Exposição do Evangelho de João: Fazendo a vontade de Deus de verdade!

"Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava. Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este letras, sem ter estudado? Respondeu-lhes Jesus: O meu ensino não é meu, e sim daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo. Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça. Não vos deu Moisés a lei? Contudo, ninguém dentre vós a observa. Por que procurais matar-me? Respondeu a multidão: Tens demônio. Quem é que procura matar-te? Replicou-lhes Jesus: Um só feito realizei, e todos vos admirais. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não vem dele, mas dos patriarcas), no sábado circuncidais um homem. E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, ao todo, um homem? Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça." (Jo 7:14-24).

I – INTRODUÇÃO:

Se conversarmos com uma pessoa que se considera religiosa é bem provável que notaremos nela uma convicção de que está fazendo a vontade de Deus. Ora, isto é evidente, pois afinal ela acredita ser alguém que teme a Deus. No entanto, precisamos observar que esta convicção nem sempre é correspondente com a verdade dos fatos. Neste texto a Escritura nos mostra que é possível uma pessoa ter convicção de que obedece e teme a Deus quando na realidade obedece a uma versão falsificada da vontade de Deus, versão esta criada por suas próprias interpretações superficiais da Lei de Deus. Sempre que a Bíblia nos alerta sobre um perigo precisamos ouvi-la atentamente. Este é o propósito de nosso estudo. Que Deus nos ajude!


II – FAZENDO A VONTADE DE DEUS (Jo 7:14-18).

Quando a festa dos Tabernáculos já estava pela metade o Senhor Jesus se manifesta e começa a ensinar expondo as Escrituras. Os líderes religiosos ficam impressionados com sua capacidade, pois sabiam que Ele não havia recebido um treinamento em uma escola rabínica. Talvez, devido a essa falta de estudo formal, eles estivessem desqualificando o ensino de Nosso Senhor. À isto o Senhor responde afirmando que seu ensino procede Daquele que o enviou, do Pai, sendo assim verdadeiro. Na verdade aquelas escolas rabínicas haviam deturpado as Escrituras acrescentando-lhas mentiras inventadas pelas interpretações humanas. Mas o ensino do Senhor era puro, pois provinha do Pai, sendo assim alinhado com as Escrituras.

A luz deste fato devemos observar que o perigo daqueles religiosos, e logicamente de todos os religiosos, é acreditar que possuem o entendimento da Revelação de Deus, quando na verdade o que têm é uma falsificação da Revelação. A raiz deste desvio está na disposição do coração. Notemos que o Senhor fala que se alguém quiser fazer a vontade de Deus conhecerá se Cristo realmente vem de Dele ou não. Existe aqui uma indicação de que só reconhece a Verdade em Cristo quem ama a Deus e deseja sua glória, pois esta é a raiz da verdadeira obediência a Deus. Quem ama a Deus, e deseja sua glória, reconhecerá que Cristo foi enviado pelo Pai, pois Cristo fala as palavras de Deus Pai buscando assim sua glória. Dessa forma Cristo é o verdadeiro enviado de Deus e Nele não há injustiça (Jo 7:18). O verdadeiro obediente notará tudo isso e reconhecerá a Cristo como o enviado de Deus. Este é o quadro da verdadeira interpretação da Palavra e obediência a mesma, ou seja, de realmente se estar conhecendo e fazendo a vontade de Deus. Fora disso ninguém está conhecendo e fazendo a vontade de Deus e está enganando a si mesmo se pensa ao contrário.

Esta era a situação daqueles religiosos e é a situação de muitos hoje. Assim você deve se questionar: Você ama a Deus e deseja sua glória? Você quer realmente a vontade de Deus? Você reconhece que Cristo, o Cristo do Bíblia, é o enviado de Deus, o que traz sua Palavra, aquele que o glorifica, e, portanto, digno de toda a fé? Este é o verdadeiro teste ao qual devemos submeter nossa obediência a Deus. Se nossa obediência não passar neste teste é falsa!

III – PENSANDO QUE ESTÁ FAZENDO A VONTADE DE DEUS (Jo 7:19-24).

Depois de ter mostrado o verdadeiro padrão de obediência o Senhor começa a mostrar que os seus acusadores criaram um falso padrão para substituir o verdadeiro. Em primeiro lugar ele afirma claramente que eles não obedeciam a Lei de Moisés, a Lei que Deus dera no Antigo Testamento. Ora, se havia uma coisa que eles acreditavam era que procuravam obedecer com zelo aquela Lei. Mas o Senhor diz: “Não vocês não obedecem”. E prova com o fato de eles quererem matá-lo.

Ora, a Lei proibia o assassinato e o pecado seria agravado por Jesus ser o enviado de Deus (EX 20:13). Vemos, portanto, que realmente estes homens não eram obedientes como achavam que eram e isto se prova por dois fatos: 1 – Eles queriam a morte de uma pessoa inocente como Cristo; 2 – E Cristo não era um mero inocente, mas o enviado de Deus, e isto eles negavam querendo matá-lo por considerarem-no um blasfemo. Assim aqueles homens demonstraram que não queria realmente a vontade de Deus, não queriam sua glória e nem o amavam, em resumo não passavam no teste que vimos no tópico anterior.

A multidão que vinha de várias partes para a festa não entendeu as palavras de Cristo, pois não sabiam dos fatos narrados no capítulo 5 deste Evangelho, quando o Senhor cura um enfermo no sábado e reivindica sua igualdade com o Pai, trazendo com isso a revolta dos líderes religiosos que decidem matá-lo (Jo 5:18). Mas o Senhor relembra o caso e mostra a contradição dos judeus que não deixavam de circuncidar uma criança se o dia para tal ato (oitavo dia) caísse em um sábado, mas são contra o bem feito neste mesmo dia a um homem em todo o seu corpo. Ora se o bem cerimonial pode ser jeito a uma parte do corpo em dia de sábado, porque não pode ser feito o bem ao corpo todo de um homem, como o Senhor fez ao enfermo? Ora, é claro que pode ser feito o bem a todo o corpo se uma parte dele pode ser afetada. Este foi argumento do Senhor Jesus.

De fato não era ilícito fazer o bem em dia de sábado, mas, ao contrário, era completamente de acordo com a Lei de Deus. O sábado era próprio para a prática do bem (Leia Mc 3:1-6). Notemos que o Senhor estava denunciando a falsa obediência daqueles religiosos cegos. Ele diz que eles julgavam pela aparência, ou seja, não viam a verdadeira intenção de Cristo em fazer o bem ao enfermo, mas levados por sua interpretação superficial da Lei acusavam a Cristo de quebrar a Lei, quando na verdade Ele a cumpria. Então, Jesus diz que eles deviam julgar segundo a reta justiça.

Fica patente, a luz de tudo que já estudamos, que o problema daqueles religiosos era que não amavam a Deus, não buscavam sua glória, e conseqüentemente não queriam obedecê-lo. Devido a isso eles tomavam a Lei de Deus e interpretavam-na de acordo com seus corações maus. Assim eles não entendiam a Lei em sua essência, mas a interpretavam-na superficialmente adequado-a aos seus corações pecaminosos. Vemos que o Senhor denuncia este prática no sermão do monte (Leia: 5:21-32). Era exatamente isso que aqueles homens faziam com a Lei do sábado: Viam-na apenas como proibição de fazer isso ou aquilo e procuravam seguir seu entendimento superficial, mas a essência da Lei, que incluía o amor ao próximo demonstrado no fazer o bem, isso eles não cumpriam. É que o coração deles era cheio de ódio assassino, por isso queriam matar a Cristo e eram contra fazer o bem aos sábados.

Na interpretação falsa nunca o pecado do coração é denunciado, mas fica escondido fazendo com que o falso religioso se iluda crendo que está obedecendo a Deus quando na verdade não o obedece, pois o coração continua rebelde. Como isso é tão diferente da verdadeira obediência vista no tópico anterior! O resultado é que este falso religioso sempre nega a Cristo, pois não busca a glória de Deus. O pior é que pensa que serve a Deus e até que crê em Cristo. Prezado leitor avalie se você realmente ama a Deus estando disposto a aplicar a Lei Dele ao mais profundo de seu coração. Só neste caso sua obediência é real, mas fora disso é superficial e falsa, pois o coração não é afetado.

IV – CONCLUSÃO:

Fazer a vontade de Deus de fato implica em amar a Deus, e querer sua glória apegando-se a Cristo que o glorifica. O contrário disso é o engano da falsa obediência que não ama a Deus nem recebe seu Filho, mas conforma-se com uma prática superficial e falsa de sua Lei que não confronta o pecado no coração! Qual o seu caso?

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