Os evangélicos modernos abandonaram a Bíblia Sagrada e foram lançados em trevas - Parte V - A Santidade de Deus.


Ao falarmos da Santidade de Deus devemos entender que a Bíblia ensina que o Senhor é Santo no sentido de ser completamente separado da criação, isto é, Deus é infinitamente exaltado acima de todas as coisas que criou. Nada pode se comparar a Ele. Por exemplo, todos os homens e demais seres vivos têm as suas vidas dependentes Dele. Ele, porém, não depende de ninguém, ou seja, o Senhor é autossuficiente. Mas neste estudo desejo tratar da santidade no sentido ético ou moral o que também é claramente ensinado nas Escrituras. Isto não deixa de ter relação com o sentido anterior, pois significa que Deus é absolutamente separado do pecado. Vamos então ao estudo deste tópico:


A – A Bíblia afirma claramente a santidade de Deus.

Este é um fato completamente evidente nas Escrituras. Exemplos não nos faltam. Mas mostrarei apenas três afirmações bíblicas a respeito. Vejamos:

Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.” (Lv 11:45).

Aqui observamos que Deus exige a santidade de seu povo porque Ele mesmo é Santo.

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”. (Is 6:3).

Aqui observamos que “a linguagem humana é insuficiente para expressar a perfeição e excelência da santidade de Deus. Daí as repetições empregadas como superlativos pelos querubins (Serafins) que rodeiam o trono de Deus”. (Paulo Anglada, Soli Deo Glória, página105). Deus é tão Santo que a linguagem humana é inadequada para expressar tal Santidade.

E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.”. (Ap 4:8).

Este texto confirma o ensino de Is 6:3. Deus é tão Santo que é necessário repetir-se a afirmação. Assim, por estas passagens, e são apenas algumas das muitas que existem, fica claro que Deus é absolutamente Santo.

B – Qual a natureza da Santidade de Deus?

Para respondermos esta pergunta é útil a leitura de I Jo 1:5. Leiamos:

Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.”. (I Jo 1:5).

Esta passagem tem relação com a Santidade Divina. Pela comparação que João usa a respeito da luz nós podemos inferir que:

a – Quando falamos de “luz” nos referimos ao que é essencialmente “luz”. Ninguém confunde luz com escuridão. Estas coisas são absolutamente opostas em suas naturezas. Se isso é verdade, tal fato em relação a Deus deve significar que o Senhor em sua natureza possui a essência da pureza e da retidão. Nisto se constitui a Santidade de Deus. Dizer que Deus é Santo significa dizer que Ele é perfeito em pureza e retidão. Não há nada Nele, nem mesmo um resquício, de erro, pecado, impiedade. Ninguém pode acusá-lo de nenhuma injustiça, falha ou pecado, porque nada disso existe Nele. Nada, nada, nada Nele é imperfeito. Deus é luz, é essencialmente Santo, Reto, Perfeito.

b – As trevas não podem penetrar na luz. Quando acendemos uma lâmpada sua luz expulsa as trevas. Até uma pequena chama de vela vence a escuridão. Assim também é impossível que o pecado penetre na natureza divina, ou seja, é impossível que Deus peque. Deus é impecável.

Estas duas características podem ser ilustradas no Senhor Jesus Cristo, e isso é esperado visto que Ele é Deus (Hb 1:1-3). Vejamos:  

Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?” (Jo 8:46).

Vejam que o Senhor não fala estas palavras a seus amigos, mas a inimigos. Acontece muitas vezes que pessoas que gostam de nós evitam mostrar nossos erros porque não querem nos ofender. Mas os inimigos se alegram em descobrir e apontar nossos erros. No entanto, os inimigos de Cristo não tinham nada para acusá-lo. Aliás, até tiveram que inventar acusações (Mc 14:55-59). O fato é que em Cristo só havia santidade, ou seja, absoluta pureza e retidão. Mas leiamos outro texto:

Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.”. (Hb 4:15).

Cristo viveu uma vida impecável. Foi tentado, mas nunca o pecado penetrou Nele, nunca o pecado o venceu, nem jamais venceria, pois é impecável. Caros amigos, é com este Deus Santo que temos que lidar. É por Ele que seremos julgados. De fato isso é desesperador para o homem pecador. Se tivéssemos que lidar com pecadores como nós não teríamos problemas, pois o padrão de pecadores é tão medíocre como nosso próprio pecado. Ora, o padrão de pecadores é imperfeito, falho, e possível de ser alcançado, pois é tão pecaminoso como nós mesmos somos pecaminosos. Mas com relação a Deus a coisa é infinitamente diferente, pois se Deus é absolutamente Santo seu padrão também é absolutamente Santo, se Deus é absolutamente Perfeito, seu padrão também é absolutamente perfeito, se em Deus não há falhas, mas apenas pureza total, seu padrão jamais admitirá a mínima falha. Oh amigos, é por esse padrão divino que seremos julgados. Isto de fato é deveras desesperador, pois somos pecadores. Como precisamos de Cristo, o Salvador! Mas sobre Cristo trataremos adiante neste estudo.

C – Deus manifesta sua Santidade em sua Lei.

O padrão Santo de Deus está em sua Lei. De forma especial a vemos nos Dez Mandamentos. Vamos olhar para eles brevemente:

a – Primeiro mandamento:

Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.”. (Ex 20:1-3).

b – Segundo mandamento:

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.”. (Ex 20:4-6).

C – Terceiro mandamento:

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”. (Ex 20:7).

D – Quarto mandamento:

Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.”. (Ex 20:8-11).

Estes quatros mandamentos referem-se a Deus. É a primeira tábua da Lei de Deus. Os mandamentos seguintes referem-se a nossos próximos. É a segunda tábua da Lei. Vejamos:

E – Quinto mandamento:

Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.”. (Ex 20: 12).

F – Sexto mandamento:

Não matarás.”. (Ex 20:13).

G – Sétimo mandamento:

Não adulterarás.”. (Ex 20:14).

H – Oitavo mandamento:

Não furtarás.”. (Ex 20:15).

I – Nono mandamento:

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”. (Ex 20:16).

J – Décimo mandamento:

Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.”. (Ex 20:17).

Estes são os Dez Mandamentos. O Senhor Jesus resumiu-os em dois. O primeiro refere-se a primeira tábua, a que se relaciona a Deus, e o segundo refere-se a segunda tábua, a que se relaciona aos próximos. Vejamos:

Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.”. (Mc 12:28-31).

Assim o Senhor resumiu os mandamentos em amar a Deus de todo o coração e o próximo como a si mesmo. Dessa forma, amamos a Deus ao cumprirmos os quatro primeiros mandamentos, e amamos nossos próximos cumprindo os seis mandamentos seguintes. No entanto temos que asseverar que o coração humano sendo pecaminoso tende a deturpar o sentido da obediência. Os homens amam o pecado e desejam que Deus fique adequado a este amor pecaminoso. Isso nos é ensinado no Salmo 50. Veja:

Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe. Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista.”. (Sl 50:16-21).

Observemos que o salmista nos diz que o ímpio pensava que Deus era igual a Ele. Assim, o ímpio cria um Deus a sua imagem. Dessa forma a santidade de Deus expressa na Lei é interpretada em termos ímpios. Isso leva a um rebaixamento do padrão da Lei para que fique adequado ao pecado. No tempo de Cristo isso aconteceu na vida dos religiosos. Por isso o Senhor disse: “se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.”. (Mt 5:20). O fato é que aqueles escribas e fariseus interpretavam a Lei de maneira mais restrita e superficial possível para que seus pecados fossem mantidos. Os religiosos hipócritas gostam de interpretar os mandamentos apenas em termos de prática, e de algumas práticas. Eles dizem: “Se eu não dou um tiro em alguém eu cumpro o sexto mandamento.”. Será? Eles dizem: “Se eu não tenho uma relação sexual com a mulher do próximo eu cumpro o sétimo mandamento.”. Será? Eles dizem: "Se eu faço minhas orações a Deus eu não sou um idólatra.”. Será? Na verdade todas estas interpretações são muito superficiais e restritas e ficam muito aquém da Santidade que Deus exige. Lembremos que a Santidade de Deus implica em pureza absoluta. Dessa forma a sua Lei sendo expressão de sua Santidade também exige pureza absoluta. Nosso Senhor já nos dissera que a obediência verdadeira envolve o coração e não apenas a prática. Ele nos diz: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração”. (Mc 12:30a). A Lei de Deus exige Santidade absoluta pois Deus é absolutamente Santo. O Senhor passa a mostrar isso àquele povo interpretando a Lei de maneira correta. Vejamos:

Sobre o sexto mandamento Ele diz:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.”. (Mt 5:21,22).

Jesus ensina que quebra este mandamento não apenas quem dá um tiro no próximo, mas quem fica zangado ou quem o insulta. A ira já é pecar contra este mandamento. O insulto já é quebrar este mandamento. Neste exemplo nós observamos que o Senhor interpreta os mandamentos de forma muito mais profunda e ampla que os fariseus. Estes ficavam apenas na prática, mas Jesus aprofunda e chega ao sentimento, ou seja, a ira. Irar-se já é pecar contra o sexto mandamento. Os fariseus entendiam que apenas o ato de matar era pecado, mas Jesus diz que quem insulta já peca. Assim Jesus é muito mais amplo passando do ato das mãos para as palavras que saem de nossa boca. As palavras de insulto já são pecado.

Sobre o sétimo mandamento Jesus diz:

Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”. (Mt 5:27,28).

Neste caso também Jesus segue a sua interpretação profunda e ampla. O religioso achava que enquanto não praticasse sexo com a mulher do próximo não adulterava. Mas Jesus diz que basta olhar com intenção impura para uma mulher para que se adultere. Assim Ele amplifica a desobediência do ato do sexo para o ato do olhar. Também Ele aprofunda a interpretação quando diz que se adultera no coração. Dessa forma Jesus mostra que o pecado já está no coração antes de se manifestar na prática. Alguém pode nunca ter se deitado com a mulher do próximo, mas já quebrou o sétimo mandamento ao cobiçá-la. O adultério está no coração, que é o centro do homem.

Sobre o primeiro e segundo mandamento o Senhor nos diz:

E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6:5,6).

Talvez você me pergunte: Em que este trecho se relaciona ao primeiro mandamento? Bem, eu lhe digo que em tudo. O primeiro e segundo mandamento nos proíbem a idolatria, ou seja, termos outros deuses. Aqui o Senhor mostra que um homem poder ser idólatra até quando supostamente ora ao Deus Verdadeiro. Mas como? Jesus explica que isso acontece quando ao orar tal homem pratica a exibição, isto é, ora para que todos o vejam como um homem de oração, um santo, um piedoso. Este homem no final das contas não está adorando a Deus, mas a si mesmo. É um idólatra “orando”. Que coisa impressionante! No entanto este fato nos mostra a amplitude e profundidade do primeiro e segundo mandamento, ou seja, idólatra não é apenas aquele que fragrantemente se ajoelha ante um deus falso, mas também o que ora com o coração orgulhoso. Fala-se aqui de ídolos no coração e da prática da oração hipócrita.  

À luz de todos estes fatos concluímos que a santidade exigida pela Lei de Deus refere-se a uma obediência absoluta que envolve o coração, os desejos e as práticas. E deve ser assim pelo fato de a Santidade de Deus ser absoluta. Deus é totalmente, perfeitamente puro. Nele não existe sequer sombra de pecado. Por isso a santidade expressa na Lei também é absoluta, isto é, é tão profunda que chega ao coração, e tão ampla que abarca todas as áreas da vida humana. Nosso Senhor disse: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”. (Mc 12:30,31). É com esta Santidade que temos que lidar. Quem está apto para estas coisas? O que descobrimos em nós mesmo diante destas Verdades? Este é o assunto de nosso próximo tópico!  

Continua...

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Leitura recomendada para o aprofundamento no assunto:


Soli Deo Gloria - O Ser e Obras de Deus
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