o diabo. Fica claro que o diabo não é autônomo, mas também acaba por cumprir o Decreto do Deus Soberano mesmo quando (aliás, é só isso que ele faz) pretende fazer o mal. O que o diabo queria era derrotar a Cristo, mas Deus controlava tudo de forma a que seu Soberano Propósito se cumprisse em relação ao Senhor Jesus. Este fato fica também manifesto no livro de Jó. Observamos que o diabo nada fez a Jó que não estivesse no desígnio de Deus (Jó 2:6,7). Portanto, o diabo não é independente do Altíssimo, mas apesar de sempre intentar a destruição, o Deus Soberano controla todas as suas ações de forma a cumprirem o Santo, Sábio e Glorioso Decreto do Deus Trino.

Mas ainda dou um último exemplo bíblico que comprova que Deus é Soberano sobre toda a pecaminosidade. Creio que este é o supremo exemplo, pois refere-se a crucificação de Nosso Senhor, sem a qual os eleitos não seriam salvos. Vejam o que nos diz o livro de Atos:

Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus, porque ele era contado entre nós e teve parte neste ministério. (Ora, este homem adquiriu um campo com o preço da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram; e isto chegou ao conhecimento de todos os habitantes de Jerusalém, de maneira que em sua própria língua esse campo era chamado Aceldama, isto é, Campo de Sangue.) Porque está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua morada; e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu encargo.”. (At 1:16-20).

Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;”. (At 2:22,23).

Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram;”. (At 4:24-28).

Nestes textos vemos que Judas, os judeus incrédulos, os romanos iníquos, Herodes e Pôncio Pilatos, todos cometeram o terrível pecado de crucificar o Filho de Deus. No entanto também fica claro que tudo isto estava no soberano e irrevogável desígnio do Altíssimo. De fato Deus controla soberanamente todos os rebeldes, toda a pecaminosidade. Porém, não esqueçamos que a pecaminosidade não têm sua raiz em Deus, mas sim no coração corrupto das criaturas caídas, e o Senhor sempre conduz tudo, até o pecado, para o cumprimento de seu Decreto que é Sábio, Justo e Bom e que finalmente resulta em sua Glória e no Bem Eterno de seus Eleitos. Amém!

F – Deus é soberano sobre cada fato da história e sobre o maior deles, isto é, a Encarnação do Filho para a Redenção dos eleitos:

Já vimos em Is 46:9,10 que Deus controla os eventos soberanamente para que toda a sua vontade seja realizada. Assim fica provado que Ele é Soberano sobre todos os acontecimentos da história humana. Dessa forma Ele também determinou o tempo exato do maior de todos os acontecimentos, ou seja, a Encarnação do Filho para realizar a Redenção dos Eleitos. Veja:

Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”. (Gl 4:1-5).

O Senhor Jesus não nasceu em um tempo qualquer, mas no momento exato em que Deus Soberanamente planejou. Trata-se da “plenitude do tempo”.

G – Deus é Soberano na salvação de seu povo:

Todos os homens merecem a condenação eterna, pois todos têm rejeitado a Palavra de Deus seja na criação, seja na consciência, ou na Escritura (Rm 1,2). Assim todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3:23). Dessa forma não existe nada em nenhum homem ou mulher que possa impulsionar a Deus para que os salve. Todos são pecadores perdidos e a única esperança que possuem é a livre misericórdia de Deus (Rm 11:30-32). Desejo então deixar bem claro que Deus não tem obrigação alguma de nos salvar, pois só merecemos o inferno. Quando Deus não salva alguém, mas entrega-o a condenação, tão somente lhe dá o que merece, tão somente entrega tal pessoa ao que ela mesma ama, ou seja, o pecado mortal. Mas quando Deus Salva a alguém não é porque mereça ser salvo, mas porque Ele, o Senhor, soberanamente quer ser misericordioso com esta pessoa. Assim temos o fato de que os salvos são libertos unicamente pela livre graça de Deus, ou seja, sem mérito. Trata-se do favor imerecido de Deus. Portanto, é Deus, e não o homem, quem Soberanamente predestina e elege os que Ele quer salvar. Paulo nos diz: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.”. (Rm 8:30). Portanto, é Deus quem predestina e chama internamente aqueles que serão salvos. São os que Ele quer salvar. Os demais são deixados para seguirem suas próprias vontades corruptas até que finalmente sejam condenados de forma totalmente justa (Rm 1:24, Ap 21:8).

Todos os homens possuem um coração corrupto e mau. Por isso aos que Deus predestinou é concedido, pelo próprio Senhor, um novo coração que ama a Deus e a sua Palavra. Veja:

Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.”. (Ez 36:24-27).

Nenhum homem pode fazer isso, mas apenas o Deus Soberano, pois os homens estão mortos e precisam ser vivificados (Ef 2:1-10). Trata-se da regeneração, ou o Novo Nascimento, conforme o Senhor Jesus ensinou a Nicodemos em Jo 3, que é uma obra do Espírito Santo que trabalha como o vento, ou seja, por uma vontade que nenhum homem pode controlar (Jo 3:8). Por esta regeneração Deus concede fé em Cristo e arrependimento. Ambos são dádivas, dons, que Deus concede apenas aos que Soberanamente elegeu (Ef 2:8; At 13:48, At 5:31; At 11:18). E após crerem os mesmos passam a viver uma vida de santidade, passam a viver nas boas obras que o Deus Soberano preparo de antemão para que nelas andassem (Ef 2:10). E destes nenhum se perderá, mas todos serão glorificados (Rm 8:30), pois Fiel é o Deus Soberano que os chamou, o Único Deus que jamais mudará seu propósito de salvá-los (I Ts 5:23,24). Diante de tanta graça do Deus Soberano só podemos dizer com Paulo: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. (Rm 11:33-36).

Agora passemos ao segundo ponto deste assunto da Soberania de Deus. A questão é: O que o homem descobre a respeito de si próprio ao conhecer a Soberania de Deus? Vamos olhar para cada aspecto do assunto que acabamos de tratar e descobrir o que se revela a respeito dos seres humanos pecadores em relação a cada um deles.

A – o homem descobre seu ateísmo e/ou paganismo ante a verdade da soberania de Deus na criação.

Dentre a humanidade apenas uma minoria admite o ateísmo, ou seja, poucos afirmam que não existe Deus, o Criador de tudo. No entanto, existe um tipo de ateísmo que é extremamente mais perigoso devido a sua sutileza. Muitos admitem a existência de Deus, mas suas vidas o negam. Este ateísmo é percebido à medida que o homem descobre a soberania de Deus na criação. Ele passa a compreender que só existe porque Deus assim o quis (Ap 4:11), mas percebe que tem vivido como se sua vida fosse fruto do acaso ou até de si mesmo. Permita que eu me explique: Já vimos que Deus nos criou para sua glória e sendo assim devemos viver honrando-o e amando-o acima de tudo. Porém os homens pecadores não vivem para a glória de Deus, mas como se Ele nem mesmo existisse. De fato Deus nem entra em consideração em seus pensamentos como Suprema Realidade. Darei um exemplo bíblico para melhor compreensão. Leiamos o seguinte texto:

Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho. A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael, a Metusael, e Metusael, a Lameque. Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.”. (Gn 4:16-24).

Aqui temos um exemplo típico que demonstra o estilo de vida dos ímpios. Trata-se dos descendentes de Caim, o primeiro assassino da humanidade. Caim era um homem totalmente afastado de Deus e gerou dessedentes no mesmo estilo. Estas pessoas mostram capacidades que evidentemente lhes foram dadas pelo Senhor. Vejamos: Jabal cuidava de gado, Jubal tocava flauta e harpa, e Tubalcaim era artífice de instrumentos cortantes. No entanto nenhum destes homens demonstrava algum temor a Deus, nenhum trata a Deus como Realidade, nenhum o honra com e por aqueles talentos. Todos eles vivem apenas para as coisas desta vida. Tratam de seus negócios, fazem sua música ou produzem seus instrumentos como se a vida se resumisse apenas a estas coisas, como se não tivessem sido criados por Deus, como se o próprio Deus não lhes tivesse concedido aqueles dons. Isto é o que podemos chamar de ateísmo prático. Tal ateísmo é típico da vida dos pecadores. Poucas pessoas afirmam que Deus não existe, mas todos os não convertidos vivem como se assim afirmassem, pois não tratam a Deus como o real Criador de suas vidas. Na verdade com suas vidas eles estão dizendo que Deus não existe, visto que não o levam em conta. Este é o ateísmo prático.

Ora, o homem que descobre a Soberania de Deus na criação também descobre que não passa de um ateu na prática de sua vida, pois apesar de Deus o ter criado ele não vive para a glória deste Deus. É como se Deus não existisse. Ele se levanta pela manhã, toma seu café, vai trabalhar, depois volta à noite para dormir. No outro dia tudo se repete. Este homem casa, compra, diverte-se, viaja, dorme, anda, pensa, conversa, faz planos, usufrui de seus talentos, mas nada disso tem sido para a glória do Deus que o criou. Como eu falei no início, é como se ele tivesse criado a si próprio, ou como se tivesse surgido do puro acaso. O homem descobre, então, que apesar de dizer que existe um Deus Criador, para ele Deus não tem sido uma realidade, pois se fosse honraria ao Senhor. Assim ele diz: “Eu não tenho vivido de forma a provar que creio em Deus que me criou... eu tenho sido um ateu prático”. Esta verdade terrível sobre si mesmo o homem percebe quando entende que Deus é seu Criador Soberano.

Outra coisa que este homem descobre sobre si mesmo é que não passa de um pagão, ou seja, quando diz que crê em “Deus” na verdade crê em um “deus” ou em “deuses”. Descobre que não passa de um idólatra. Explicando melhor, quando diz que crê em “Deus” de fato crê, não no Deus Soberano e Criador revelado na Bíblia, mas em um “deus” ou “deuses” segundo seu próprio pensamento ou segundo o pensamento de outros homens. Vejamos um exemplo bíblico:

Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios.”. (At 14:8-18).

Observemos que Deus operou este grande milagre pelo ministério de Paulo. No entanto, aqueles homens, pagãos que eram, atribuíram o milagre a seus deuses imaginários considerando a identidade dos mesmos a Paulo e Barnabé. Observemos também que Paulo e Barnabé não permitem aquele absurdo, mas os exorta a conversão ao Deus Criador e mantenedor. Essa é a característica dos pagãos, eles atribuem a seus deuses falsos as dádivas que vêm do Deus Criador. Ora, o homem que entende que Deus é seu Criador Soberano, vê também que tem sido um pagão, um idólatra, pois tem atribuído sua criação e manutenção a um “deus” ou “deuses” imaginários. Este homem descobre que é um pagão mesmo que diga que crê em “Deus”, visto que o “deus” que crê não é o Deus revelado na Bíblia, mas um “deus” que é conforme suas ideias, um “deus” conforme o júpiter ou o mercúrio dos moradores de Listra. Este homem descobre que têm rejeitado a revelação do Deus verdadeiro como os moradores de Listra também rejeitaram. Ele diz: “Sou um pagão...Sou um idólatra”. Esta é a dura realidade que ele descobre sobre si mesmo.

B – O homem descobre-se um tolo, pois ante a verdade de Deus como o provedor da criação percebe que tem crido em sua autossuficiência.

Temos visto que Deus é quem mantém a criação soberanamente (Sl 104:27, Rm 11:36). A luz deste fato o homem vê que não passa de um grande tolo, pois têm vivido como se seu sustento viesse de seu esforço, como se fosse autossuficiente. Ele agora vê que todo o seu pensamento é ímpio, pois em seu íntimo tem dito em autoconfiança “Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá” (Sl 10:6), e “Deus não se importa” (Sl 10:13). Este homem vê que tem crido em sua própria força, mas agora vê que isto é loucura, pois depende totalmente de Deus. Agora ele confessa: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado. Tu, SENHOR, por teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado.” (Sl 30:6,7). Agora ele enxerga a sua loucura e diz: “Que tolice a minha achar que me mantenho, crer em minha autossuficiência, pois agora entendo que do Senhor vem minha vida e sua preservação... Que tolo tenho sido”.

C – O homem descobre que nem sobre o mínimo possui o controle. Percebe que é totalmente dependente de Deus.

Temos visto que Deus soberanamente controla coisas tão mínimas como pardais e fios de cabelo (Mt 10:28-31). Antes de descobrir este fato o homem possui a ilusão de que pelo menos pode controlar o próprio dedo, ou uma moeda, ou uma pena, ou qualquer outra coisa mínima. Mas agora ele descobre que nem estas pequenas coisas ele pode dirigir fora da vontade de Deus. Oh agora este homem se vê como absolutamente dependente de Deus. Como agora ele percebe que necessita da bondade do Deus soberano, pois nesta hora ele entende que Deus controla se vai ter ou não uma simples passagem de ônibus para ir a algum lugar da cidade, se poderá ou não dar um pequeno passo, se poderá ou não ter um insignificante pensamento. Oh como agora ele está humilhado ante o Deus Soberano.

D – O homem descobre sua tolice em confiar nos “grandes poderes” ante a verdade do Soberano controle de Deus sobre estas grandes forças.

Temos visto que Deus controla os reis e as grandes forças da natureza (Pv 21:1; Gn 8 :1-3). Mas os homens em sua loucura pecaminosa têm crido mais no poder efêmero dos políticos e dos ricos, ou seja, confiam nos poderosos da terra. Além disso, os homens têm confiado nas forças da natureza. Os antigos, como muitos ainda hoje, chegaram a adorar estas grandes forças como se fossem deuses (Rm 1:18-25). No entanto hoje vemos um outro tipo de confiança nestes grandes poderes da natureza. Refiro-me ao conceito que separa Deus da natureza como se esta fosse independente Dele em termos de criação e manutenção. Todos estes fatos mostram que os homens têm confiado nas “grandes forças” sejam naturais ou políticas. De alguma forma todos os homens têm caído neste erro. Mas o homem que descobre a Soberania de Deus sobre todas as grandes forças percebe também como têm sido louco ao confiar nas mesmas forças como se fossem maiores ou independentes do próprio Senhor. Agora ele entende a palavra do salmista que afirma: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.”. (Sl 146:3,4). Agora ele diz: “Como tenho sido louco ao confiar nos poderosos como se fossem independentes de Deus”.

E – Ao descobrir a Soberania de Deus sobre a pecaminosidade o homem descobre que está em terrível perigo, pois em seu pecado tem estado contra Deus e do lado de seus inimigos.
Temos visto que Deus é Soberano até sobre as forças hostis, ou seja, Deus controla até seus inimigos (At 2:22, 23, At 4:24). Ao descobrir este fato o homem vê que em seu pecado está exatamente do lado dos inimigos de Deus. Ele vê que ao se rebelar contra Deus está do lado daqueles que querem derrubá-lo. Veja o que diz a Escritura:

“Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.”. (Sl 2).

O homem descobre que está entre os inimigos de Deus do Sl 2. Ele então percebe que tudo isso é vão, é estupidez, é completa loucura, pois Deus em sua Soberania possui o controle total sobre seus inimigos e em breve irá destruí-los. Oh agora este homem diz: “O que eu estou fazendo?...Que loucura é essa em que eu tenho praticado?... Oh o que eu estou fazendo?... Oh, eu tenho estado entre os inimigos de Deus...Eu tenho em vão me rebelado contra Aquele que é Soberano até sobre os seus inimigos... Como eu estou em maus lençóis.. Que Deus tenha misericórdia de mim”. Como neste momento o homem está humilhado ante o horror desta constatação.

F – O homem descobre a loucura de seus planos autônomos ante a verdade da Soberania de Deus sobre a história.

Visto que Deus controla Soberanamente a história (Is 46:9,10; Is 45: 1-7;), o homem descobre sua tolice em fazer planos sem contar com o decreto de Deus. Na verdade os homens tem feito isso o tempo todo. Eles em sua arrogância fazem planos e os têm como certos. Sequer lembram sinceramente de Deus ao planejarem, sim, sequer reconhecem que afinal é Ele quem determina o futuro. Veja o que Tiago nos diz:

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.”. (Tg 4:13-16).

Tiago fala daqueles que possuem uma certeza infundada quanto ao futuro. A base desta certeza está neles mesmos e não em Deus. Nisto está a plena loucura, pois é Deus em sua Soberania quem determina o que vai acontecer e o homem é passageiro, ou seja, logo morrerá e também não controla sua própria existência. O homem depende totalmente de Deus. Por isso a Bíblia nos previne: “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz.” (Pv 27:10), e ainda: “Morrendo o homem perverso, morre a sua esperança, e a expectação da iniqüidade se desvanece” (Pv 11:7). Ora, a medida que se reconhece a Soberania de Deus sobre o tempo, vê-se que os homens tem sido arrogantes e presunçosos, pois loucamente têm crido que podem fazer planos independentes de Deus. O homem que entende que Deus é absolutamente Soberano também entende que têm sido tolo e que sua tolice o Iludiu. Ele agora crê e afirma: “Tudo depende de Deus...Se Deus quiser isso ou aquilo ocorrerá”.

G – Ante a realidade da Soberania de Deus sobre a salvação o homem se vê como totalmente dependente da graça de Deus.

Vimos que só Deus pode salvar, ou seja, que a salvação está em sua soberana vontade (Rm 8:30; Ez 36:24, Ef 2:1-10). À medida que o homem descobre esta realidade passa a se ver como merecedor da ira de Deus, como completamente morto, como totalmente sem esperança diante do juízo vindouro. Agora ele vê que nada pode fazer por si mesmo. Ele se vê como totalmente desamparado e dependente de Deus em sua graça. Ele agora vê sua situação real. Está morto e perdido. Somente Deus pode salvá-lo. Ele diz: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). Só Deus pode salvá-lo por isso ele clama: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” (Sl 51:10). Ele diz: “Oh Deus salva-me”. Amém!

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