Exposição de Gênesis: O pecado humano e a graça divina.

Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra. Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios, quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida. Tendo Abrão entrado no Egito, viram os egípcios que a mulher era sobremaneira formosa. Viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para a casa de Faraó. Este, por causa dela, tratou bem a Abrão, o qual veio a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos. Porém o SENHOR puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão. Chamou, pois, Faraó a Abrão e lhe disse: Que é isso que me fizeste? Por que não me disseste que era ela tua mulher? E me disseste ser tua irmã? Por isso, a tomei para ser minha mulher. Agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te. E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possuía.” (Gn 12:10-20).

I – INTRODUÇÃO:

O pecado é algo universal. Nem os mais piedosos homens estiveram isentos dele. Todos compartilham os mesmos sentimentos (Tg 5:17). Isto fica evidente neste caso de Abrão. Após a Bíblia apresentá-lo como um grande exemplo de fé, mostra imediatamente seu pecado em mentir sobre sua esposa. No entanto, em tudo isso vemos também a graça de Deus que cumpre seu plano redentor em Cristo apesar dos homens pecadores. Meditemos nestas verdades.

II – A NECESSIDADE, A AÇÃO HUMANA, E A COMPLICAÇÃO PECAMINOSA (Gn 12:10-17).

A fome chegou até Abrão e os seus. Era preciso uma busca de solução, pois a vida estava em risco. Neste caso, e na verdade em todos os outros, há duas possibilidades: Ou age-se por si mesmo confiando em seus próprios recursos, ou busca-se sabedoria em Deus confiando Nele. Infelizmente Abrão segue a primeira “solução”. De fato seguir para o Egito era a melhor opção, mas não observamos Nele uma busca em Deus diante daquela circunstancia. Parece que simplesmente observou e agiu.

Além disso, Abrão decide proteger-se pela mentira. Conhecendo a beleza de sua mulher, resolve esconder sua verdadeira relação matrimonial para não ser morto. Assim, menti e leva sua esposa ao mesmo ato. Aqui também observamos que Abrão não seguiu e confiou em Deus, mas resolveu tomar uma posição pragmática, ou seja, olhou apenas para o “bom resultado” que sua mentira lhe traria. Portanto, este é o ponto: Abrão não age por Deus, mas pelos seus próprios recursos humanos. Quartas vezes agimos assim, não é mesmo? Vemos o problema e raciocinamos não levando em consideração a Deus e sua vontade para nós. Ora assim como 1+1=2, e 1+1+1=3, se tirarmos Deus de nosso raciocínio o resultado será completamente diferente daquele que teríamos se levássemos Deus em conta. Na verdade, este é o raciocínio do pecado, pois o pecado é anti-Deus. O pior é que quando agimos assim acreditamos que escolhemos o melhor caminho. Tudo isso faz parte da profunda treva que é o pecado.

Mas o resultado é trágico. Veja o caso de Abrão. Ele logo vê sua esposa ser levada para a casa de Faraó, pois de fato era bela, sendo esta a opinião dos egípcios e de seus príncipes. A fama da mulher chega a Faraó, que a toma para sua casa. Além disso Abrão se vê na desconfortável posição de receber presentes de Faraó com base em sua mentira. A mentira, e todos os outros tipos de pecado, sempre avançam para situações cada vez mais complicadas e pecaminosas, e logo, o que começa com uma “mentirinha inocente” resulta em graves situações. E como se não bastasse, Abrão ainda traz pragas sobre Faraó e sua casa. Amigo leitor, você não tem visto isso ocorrer em sua vida? Não é o caso de você avaliar seriamente este momento presente onde talvez você creia que uma “mentinha”, ou qualquer outro pecado ou recurso anti-Deus, pareça ser a solução? Não é o caso de você avaliar a questão não em termos pragmáticos, mas em termos bíblicos, não em termos de sabedoria humana, mas divina? Ouça: Você não é mais sábio que Deus e se pecar sofrerá!

III – A GRAÇA DIVINA (Gn 12: 17-20).

Deus age apesar dos homens. Sei que vivemos tempos de bastante antropocentrismo. Devido a isso muitos afirmam que Deus precisa de nós para sua obra como se sem nossa cooperação Deus ficaria incapaz de cumprir seus propósitos. Mas isso é tolice, pois se Deus dependesse de nós nada seria cumprido, pois somos grandes pecadores. Deus não depende da fraqueza dos homens, mas de seu poder soberano. Deus decidiu trazer o Redentor e salvar seus eleitos, e isso Ele faria apesar de Abrão e seu pecado. Assim leitor avalie: Você espera vencer por sua força ou pela graça de Deus? Acha que Deus precisa de você ou você é quem precisa de Deus? Conta com a graça de Deus, ou no coração crê em seus próprios recursos?

Amigos, este é o fato: Deus não permite que seu plano seja ameaçado ou frustrado, mas controla tudo em absoluto. Assim, o Senhor derrama pragas sobre Faraó e sua casa que, então, descobre a mentira de Abrão, devolve sua esposa, e o expulsa do Egito. Se não fosse a graça de Deus o pecado de Abrão o levaria a males cada vez maiores, mas a graça o preservou. Ah se não fosse a graça, o que seria de nós?! Devemos bendizer ao Senhor por sua graça que nos preserva, e Nele confiarmos sempre. 

Mas há outro detalhe importante: O Senhor derrama as pragas, porque a situação era de confusão pecaminosa, visto que a mulher era casada, e diante de Deus o casamento é para sempre (Mt 19:3-6). Ora, o juízo de Deus achará o pecador, e Faraó estava em pecado. Vemos assim um misto de graça e juízo, e, também, observamos que na Bíblia a graça soberana de Deus não está em contradição com nossa responsabilidade. Portanto, cuide de sua vida confiando na graça de Deus, e não brinque com o pecado, mas busque a santidade (Leia: I Pe 1:13-21)! 

Porém, o mais inusitado é Abrão ser repreendido por Faraó. Vemos que Faraó entende, mesmo não conhecendo a Deus como Abrão, que o seu ato (de Abrão) tinha sido errado. Só podemos explicar isso pelo fato de a Lei de Deus estar gravada no coração de todos os homens (Rm 2:14,15). Mesmo assim é inusitado, estranho mesmo, quando um ímpio repreende um crente, pois o normal é um crente afastar-se do conselho dos ímpios e seguir a Lei de Deus (Sl 1). Mas o pecado do crente pode levá-lo a esta vergonhosa situação em que, em vez de ser exemplo, torna-se digno de repreensão. No entanto, mesmo nisso devemos ver a graça de Deus sobre Abrão, pois feliz é o homem que ao pecar é envergonhado ainda nesta vida e não no grande juízo que virá quando, então, a nudez e vergonha serão para a condenação (Ap 16:15; 20:11-15). Amigo, afaste-se do pecado para não ser envergonhado. Mas se já tem sido envergonhado, busque o perdão de Deus em Cristo e aprenda com a situação afastando-se da fonte da vergonha: O pecado. 

Mas em todos estes fatos brilha o mais importante: Deus estava, apesar de Abrão, cumprindo seu propósito de trazer o Redentor: O Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, dado para a salvação dos eleitos. Por isso hoje eu posso lhe dizer: Olhe para Cristo, confie Nele para sua salvação!

IV – CONCLUSÃO:

Nossa esperança está no Senhor Deus, que apesar do homem pecador, opera a salvação na vida de seu povo por Cristo Jesus o seu Filho. Amém.

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, e o conteúdo não seja modificado! 


Leitura recomendada para o aprofundamento no tema: 
Firmes na Fé: Conselhos para Crentes Fracos

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