Os evangélicos modernos abandonaram a Bíblia Sagrada e foram lançados em trevas - Parte IV - A loucura da suposta autonomia humana.

Leia a parte III clicando aqui.

Agora passemos ao segundo ponto deste assunto da Soberania de Deus. A questão é: O que o homem descobre a respeito de si próprio ao conhecer a Soberania de Deus? Vamos olhar para cada aspecto do assunto que acabamos de tratar e descobrir o que se revela a respeito dos seres humanos pecadores em relação a cada um deles.


A – o homem descobre seu ateísmo e/ou paganismo ante a verdade da soberania de Deus na criação.

Dentre a humanidade apenas uma minoria admite o ateísmo, ou seja, poucos afirmam que não existe Deus, o Criador de tudo. No entanto, existe um tipo de ateísmo que é extremamente mais perigoso devido a sua sutileza. Muitos admitem a existência de Deus, mas suas vidas o negam. Este ateísmo é descoberto à medida que o homem descobre a soberania de Deus na criação. Ele passa a compreender que só existe porque Deus assim o quis (Ap 4:11), mas percebe que tem vivido como se sua vida fosse fruto do acaso ou até de si mesmo. Permita que eu me explique: Já vimos que Deus nos criou para sua glória e sendo assim devemos viver honrando-o e amando-o acima de tudo. Porém os homens pecadores não vivem para a glória de Deus, mas como se Ele nem mesmo existisse. De fato Deus nem entra em consideração em seus pensamentos como Suprema Realidade. Darei um exemplo bíblico para melhor compreensão. Leiamos o seguinte texto:


Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho. A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael, a Metusael, e Metusael, a Lameque. Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.”. (Gn 4:16-24).

Aqui temos um exemplo típico que demonstra o estilo de vida dos ímpios. Trata-se dos descendentes de Caim, o primeiro assassino da humanidade. Caim era um homem totalmente afastado de Deus e gerou dessedentes no mesmo estilo. Estas pessoas mostram capacidades que evidentemente lhes foram dadas pelo Senhor. Vejamos: Jabal cuidava de gado, Jubal tocava flauta e harpa, e Tubalcaim era artífice de instrumentos cortantes. No entanto nenhum destes homens demonstrava algum temor a Deus, nenhum trata a Deus como Realidade, nenhum o honra com e por aqueles talentos. Todos eles vivem apenas para as coisas desta vida. Tratam de seus negócios, fazem sua música ou produzem seus instrumentos como se a vida se resumisse apenas a estas coisas, como se não tivessem sido criados por Deus, como se o próprio Deus não lhes tivesse concedido aqueles dons. Isto é o que podemos chamar de ateísmo prático. Tal ateísmo é típico da vida dos pecadores. Poucas pessoas afirmam que Deus não existe, mas todos os não convertidos vivem como se assim afirmassem, pois não tratam a Deus como o real Criador de suas vidas. Na verdade com suas vidas eles estão dizendo que Deus não existe, visto que não o levam em conta. Este é o ateísmo prático.
Ora, o homem que descobre a Soberania de Deus na criação também descobre que não passa de um ateu na prática de sua vida, pois apesar de Deus o ter criado ele não vive para a glória deste Deus. É como se Deus não existisse. Ele se levanta pela manhã, toma seu café, vai trabalhar, depois volta à noite para dormir. No outro dia tudo se repete. Este homem casa, compra, diverte-se, viaja, dorme, anda, pensa, conversa, faz planos, usufrui de seus talentos, mas nada disso tem sido para a glória do Deus que o criou. Como eu falei no início, é como se ele tivesse criado a si próprio, ou como se tivesse surgido do puro acaso. O homem descobre, então, que apesar de dizer que existe um Deus Criador, para ele Deus não tem sido uma realidade, pois se fosse honraria ao Senhor. Assim ele diz: “Eu não tenho vivido de forma a provar que creio em Deus que me criou... eu tenho sido um ateu prático”. Esta verdade terrível sobre si mesmo o homem percebe quando entende que Deus é seu Criador Soberano.

Outra coisa que este homem descobre sobre si mesmo é que não passa de um pagão, ou seja, quando diz que crê em “Deus” na verdade crê em um “deus” ou em “deuses”. Descobre que não passa de um idólatra. Explicando melhor, quando diz que crê em “Deus” de fato crê, não no Deus Soberano e Criador revelado na Bíblia, mas em um “deus” ou “deuses” segundo seu próprio pensamento ou segundo o pensamento de outros homens. Vejamos um exemplo bíblico:

Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios.”. (At 14:8-18).

Observemos que Deus operou este grande milagre pelo ministério de Paulo. No entanto, aqueles homens, pagãos que eram, atribuíram o milagre a seus deuses imaginários considerando a identidade dos mesmos a Paulo e Barnabé. Observemos também que Paulo e Barnabé não permitem aquele absurdo, mas os exorta a conversão ao Deus Criador e mantenedor. Essa é a característica dos pagãos, eles atribuem a seus deuses falsos as dádivas que vêm do Deus Criador. Ora, o homem que entende que Deus é seu Criador Soberano, vê também que tem sido um pagão, um idólatra, pois tem atribuído sua criação e manutenção a um “deus” ou “deuses” imaginários. Este homem descobre que é um pagão mesmo que diga que crê em “Deus”, visto que o “deus” que crê não é o Deus revelado na Bíblia, mas um “deus” que é conforme suas ideias, um “deus” conforme o júpiter ou o mercúrio dos moradores de Listra. Este homem descobre que têm rejeitado a revelação do Deus verdadeiro como os moradores de Listra também rejeitaram. Ele diz: “Sou um pagão...Sou um idólatra”. Esta é a dura realidade que ele descobre sobre si mesmo.

B – O homem descobre-se um tolo, pois ante a verdade de Deus como o provedor da criação percebe que tem crido em sua autossuficiência.

Temos visto que Deus é quem mantém a criação soberanamente (Sl 104:27, Rm 11:36). A luz deste fato o homem vê que não passa de um grande tolo, pois têm vivido como se seu sustento viesse de seu esforço, como se fosse autossuficiente. Ele agora vê que todo o seu pensamento é ímpio, pois em seu íntimo tem dito em autoconfiança “Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá” (Sl 10:6), e “Deus não se importa” (Sl 10:13). Este homem vê que tem crido em sua própria força, mas agora vê que isto é loucura, pois depende totalmente de Deus. Agora ele confessa: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado. Tu, SENHOR, por teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado.” (Sl 30:6,7). Agora ele enxerga a sua loucura e diz: “Que tolice a minha por achar que me mantenho, por crer em minha autossuficiência, pois agora entendo que do Senhor vem minha vida e sua preservação... Que tolo tenho sido”.

C – O homem descobre que nem sobre o mínimo possui o controle. Percebe que é totalmente dependente de Deus.

Temos visto que Deus soberanamente controla coisas tão mínimas como pardais e fios de cabelo (Mt 10:28-31). Antes de descobrir este fato o homem possui a ilusão de que pelo menos pode controlar o próprio dedo, ou uma moeda, ou uma pena, ou qualquer outra coisa mínima. Mas agora ele descobre que nem estas pequenas coisas ele pode dirigir fora da vontade de Deus. Oh agora este homem se vê como absolutamente dependente de Deus. Como agora ele percebe que necessita da bondade do Deus soberano, pois nesta hora ele entende que Deus controla se vai ter ou não uma simples passagem de ônibus para ir a algum lugar da cidade, se poderá ou não dar um pequeno passo, se poderá ou não ter um insignificante pensamento. Oh como agora ele está humilhado ante o Deus Soberano.

D – O homem descobre sua tolice em confiar nos “grandes poderes” ante a verdade do Soberano controle de Deus sobre estas grandes forças.

Temos visto que Deus controla os reis e as grandes forças da natureza (Pv 21:1; Gn 8 :1-3). Mas os homens em sua loucura pecaminosa têm crido mais no poder efêmero dos políticos e dos ricos, ou seja, confiam nos poderosos da terra. Além disso, os homens têm confiado nas forças da natureza. Os antigos, como muitos ainda hoje, chegaram a adorar estas grandes forças como se fossem deuses (Rm 1:18-25). No entanto hoje vemos um outro tipo de confiança nestes grandes poderes da natureza. Refiro-me ao conceito que separa Deus da natureza como se esta fosse independente Dele em termos de criação e manutenção. Todos estes fatos mostram que os homens têm confiado nas “grandes forças” sejam naturais ou políticas. De alguma forma todos os homens têm caído neste erro. Mas o homem que descobre a Soberania de Deus sobre todas as grandes forças percebe também como têm sido louco ao confiar nas mesmas forças como se fossem maiores ou independentes do próprio Senhor. Agora ele entende a palavra do salmista que afirma: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.”. (Sl 146:3,4). Agora ele diz: “Como tenho sido louco ao confiar nos poderosos como se fossem independentes de Deus”.

E – Ao descobrir a Soberania de Deus sobre a pecaminosidade o homem descobre que está em terrível perigo, pois em seu pecado tem estado contra Deus e do lado de seus inimigos.

Temos visto que Deus é Soberano até sobre as forças hostis, ou seja, Deus controla até seus inimigos (At 2:22, 23, At 4:24). Ao descobrir este fato o homem vê que em seu pecado está exatamente do lado dos inimigos de Deus. Ele vê que ao se rebelar contra Deus está do lado daqueles que querem derrubá-lo. Veja o que diz a Escritura:

Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.”. (Sl 2).

O homem descobre que está entre os inimigos de Deus do Sl 2. Ele então percebe que tudo isso é vão, é estupidez, é completa loucura, pois Deus em sua Soberania possui o controle total sobre seus inimigos e em breve irá destruí-los. Oh agora este homem diz: “O que eu estou fazendo?...Que loucura é essa em que eu tenho praticado?... Oh o que eu estou fazendo?... Oh, eu tenho estado entre os inimigos de Deus...Eu tenho em vão me rebelado contra Aquele que é Soberano até sobre os seus inimigos... Come eu estou em maus lençóis.. Que Deus tenha misericórdia de mim”. Como neste momento o homem está humilhado ante o horror desta constatação.

F – O homem descobre a loucura de seus planos autônomos ante a verdade da Soberania de Deus sobre a história.

Vimos que Deus controla Soberanamente a história (Is 46:9,10; Is 45: 1-7;). Diante desta verdade o homem descobre sua tolice em fazer planos sem contar com o decreto de Deus. Na verdade os homens tem feito isso o tempo todo. Eles em sua arrogância fazem planos e os têm como certos. Sequer lembram sinceramente de Deus ao planejarem, sim, sequer reconhecem que afinal é Ele quem determina o futuro. Veja o que Tiago nos diz:

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.”. (Tg 4:13-16).

Tiago fala daqueles que possuem uma certeza infundada quanto ao futuro. A base desta certeza está neles mesmos e não em Deus. Nisto está a plena loucura, pois é Deus em sua Soberania quem determina o que vai acontecer e o homem é passageiro, ou seja, logo morrerá e também não controla sua própria existência. O homem depende totalmente de Deus. Por isso a Bíblia nos previne: “Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz.” (Pv 27:10), e ainda: “Morrendo o homem perverso, morre a sua esperança, e a expectação da iniqüidade se desvanece” (Pv 11:7). Ora, a medida que se reconhece a Soberania de Deus sobre o tempo, vê-se que os homens tem sido arrogantes e presunçosos, pois loucamente têm crido que podem fazer planos independentes de Deus. O homem que entende que Deus é absolutamente Soberano também entende que têm sido tolo e que sua tolice o Iludiu. Ele agora crê e afirma: “Tudo depende de Deus...Se Deus quiser isso ou aquilo ocorrerá”.

G – Ante a realidade da Soberania de Deus sobre a salvação o homem se vê como totalmente dependente da graça de Deus.

Vimos que só Deus pode salvar, ou seja, que a salvação está em sua soberana vontade (Rm 8:30; Ez 36:24, Ef 2:1-10). À medida que o homem descobre esta realidade passa a se ver como merecedor da ira de Deus, como completamente morto, como totalmente sem esperança diante do juízo vindouro. Agora ele vê que nada pode fazer por si mesmo. Ele se vê como totalmente desamparado e dependente de Deus em sua graça. Ele agora vê sua situação real. Está morto e perdido. Somente Deus pode salvá-lo. Ele diz: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). Só Deus pode salvá-lo por isso ele clama: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” (Sl 51:10). Ele diz: “Oh Deus salva-me em Cristo”. Amém!

Continua...

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Pecadores nas Mãos de um Deus Irado

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