O que está acontecendo em seu coração?

"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!". Rm 1:16-25.

O crescimento do pecado é conseqüência da rejeição deliberada (os homens decidem por si próprios) das verdades de Deus, pois esta rejeição provoca a ira divina e nessa ira Deus entrega homem à liberdade de seguir seu próprio coração mau. Nessa terrível liberdade ele se afunda mais e mais. O teólogo F.F. Bruce cita C.S. Lewis. Tal citação e bem apropriada para o nosso entendimento. Vejamos: “Os perdidos, diz ele, ‘gozam para sempre da horrível liberdade que sempre pediram, e portanto estão escravizados por ela”(Romanos Introdução e Comentário, página 70, F.F. Bruce).

Concluímos, assim, que a liberdade que os seres humanos possuem de seguir seu próprio coração perverso afundando-se no mal, é o resultado da justa ira de Deus. Deus entrega os homens à liberdade de seguirem os seus caminhos pecaminosos e de experimentarem as conseqüências deles. E a conseqüência é esta: o aumento e aprofundamento do pecado. Só a graça de Deus pode livrá-los disso. Dentro desta situação só existe uma coisa a fazer: Pedir que Deus tenha misericórdia de nós e dos que amamos. Ora, todos nós por decisão própria temos sido rebeldes a Deus. Ninguém nos obrigou a isso. Antes de nossa conversão todos temos fechado os olhos e tapados os ouvidos para as sua Palavra na criação, consciência e na Bíblia. Todos temos sido idólatras, pois adoramos muitas coisas em vez de adorá-lo. Temos muitas vezes colocado dinheiro, prazeres, amizades, família, religião e tantas outras coisas como nossa prioridade e Deus e sua vontade sequer passam em nossos pensamentos. Se é assim, é justo que Deus nos entregue a esta liberdade que nós mesmos tanto desejamos. É justo que em sua ira Ele nos entregue aos nossos próprios desejos e corações pecaminosos. É justo que Ele nos deixe livres para nos afundarmos no lamaçal de nosso próprio pecado até que por fim não haja mas nenhuma esperança, mas apenas a morte eterna.

Ora é justo, pois se não somos ainda convertidos, nós queremos isso, desejamos isso, queremos ser livres de Deus. Se não somos convertidos, não temos nenhum prazer em Deus e sim no mal e no pecado. É o pecado então que amamos. Temos prazer nele, nos deleitamos nele, bebemos dele, vivemos nele. Se não somos convertidos o pecado é nosso alimento. Na verdade é um terrível veneno, mas nós o vemos em nossa loucura como um alimento e por mais que esteja nos matando não queremos abandoná-lo. Se não somos convertidos, amamos este veneno e por livre vontade desejamos tomar dele mais e mais. Deus nos avisa na natureza, em nossa própria consciência, e na Bíblia Sagrada o perigo do pecado. Ele nos mostra claramente a realidade deste terrível veneno de que fazemos uso. Todavia se ainda não fomos convertidos, não queremos saber de ouvir as advertências de Deus. Não! Não! Não! Não queremos ouvi-lo! Queremos o pecado, amamos o pecado, amamos este veneno. Este veneno para nós é delicioso na boca. Por mais que em nosso estômago ele se torne amargo e esteja nos matando, ainda assim decidimos sem que ninguém nos obrigue continuar tomando dele. Estamos livremente seguindo o pecado com vontade, com prazer, com ânimo. Esta é a situação de quem ainda não foi convertido.

Pergunto: é injusto que Deus entregue o homem ao que ele quer? Lógico que não! É perfeitamente justo que Deus em sua ira entregue o homem a liberdade de seguir seu pecado e que nisso ele se afunde. Esta é a horrível liberdade da qual possivelmente C.S. Lewis fala na citação anteriormente vista. Ela é horrível, ela se torna um castigo. No entanto, é o que os homens tem buscado. Eles têm livremente rejeitado a Deus e amado viver longe dele. Deus em sua ira os entrega a esta liberdade. Só a misericórdia de Deus pode nos livrar desta terrível liberdade. Não merecemos, mas Ele tem feito pelos seus. Louvemos a Ele por isso.

E você que tem lido estas linhas. Como esta sua relação com Deus? Você já está convertido? Qual destas operações de Deus tem acontecido em seu viver: A justiça no Evangelho ou a Ira justa de Deus? Por quem o seu amor cresce cada vez mais: por Deus ou pelo pecado? Exorto a você que com toda a seriedade pense nestas coisas, e chegando a conclusão de que ainda não se converteu, que você suplique que o bondoso Deus tenha misericórdia de você e mude seu coração rebelde em um coração obediente, e por Cristo que morreu por pecadores Ele lhe perdoe e salve e seja a partir de hoje seu Senhor. Oh pecador, venha para Cristo em quanto há tempo. Arrependa-se. Deixe os seus pecados. Odeie os seus pecados e ame a Deus. O Senhor diz: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.”(Ez 18:31,32).


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