Quem é Jesus para você? (Texto e áudio)* – Edson Rosendo.



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Então, Jesus e os seus discípulos partiram para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e, no caminho, perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu? E responderam: João Batista; outros: Elias; mas outros: Algum dos profetas. Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo. Advertiu-os Jesus de que a ninguém dissessem tal coisa a seu respeito. Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. E isto ele expunha claramente. Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo. Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” Mc 8:27-33.

I – INTRODUÇÃO:

Qualquer fato que ganhe publicidade, imediatamente provoca a maior agitação entre as pessoas e logo se torna alvo das mais diversas opiniões e especulações por parte das pessoas. Todos têm um parecer, uma opinião, um comentário, uma sugestão. As intervenções de Jesus estavam sendo motivo de grandes perturbações entre as massas. Jesus agia de forma pública; as suas ações despertaram o noticiário da região inteira. Em Mc 6.14 está escrito que Jesus “já se tornara notório”. As notícias sobre seus feitos corriam rápidas por entre os habitantes da Judéia e da Galiléia. Muitos questionavam a verdadeira procedência dele, outros o desprezavam; uns o consideravam grande, outros o consideravam um impostor. O povo daquela época esperava o Messias de Deus, mas o imaginavam como um rei nascido em berço de ouro, da dinastia e descendência de Davi, jamais um menino pobre, nascido numa fétida manjedoura, no chão, em meio a cavalo, gado, grilo e batráquio, filho de pais humildes, ajudante de carpinteiro, habitante de Nazaré, uma das mais inexpressivas cidades da Galiléia. Porém, a despeito de todos esses indicativos adversos, havia uma contradição no ar: como poderia um homem simples, sem nenhuma grandeza, sem nenhuma estirpe, realizar feitos de tamanha magnitude e falar palavras de extraordinário poder! As suas palavras, só para dar um exemplo, como lanças afiadas, vazavam as almas dos ouvintes, revelavam cada pensamento e cada desígnio, mesmo os mais profundos. Jesus era uma figura contraditória, aliás, Simeão já havia profetizado (por ocasião da apresentação do menino no templo) que aquele menino estava destinado tanto para ruína e levantamento de muitos, como também para ser alvo de contradição (Lc 2.34). A verdade é que todos tinham uma resposta, uma opinião, um parecer a respeito de Jesus.

Com toda essa polêmica, as pessoas precisavam (e se interessavam) em saber a verdade sobre a pessoa e a obra daquele homem. Muitos investiam e perguntavam direto; outros especulavam; outros mandavam recados; outros, simplesmente, formavam, à distância, as suas próprias conclusões e ficavam enganados.

De fato, ainda hoje, essa é a tarefa mais importante e urgente que uma pessoa pode se ocupar. Nada é mais prioritário para uma pessoa do que saber a verdade sobre a pessoa e a obra de Jesus. Saber ou não essa verdade é o determinante da vida eterna ou da morte eterna. Quem tiver a resposta correta sobre Jesus e sobre a sua obra estará na bem-aventurança; quem não tiver a resposta correta sobre Jesus e a sua obra está no caminho da perdição, no caminho largo, no caminho das grandes multidões. Notem os irmãos que a questão não é mero exercício de conhecimento intelectual, de se ter uma opinião correta sobre Jesus, não! É muito mais: é decisivo para a vida eterna. O nosso propósito, então, é demonstrar que o novo nascimento, ou a salvação, ou a bem-aventurança (que são sinônimos, no contexto), estão diretamente ligados à resposta que cada homem dá à pergunta: Quem é Jesus para você? A Escritura mostra que para essa pergunta só existem duas respostas (1) A falsa e (2) A verdadeira. Os perdidos darão a resposta falsa, a resposta errada, permanecendo na cegueira, mas os que creem darão a resposta verdadeira, a resposta certa, passando para a bem-aventurança.

II – A FALSA RESPOSTA A RESPEITO DE JESUS.

Está escrito em Mc 8.27 que Jesus e os discípulos, deixando Betsaida (v.22), partiram para Cesaréia de Filipe, e, enquanto eles caminhavam, Jesus lhes perguntou sobre qual era a opinião do povo a seu respeito [..], (muitas pessoas de fora, curiosas, sempre se aproximavam de Jesus para interrogá-lo a respeito da sua identidade e da sua missão, embora já possuíssem sua própria opinião a respeito dele. Outras pessoas, bem próximas dele, também tinham opiniões totalmente errôneas a respeito dele. Até o próprio João Batista, certa vez, mandou que os seus discípulos lhe perguntassem se “Ele era aquele que estava para vir, ou haveriam de esperar outro” – Lc 7.19). O propósito de Jesus com essa pergunta não era, na realidade, saber a opinião dos outros ao seu respeito (pois Ele sabia que quem não for dos seus jamais terá uma resposta acertada a seu respeito), mas o seu propósito era saber qual a resposta que os seus discípulos dariam a respeito dele, com o objetivo de lhes edificar a fé, e também com o propósito adicional de lhes puxar o tapete da vaidade e do orgulho de sob os seus pés, uma vez que, por causa da resposta certa que haveriam de dar, correriam o risco de atribuir o acerto à sua própria percepção e inteligência, e não ao Espírito de Deus, o verdadeiro iluminador da resposta certa.

Depois da pergunta feita, os discípulos começaram a reproduzir as diversas respostas que o povo tinha a respeito de Jesus. A primeira resposta que os discípulos deram foi que o povo dizia que Cristo era João Batista. A essa altura, João Batista já havia morrido. Os fariseus criam e ensinavam ao povo sobre a reencarnação, e a preexistência da alma (conforme o Talmude e o próprio historiador Josefo), doutrinas essas que tinham grande aceitação no oriente e em toda a Palestina dos dias de Jesus, e essa aceitação era baseada em dois fatores, primeiro: na tendência que o homem tem de se enganar a si mesmo e pensar numa existência feliz da alma independente do corpo e, segundo: essa forma de pensar estava baseada na opinião de um dos mais elevados expoentes da sabedoria humana de todos os tempos, Platão. Criam também na transmigração da alma, que era um ensino que sustentava que uma pessoa que morria podia ter sua alma invadindo o corpo de outra pessoa viva.

Ora, João Batista e Jesus foram contemporâneos, viveram na mesma época, eram primos, e, estando o povo defendendo a opinião de que Jesus era João Batista, estava evocando exatamente o ensino da transmigração da alma, em que João, mesmo morto, havia transmigrado para Jesus, afastando a alma original de Jesus e deixando-a “num canto”. Doutrina errada, ensino errado, resposta falsa a respeito de Jesus, pessoas fora do alvo, perdidas.

A segunda resposta que os discípulos reproduziram como sendo opinião do povo era de que Jesus seria Elias. João Batista era grande entre o povo, tinha um conceito sobremodo elevado. Elias também era guardado na memória de Israel como um dos grandes profetas do Senhor, no passado. Muitos judeus, com uma má interpretação de Ml 4.5, confundiram Jesus com o profeta Elias. Como estavam comparando Jesus com esses dois grandes homens de Deus, muitos tinham Jesus em elevada conta, em alto respeito e temor, e... Será que estavam certos? De maneira alguma! Jesus não era Elias. Por mais alto que fosse o conceito a respeito de Jesus, ainda assim deixava o pecador preso na perdição, pois ele estava fora do alvo, ele mirava um ponto, na verdade, contrário ao alvo, por isso dava uma resposta errada a respeito de Jesus.

 A terceira resposta que os discípulos deram a Jesus como traduzindo a opinião do povo a seu respeito era de que ele era tido como algum dos profetas. Aqui Jesus baixou de nível na opinião de alguns do povo. O povo diferenciava o profeta importante e o menos importante. Depois de compararem Jesus com João Batista e com Elias, de repente, generalizaram, ao compará-lo com qualquer profeta, daqueles que apareceram na história de Israel. Também estavam errados, mais errados ainda. Mas também não importa o quanto estavam errados, se muito, se pouco. Errado muito ou errado pouco, todos estão no mesmo corredor da perdição. A resposta falsa a respeito de Jesus, produto da ignorância espiritual em que viviam, conservava-os na morte espiritual.

João Batista, Elias e todos os profetas foram enviados por Deus; Jesus também foi enviado por Deus, porém não podia ser comparado a nenhum dos profetas. João Batista, Elias e todos os profetas do Senhor falaram a Palavra do Senhor; Jesus também, só falou a Palavra do Senhor, porém, não podia ser comparado a nenhum dos profetas do Senhor. Muitos profetas do Senhor realizaram milagres, curas e prodígios, à semelhança do próprio Elias; Jesus também realizou milagres e curas, porém, em nenhuma hipótese podia ser comparado a nenhum dos profetas do Senhor que realizaram curas e prodígios. Muitos enviados do Senhor foram mortos por causa do testemunho da Palavra de Deus; Jesus, também foi morto, por causa do seu testemunho a respeito da Palavra de Deus, porém, não podia ser comparado a nenhum dos mártires do Senhor. Por mais importante que fosse o profeta do Senhor, nem de longe poderia ser comparado com esse profeta Especial do Senhor, Jesus Cristo. Nem Moisés, nem Samuel, nem Davi, nem Daniel, Ezequiel, Isaías, Jeremias, João Batista, nenhum deles era, sequer, digno de desatar as sandálias de Jesus. Nenhum deles era, sequer, digno de morrer por causa da Palavra de Deus. Nenhum deles, sequer, era digno de pregar a Palavra de Deus, ou de ser enviado por Deus, ou de se dirigir ao povo para advertir-lhe dos seus erros. Nenhum era digno! Todos eles realizaram essas atividades unicamente pela graça de Deus. Deus os separou pelo seu eterno desígnio, exclusivamente, e os comissionou a exercer uma atividade que, de modo algum, teriam dignidade.

Quem é Jesus para você? Qual a sua resposta a respeito de Jesus? Os homens aprendem as coisas pela percepção dos sentidos, pela experiência diária dos fatos, pela razão, pela intuição, e essas vias são eficientes na aprendizagem, e as distorções que surgem nesse processo são corrigidas pela discussão em grupos e pelo consenso da maioria; assim a lógica das coisas vai se estabelecendo. Será, então, que é por essas vias que os homens ficam conhecendo Jesus e dando respostas acertadas a respeito dele? Não! Não é pelo uso dessas faculdades que os homens dão respostas acertadas a respeito de Jesus! Essas habilidades humanas só funcionam no plano material e científico. Do ponto de vista espiritual, nenhum desses meios citados é suficiente e capaz para dar ao homem o mínimo conhecimento do Deus Salvador. Então, enganado pela sua própria capacidade sensorial, o homem aventura-se a classificar Deus, a definir Jesus Cristo, a emitir parecer sobre a pessoa e a obra do Filho de Deus, incorrendo no erro, construindo opinião falsa (embora até com riqueza de palavras), e, julgando-se sábio, não passa de louco (Rm 1.22).

Mas, as respostas a respeito de Jesus não são todas elevadas, como a comparação que fizeram com João Batista, com Elias ou com algum dos profetas. Por ocasião da crucifixão, os soldados vestiram Jesus com um manto aparatoso, usado por palhaços, com a intenção de depreciar a imagem do condenado, humilhando-o profundamente (isto é, consideraram Jesus como um palhaço – Mt 27.28); outros o ironizaram como ‘o rei dos judeus’, e lhe colocaram uma coroa na cabeça (de espinhos), e na mão direita um cetro (um pedaço de pau), Mt 27,29. Outros o consideram como um vaso de desonra, pois lhe cuspiram na cara, e o consideraram como um malfeitor, pois lhe bateram na cabeça, MT. 27.30. Achando poucas as acusações verbais, acharam por bem escrever um documento de fé pública: Mandaram fazer uma faixa escrita com a acusação “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS” e a colocaram sobre a cruz. Os que iam passando o consideravam um mentiroso, pois diziam: “Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és filho de Deus! E, desce da cruz!” (Mt 27.40). Os principais sacerdotes o consideravam motivo de escárnio, pois diziam: “Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se” (MT 27.41,42). Todas essas são opiniões falsas que geram respostas erradas a respeito de Jesus, e quem as possuir estará completamente perdido, está de costas para a vida, está de frente para a morte eterna. Enxergam o Salvador, vêem um profeta, enxergam o Deus-homem, o vêem um embusteiro, um palhaço, um mentiroso.

Quem é Jesus para você? A verdade é que, quem não for iluminado pelo Espírito de Deus nunca terá uma opinião correta a respeito de Jesus, mas ficará apenas com as opiniões dos seus sentidos, da sua razão, da sua lógica humana e demoníaca. É preciso fugir às pressas dessa condição. É preciso correr para o Espírito de Deus, pois somente Ele pode conceder a revelação exata de quem é, de fato, Jesus. E esse é o nosso próximo assunto a ser tratado...

III – A VERDADEIRA RESPOSTA A RESPEITO DE JESUS.

Decididamente, Jesus não se interessou absolutamente por todos quantos o consideravam como João Batista, Elias ou algum dos profetas (prá falar apenas daqueles que o consideraram como alguém). Depois de ouvir as respostas dos seus discípulos, reproduzindo as opiniões do povo (v.28), Jesus não fez o mínimo comentário, não deu a mínima importância. Isso quer dizer que essa classe não tem nenhuma iluminação do Espírito de Deus, e Jesus a ignorou completamente. Ele sabe que, se o Espírito Santo não os convencer, jamais perceberão quem, de fato, é Jesus. No v.29 está escrito que Jesus imediatamente passou à pergunta principal, e disse: “Mas vós, quem dizeis que Eu sou?” (a resposta desses, sim, interessa). Pedro, tomando a palavra, falou em nome dos demais apóstolos, e disse: “Tu és o Cristo” (final do v.29).

O que significa dizer que Jesus é o Cristo? Deus enviou ao mundo muitas pessoas com o objetivo de cumprir propósitos específicos: profeta, vidente, rei, sacerdote, etc. Essas pessoas eram ungidas, para autenticar a sua vocação, no entanto, entre todos os enviados, a Escritura se refere a um enviado específico, infalível, eterno, Todo-Poderoso, que se confunde com o próprio Deus. A palavra hebraica para esse Personagem é traduzida em português como ‘Messias’ e em grego como ‘Cristos’, que também significa “Ungido”. Esse Messias, esse Ungido, esse Cristo, era, portanto, o alvo onde todo o Israel tinha os olhos postos. É assim que entendemos o estado de expectativa que os irmãos do Antigo Testamento viviam. Tudo girava em torno dessa esperança. O povo de Israel sabia que o profeta, o sacerdote e o rei, que ministravam no dia-a-dia entre eles, representavam figuras pálidas desse super ungido que viria. Pedro, no seu discurso após a cura do paralítico, deixou transparecer essa esperança, de que esse Messias tão aguardado seria um profeta cuja palavra era tão infalível, que exterminaria todo aquele que não lhe desse ouvido, At.3.23,23 [...]; O escritor aos hebreus, semelhantemente, deixou transparecer essa intensa expectativa por esse Messias, ao se referir a Ele como um sacerdote perfeito, que não precisaria oferecer sacrifício por si mesmo, que não seria substituído pela morte, mas que teria um ministério sacerdotal eterno, que viveria para sempre e nunca cessaria de interceder pelos que estivessem sob sua guarda, em contraste com os sacerdotes de Israel, que eram imperfeitos, fracos, e, antes de sacrificar a favor do povo, sacrificavam a favor das suas próprias fraquezas e imperfeições, e por isso, morriam e eram substituídos por outros que também morriam Hb. 7.22-27 [...]. O escritor do evangelho de Mateus também enfatiza a esperança de que esse Messias seria o rei eterno, aquele cujo trono não teria fim, o rei cujo domínio seria total, e o associa com a profecia de Isaías, quando da entrada de Jesus em Jerusalém, na sua última semana de vida, Mt. 21.5 [...]; E em Mt. 21.9, o narrador descreve a ovação que a população de Jerusalém realizava a favor de Jesus, [..]; com a frase “bendito o que vem em nome do Senhor”, Mateus descreve a omissão do povo em não pronunciar a palavra ‘rei’, para não ferir a autoridade do imperador romano e sujeitar-se às punições da “Lex Urbi”, a lei romana (o que a multidão queria dizer, na verdade, era: bendito o rei que vem em nome do Senhor, o que cumpriria a profecia descrita no v.5). O povo vivia numa expectativa tão intensa por esse Messias, que cada moça de Israel, aquelas que temiam a Deus, por saber que esse Ungido nasceria de uma virgem (Is 7.14), guardava-se imaculada até o casamento, na esperança de ser a escolhida, a agraciada, aquela que traria o Menino ao mundo.

Em suma, a declaração de Pedro – Tu és o Cristo – desconsiderou todas as evidências em contrário, e enxergou naquele pobre homem, ajudante de carpinteiro, sem casa para morar, sem um lugar para reclinar a cabeça, oriundo de uma cidade inexpressiva da Galiléia, enxergou nele ‘o Messias’, ‘o Ungido’, ‘o Cristos’ de Deus, o infalível profeta do Senhor, o aguardado e eterno rei supremo de Israel, o sacerdote perfeito, e para sempre.

Uma pergunta: Por que motivo Pedro acertou a pergunta que Jesus fez, a respeito da Sua Pessoa? Não foi pela inteligência (pois Pedro não era de QI tão elevado), não foi pela cultura (porque até iletrado ele era), não foi pelos dons sensoriais (pois Pedro não era nenhum superdotado), não foi pela intuição (pois Pedro não era nenhum místico), mas Jesus lhe disse que a sua resposta foi correta porque foi Deus quem lhe revelou, Mt 16.17 [..]; A palavra ‘carne’ nesse verso tem a conotação de ‘dotes naturais’ (inteligência, intuição, cultura, capacidade pessoal), e a palavra ‘sangue’, tem o significado de herança, linhagem, ou seja, a frase que Pedro pronunciou não foi porque ele fosse de alguma família importante, de alguma linhagem pura, de alguma descendência nobre de Israel. O texto de Mt 16.17 ainda nos ensina duas preciosidades: a primeira é que a resposta de Pedro foi tão divina que Jesus lhe respondeu em tom sobremodo solene, ao lhe chamar pelo nome completo “Simão Barjonas”; e a segunda é que a revelação de Deus a Pedro é que o tornou um bem-aventurado – “Bem-aventurado és”. A resposta correta, portanto, tem tudo a ver com a revelação que Deus faz ao pecador acerca de Jesus Salvador. É impossível que Deus revele Jesus ao pecador e esse ainda continue dando respostas erradas a respeito dele. Ninguém conhecerá Jesus pelas suas próprias faculdades e dotes prodigiosos. Ninguém poderá se salvar se não receber a iluminação da parte de Deus. “Ninguém poderá vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer”, disse Jesus em Jo 6.44. Todos quantos conheceram Jesus não o fizeram pela sua iniciativa, pela decisão pessoal, mas unicamente porque aprouve ao Pai que assim fosse – “Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27).

Quando Deus revela Jesus ao pecador é uma bem-aventurança só. Basta observarmos a emoção dos relatos de todos quantos receberam a iluminação da parte de Deus a respeito de Jesus: Exclamou Natanael: “Mestre, tu és Filho de Deus, tu és rei de Israel” (Jo 1.49); Disse a samaritana: “Vinde comigo, e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?” (Jo 4.29); os samaritanos disseram: “Sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4.42); Pedro, numa segunda oportunidade, disse: “Nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus” (Jo 6.69); Marta, a irmã de Lázaro, assim se expressou: “Sim, Senhor, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (Jo 11.27); Respondeu-lhe Tomé: “Senhor meu, e Deus meu” (Jo 20.28); O eunuco, gentio, que foi batizado por Filipe: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At 8.37); Paulo, aos colossenses: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9); o escritor aos hebreus: “Ele é o resplendor da glória e a expressão exata do Ser de Deus”, (Hb 1.3). Todas essas respostas são divinas, e compreendem o perfeito entendimento do Rei supremo, do Profeta infalível e do Sacerdote eterno.

Esse é o testemunho de todos quantos conhecem a Jesus pelo único caminho: a iluminação da parte de Deus. É infalível, inerrante, inconfundível. Cada vez mais o crente sente a legítima alegria. Encontrar Jesus é encontrar a vida, a salvação. Ninguém que não receba a iluminação da parte de Deus conhecerá Jesus, e ninguém que conheça Jesus o conheceu por suas próprias forças e aptidões. Por isso dizemos aos irmãos aqui como Paulo disse aos irmãos de Corinto: “Ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema Jesus! por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo” (1 Co 12.3). Ninguém que seja possuído pelo Espírito de Deus renegará o Ungido, o Messias, o Cristo de Deus. Ninguém que seja dominado pelo Espírito de Deus rejeitará a Palavra do Cristo de Deus. Ninguém dirá a respeito de uma doutrina ensinada por Jesus: “é doutrina de demônios, é anátema!” É questão fechada! Por outro lado, quem afirma: Senhor Jesus! Então, isso só pode ser feito pelo Espírito de Deus, e esse, certamente, é conduzido a toda verdade revelada (Jo 16.13). É por isso que é impossível que um homem que se diz ter sido iluminado pelo Espírito Santo, negue o ensino de Jesus sobre a soberania de Deus, sobre o decreto de Deus, sobre o ensino a respeito da salvação somente dos eleitos, negue a doutrina da depravação total do homem; é impossível que um homem iluminado por Deus negue que o pecador é escravo do pecado e, ao mesmo tempo, afirme a existência do livre-arbítrio; enfim, é impossível que um crente genuíno negue aquilo que Jesus afirma, e afirme aquilo que Jesus negue. Se Deus lhe revelar, ele não negará, porém, se Deus não lhe revelar, certamente ele negará os ensinos mais preciosos de Jesus. Foi Cristo mesmo quem disse: “Foi meu Pai quem to revelou” (Jo 16.17).

Está escrito em Mc 8.30 que Jesus proibiu os discípulos de dizerem tal coisa a seu respeito [...]. Jesus proibiu os discípulos de propagarem aquela declaração por motivos óbvios: (1) Porque não é por ouvir outros dizerem que Jesus é o Cristo que os incrédulos irão se converter (2) Os pecadores não entenderiam pela carne ou pelo sangue que Jesus era o Cristo de Deus; se ouvissem tal afirmativa a respeito dele não acreditariam, pois o máximo que eles conseguiram foi taxar Jesus de João Batista, de Elias, ou de algum dos profetas, jamais do Messias (3) Foi somente quando estava próximo ao seu fim que Jesus começou a se declarar publicamente como o Filho de Deus, como o próprio Deus, porque Ele sabia que as reações seriam as mais violentas possíveis, as mais inaceitáveis e intolerantes, como de fato o foram; então, se no início do seu ministério, aqueles que já o conheciam como o Cristo de Deus, começassem a propagar, e todos seriam martirizados no nascedouro. Em outras palavras, Jesus está a dizer no v.30 que a hora de publicar que Ele é o próprio Deus ainda não havia chegado, e que eles contivessem a fortíssima emoção da iluminação que haviam recebido da parte de Deus.

Uma última coisa: Somente depois que Pedro confessou que Jesus era o Ungido de Deus, o Cristo de Deus, o Messias de Deus, é que Jesus começou a ensinar-lhes as lições que eles não estariam preparados para ouvir se não tivessem sido iluminados por Deus. Vejam com está escrito em Mc 8.31 [...]; A palavra “então” significa o seguinte: “Uma vez que meu Pai lhes iluminou o coração, vocês já podem começar a ouvir sobre a parte mais dura dos últimos acontecimentos”. E Jesus começou a lhes ensinar sobre os seus sofrimentos, a sua rejeição e a sua morte; tudo isso, pasmem, comandado pelos anciãos, escribas e principais sacerdotes. Essas três classes, em suma, representavam a sabedoria (com os anciãos) e a religião em Israel (com os escribas e os principais sacerdotes). Era o que se tinha de mais refinado em matéria de ensino da Escritura. Mas Jesus diz aos seus discípulos que são justamente eles que serão os responsáveis pelos seus sofrimentos, rejeição e morte. Eles comandarão todos os atos finais da vida terrena de Jesus. Certa vez Jesus disse aos crentes: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros me odiaram a mim” (Jo 17.18). Ora, também no tempo presente existem os anciãos, os escribas e os principais sacerdotes que perseguem a Palavra de Jesus, e muito mais perseguirão os crentes, aqueles que professam a resposta acertada a respeito de Jesus.

O v.32 diz que Jesus ensinou esse aspecto claramente [...], porém, mesmo com tanta clareza, Pedro, que acabara de dar a resposta da iluminação divina no seu coração, foi imediato em não admitir tais fatos e reprovar Jesus sem meias-palavras; o texto diz: “Mas Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo” (v.32). Jesus, então, fitou todos os discípulos, como a lhes chamar a atenção, de uma vez por todas, para o importante oráculo que iria pronunciar, e disse a Pedro: “Arreda Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim, das dos homens” (v.33). Em outras palavras: não crer que os inimigos da Palavra de Deus são os próprios anciãos (os representantes da sabedoria), os escribas (os professores da Palavra de Deus) e os principais sacerdotes (os principais pastores, aqueles que são tidos como os mais importantes), não crer dessa forma, é crer alinhado com Satanás, pois este sabe como ninguém, dar ares de santidade e de verdade àquilo que é mais falso e imundo. Ele é o especialista de todo o engano e sinais da mentira, e sabe muito bem mesclar a verdade com a mentira, o falso com o verdadeiro, o santo com o imundo. Ele, definitivamente, não cogita das coisas de Deus, disse Jesus. E Pedro estava pensando como Satanás, daí a dura repreensão de Jesus sobre ele.

Não procedamos como Pedro, que, depois de fazer a divina confissão, aventurou-se a repreender o Mestre, alinhando-se com Satanás, repreendendo Jesus por causa dos seus ensinos mais duros, e atraiu sobre si a mais severa repreensão que os lábios de Jesus pronunciaram no seu ministério terreno. As Escrituras existem para nos instruir, para nos corrigir em justiça. Conheçamos os verdadeiros professos pela resposta acertada dos lábios – “Tu és o cristo, o Filho do Deus vivo”. Não confiemos em homens cuja profissão dos lábios negue as principais verdades ensinadas por Cristo, notadamente aquelas verdades que ensinam os aspectos mais contrários à natureza humana e que deitam por terra qualquer importância pessoal, por exemplo: que Deus é totalmente Soberano no exercício da sua graça e salva somente os que Ele quer; que ninguém pode fazer absolutamente nada pela sua salvação, pois não depende de quem quer ou de quem corre; que Jesus exige que o culto seja prestado somente por pessoas que nasceram de novo. E que deve ser abolido do culto tudo quanto não esteja prescrito ou claramente inferido das páginas do Novo Testamento.

IV – CONCLUSÃO:

Quem é Jesus para você? Se você já foi iluminado por Deus dará a resposta correta e Jesus lhe considera um bem-aventurado, e essa condição será manifestada no seu viver diário; Quem der a resposta correta, é porque já teve os olhos espirituais abertos, já teve o coração disposto para entender e atender as coisas que a Palavra ensina e recomenda. Quem der a resposta correta é porque pertence ao rebanho do Senhor, cujas ovelhas ouvem a sua voz e O seguem (Jo 10.27). Se Deus tiver iluminado no seu coração a Palavra infalível, então você dirá: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.1,14); Se Deus tiver iluminado o seu coração com a sua infalível Palavra, então você crerá na Palavra de Jesus (independente que lhe seja agradável ou não), você temerá o Senhor mediante as suas ameaças, você reverenciará a Palavra de Jesus acima de qualquer conta; porém, se você não tiver sido iluminado pelo Espírito de Deus, então você poderá estar frente-a-frente com Jesus e não o enxergará; ouvirá a sua Palavra e não sentirá o temor que lhe é devido; não crerá nas ameaças que Jesus profere contra o seu pecado; não buscará o arrependimento, não clamará por perdão, será indiferente ao culto, à pregação, à vida diária de santidade; não terá os olhos postos na Palavra, mas em homens, aos quais bajula, teme, reverencia, sacrifica-se. Quem não foi iluminado por Deus imaginar ser Jesus um homem bom, um espírito evoluído, um grande profeta, que, à semelhança dos outros, pode ser olvidado, desrespeitado, não temido. Jamais Jesus será Deus para essa pessoa.
Temos temido a palavra desse infalível Profeta? Temos crido que, quem não der ouvidos às suas palavras será exterminado do meio do povo? Temos crido nesse Sacerdote eterno que, mesmo antes de o conhecermos, Ele já intercedia por nós? Temos crido que Ele continua presente e interessado nos nossos problemas, e continua como um incansável intercessor por causa das nossas fraquezas? Temos crido nesse Rei eterno, imortal, invisível, mas real, que tem o domínio absoluto sobre tudo e sobre nós? Ou temos nos rebelado ante a sua autoridade, sujeitando-nos a “chuvas e trovoadas”?

Dar a resposta correta a respeito de Jesus significa dar crédito à sua Palavra e obedecê-la. Jesus é a Palavra. Jesus é o Verbo. Confessar crer em Jesus e ao mesmo tempo descrer da Palavra é o absurdo da ignorância espiritual. Tudo quanto Jesus ensinou deve ser crido – “aquele que observar os mandamentos, posto que dos menores, e ensinar aos homens, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5.19).

Conta-nos a lenda grega o rei de Tebas, Laios, marido de Jocasta, foi prevenido por Delfos (o seu deus) que o seu filho Édipo o mataria e desposaria a própria mãe, sua esposa. Quando Édipo era ainda muito menino, Laios o abandonou nas montanhas, mas ele foi achado por pastores e entregue ao rei de Corinto, que o criou desde cedo. Já adulto Édipo voltou ao seu deus, a Delfos, para consultá-lo sobre o mistério do seu nascimento, escondido dele por aqueles que o criaram. No caminho, entrou em disputa com um velho e o matou vindo a saber posteriormente que era seu pai, Laios. Chegando às portas de Tebas, sua cidade natal, viu-se frente a frente com a Esfinge, um monstro fabuloso, com corpo de leão e cabeça humana, que aterrorizava a cidade, propondo um enigma aos viajantes que passavam pelo seu caminho. Ela perguntava: qual é o animal que pela manhã anda com três pernas, à tarde anda com duas pernas e à noite anda com três pernas? Todos quantos não acertavam a resposta morriam imediatamente, despedaçados que eram pelo monstro fabuloso. Nesse dia, encontrando-se com a Esfinge e ouvindo a proposição do enigma, Édipo pensou e respondeu: “O homem”, que ao nascer anda com quatro pernas (engatinhando), durante a vida adulta anda com duas pernas, e na velhice, anda com as duas pernas e mais uma bengala, isto é, com três pernas. Mediante a resposta obtida, a Esfinge desapareceu para sempre. Como recompensa pela resposta acertada, Édipo foi entronizado rei da Cida de Tebas, substituindo o rei assassinado, Laios (seu pai) e casando-se com a rainha viúva, Jocasta (sua mãe). A resposta errada matava. A resposta certa foi recompensada!

Quem é Jesus para você? Você dá a resposta certa, porque foi iluminado por Deus? Ou você dá a resposta errada, e ainda permanece nos delitos e pecados, longe da vida de Deus, alheio ao Verbo Eterno, tateando longe da pedra preciosa? Saiba de uma coisa: A resposta que for dada à pergunta “Quem é Jesus para você” traduzirá a sua condição de iluminado por Deus, a sua condição de viver guiado pela lâmpada da Palavra eterna, ou traduzirá a sua condição de escuridão, de apagão, de sombra, de cegueira. Quem é Jesus para você? AMÉM.

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, a autoria, e o conteúdo não seja modificado!

* Esse sermão foi proferido pelo Pr. Edson Rosendo de Azevedo, no domingo, Dia do Senhor, 12/05/2002, do púlpito da Primeira Igreja Batista Reformada em Caruaru. Foi baseado em Marcos 8:27-33. Para outras pregações da Igreja  de Caruaru clique aqui.



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