Exposição do Evangelho de João: A alegria de semear e colher!

Nesse ínterim, os discípulos lhe rogavam, dizendo: Mestre, come! Mas ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Diziam, então, os discípulos uns aos outros: Ter-lhe-ia, porventura, alguém trazido o que comer? Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro. Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.” (Jo 4:31-38).


I – INTRODUÇÃO:

A vida cristã é uma vida de alegria. Aliás, devemos dizer, é a única vida realmente alegre. Dentre os vários aspectos desta alegria está o de se ter o privilégio de participar da obra de Deus na salvação de seu povo. Antes de nos convertermos somos egoístas. Não nos preocupamos com Deus nem com os próximos. Não amamos a Deus nem nos importamos com a alma de ninguém. De fato não nos importamos nem com nossa própria alma. Mas a conversão nos insere na grande obra de Deus neste mundo pecaminoso. Nossa alegria é fazer sua vontade e ver seu povo aproximar-se Dele para que Ele seja glorificado. Quero meditar com você sobre esta alegria baseado neste texto do Evangelho.


II- O BALDE E A MANGUEIRA:

Já usei esta ilustração em nosso estudo anterior. Observamos que a mulher samaritana após receber a Palavra de Cristo não a acumulou como um “balde”, mas distribuiu esta Palavra como uma “mangueira”. Não é possível reter a Palavra recebida. Quem é impactado pelo Evangelho será impulsionado a levá-la adiante.

Outra coisa que devemos notar é a reação das pessoas que ouviram a mulher samaritana. Elas foram até Cristo. Temos aqui uma reação em cadeia. Tudo começa com Cristo que semeia no coração da mulher, que por sua vez semeia no coração de seus conterrâneos, que por sua vez vão até Cristo. É assim que o Evangelho se propaga. É receber e passar adiante.

A luz disto precisamos pensar em nossa própria experiência. Devemos nos perguntar qual tem sido o efeito de nosso conhecimento do Senhor Jesus Cristo em nosso testemunho. Quando olhamos para os exemplos bíblicos, como desta mulher, não podemos parar de pensar que muito do que hoje se chama de conhecimento de Cristo está muito longe de ser algo que contagia os próximos. Destaco que existe sim o crescimento, a propagação de muitas doutrinas em nosso país e mundo. Porém, infelizmente são falsas estas doutrinas. Isso é trágico! Mas onde estão os verdadeiros propagadores? Onde estão os que defendem a verdadeira doutrina? Qual o efeito que aqueles que defendem a ortodoxia verdadeira afinal têm causado em seus próximos?

Penso que os falsos pregadores são um prejuízo muito grande. Mas não adiante muita coisa apenas criticá-los. A pergunta é: E nós que defendemos a verdadeira doutrina que bem temos causado? Percebem onde quero chegar? Amados, se conhecemos realmente a Cristo nossa vida trará luz aos perdidos, com certeza Deus nos usará para o resgate de seus eleitos, não seremos um “balde”, mas uma “mangueira”!

Horrível é a posição daqueles que apenas criticam sem, no entanto, ajudar em nada. Horrível é só criticar sem agir em benefício da alma de ninguém. O que você diria de alguém que apenas critica outra pessoa por esta tentar salvar a outros de uma forma errada, mas ele mesmo, conhecendo a forma certa, não a executa em benefício do necessitado? Esse homem de fato é de alguma ajuda? Assim pergunto: O que adianta criticar os erros do evengelicalismo moderno se nossas vidas não influenciam sequer uma pessoa para salvação? Que meditemos seriamente nisso!

III – A ALEGRIA DE CRISTO EM SEMEAR (Jo 4:31-34)!

Existe a semeadura e a colheita. Primeiro se planta para depois ter-se a ceifa. Este é um texto em que estes fatos do cotidiano servem para ilustração de verdades espirituais. Aliás, como em muitos casos na Bíblia. Mas guardemos bem estas imagens. Ora, no reino de Deus a palavra é plantada, é semeada, e se o coração em que for plantada pertence a um eleito de Deus, em tempo oportuno ela germina e a colheita chega.

Em todo este trecho, em que Jesus conversa com uma mulher samaritana, vemo-lo em ação como semeador. Com toda a sabedoria Ele habilmente planta a Palavra no coração daquela mulher. Ela então crê e por ocasião da chegada de seus discípulos ela vai chamar seus conterrâneos. Os discípulos tinham trazido comida e a oferecem ao Senhor. Mas Jesus afirma que possui outra comida que eles não conhecem. Os discípulos supõem que Ele lhes falava de comida mesmo, no entanto o Senhor falava-lhes de algo espiritual. O que o Senhor queria dizer era que a satisfação verdadeira não estava na comida, mas em Deus, em sua Palavra. Leiamos:

Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mt 4:4).

buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mt 6:33).

Os homens do mundo não entendem estas coisas. Eles acham que o que satisfaz mesmo é o pão, o dinheiro, a fama, e coisas assim. Eles não buscam em primeiro lugar o Reino de Deus e suas Justiça. Eles invertem o que Cristo falou e buscam em primeiro lugar os acréscimos. No entanto, Cristo é o exemplo supremo de santidade. Ele diz que mais que a comida é Deus que importa. Ele diz que seu alimento é fazer a vontade do Pai, é cumprir sua obra. Nisto há verdadeira satisfação, verdadeira alegria. Não que o alimento não seja importante, mas o mais importante é Deus, é sua vontade. Mas que vontade de Deus é essa que Cristo deveria realizar? Leiamos Jo 17:1-6 e respondamos algumas perguntas:

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” (Jo :17:1,2)

Jesus veio trazer vida eterna a quem? Resposta: A todos os que o Pai lhe deu!

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”. (Jo 1:3).

O que é a vida eterna? Resposta: Conhecer ao Único Deus Verdadeiro e a Jesus Cristo!

Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;” (Jo 17:4).

Como Cristo glorificou o Pai na terra? Resposta: Completando a obra que o Pai confiou a Ele!

e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra.” (Jo 17:5,6).

Que obra é essa afinal? Resposta: Manifestar o Nome Dele aos homens dados a Cristo dentre o mundo!

Irmãos, esta é a obra de Cristo: Revelar-se aos eleitos, ajuntar o rebanho seleto que Deus deu a Ele. A alegria de Cristo era realizar esta obra que o Pai lhe dera, em primeiro lugar, porque Ele amava ao pai (Jo 14:31), e em segundo lugar, porque Ele amava os eleitos de Deus(Jo 15:9)! Cristo é o exemplo supremo que a vida cristã encontra a satisfação não nos acréscimos, mas no Reino de Deus. A satisfação é glorificar ao Pai, honrar seu Nome, é ver seus eleitos entrando pela porta. Jesus estava cheio deste jubilo santo, pois havia acabado de semear a Palavra no coração daquela mulher que era uma eleita de Deus. Por isso mostrou que aquela comida não satisfazia de verdade, mas sim a vontade de Deus é que o satisfazia. Ah irmãos, a vida Cristã é uma vida que se alegra em glorificar a Deus estendendo o seu Reino aos Eleitos que ainda estão fora. Que esta alegria esteja em nós.

Lembremos, ainda, que a obra de Deus na salvação dos eleitos se realiza em sua providência. Notamos isso no caso da mulher samaritana. Vejamos:

A – Cristo teve que sair da Judéia e partir para a Galiléia por causas dos fariseus (Jo 4:1-3).

B – Para chegar a Galiléia precisava passar por Samaria (Jo 4:4).

C – Jesus chega à fonte, em Sicar, cidade samaritana, cansado e com sede. E quem chega lá também? Ora, exatamente a mulher samaritana. Então Ele pede-lhe água e dali a conversa, que resultou na fé daquela mulher, se inicia.

Tudo isso foi um mero acaso? Não, mas sim a vontade de Deus por sua providência para a salvação daquela mulher! Assim ocorre na salvação de todo o eleito de Deus. Sim, falo daqueles “encontros casuais” em que podemos ser usados para semear a Palavra no coração de alguém. Mas evidentemente isso não nos exime de nossa responsabilidade. Estejamos assim preparados para as ocasiões em que o Senhor nos colocar, e que nos alegremos em glorificá-lo como Cristo o fez!

IV – A ALEGRIA DOS DISCÍPULOS EM COLHER (Jo 4:35-38)!

Às vezes, penso eu, não paramos para pensar no grande privilégio de participarmos na obra de Deus. Neste texto vemos que não somente Cristo participa desta obra, mas também seus frágeis e pecadores discípulos.

Jesus diz: Já chegou a colheita. Não será daqui a quatro meses, mas agora. Eles estavam por volta de dezembro e a colheita seria em abril. Sim, a colheita de alimentos seria em quatro meses, mas a de almas seria já. Jesus estava se referindo a multidão de samaritanos que se aproximava para conhecê-lo como resultado do testemunho da mulher (Jo 4:29,30). Jesus como que diz “Olhem os samaritanos vindo”. Ele diz: “erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (Jo 4:35b). Ele diz que devem agora colher, e que colherão o que outros semearam. Que outros são estes? Ora, Ele mesmo, o Cristo, e, também, a própria mulher.

Assim ocorre, meus irmãos. Às vezes semeamos, e outras vezes colhemos o que outros semearam. As vezes semeamos e não temos oportunidade de colher, mas outros o colherão. Mas em tudo nos alegramos como Cristo se alegrou, pois “se alegram tanto o semeador como o ceifeiro” (Jo 4:36). O que planta se alegra e o que colhe também! E por quê? Porque em tudo isso o Pai está sendo glorificado, e os seus eleitos estão sendo conduzidos a porta que é Cristo! Nossa maior alegria é a glória do Pai e a salvação de seu povo, pois amamos ao Senhor e ao seu povo.

Meus irmãos, o que dizer diante de tudo isso? Você ama ao Senhor? Ama seu povo eleito? Deseja você a glória de Deus acima de tudo? A sua alegria é a obra de Deus? Seu alimento é fazer a vontade de Deus e realizar sua obra? Então ouça o apóstolo Pedro:

antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. (I Pe 3:15).

Estejamos prontos para semear e colher! Esta á nossa alegria!

V – CONCLUSÃO:

Nossa alegria é a glória de Deus, e Ele é glorificado na salvação de seu povo. Este é nosso grande privilégio: Fazermos parte desta obra em que seu Nome é Honrado. Se assim é, devemos nos preparar para este trabalho, para respondermos a todo aquele que nos pedir razão da esperança que há em nós (I Pe 3:15). Plantemos e colhamos, pois nisto Nosso Senhor é glorificado, e nossa alegria se cumpre!

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Leitura recomendada: Paulo, Plantador de Igrejas: Repensando Fundamentos Bíblicos da Obra Missionária


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