Nossa mutua relação no corpo de Cristo - Fabiano Rocha*.

Umas das grandes verdades sobre a igreja no Novo Testamento é que sua edificação decorre da diversidade de dons e serviços. Deus na formação da igreja não concentrou toda a capacidade em uma só pessoa mas deu fundamental importância a cooperação de todas as partes, visando sempre a edificação de todos. Essa realidade é demonstrada de forma muito clara através da figura do corpo humano. O funcionamento do corpo é perfeito, cada parte tem uma importância vital, nenhum membro deve ser desprezado. O corpo cresce e se desenvolve pelo funcionamento correto de todas as partes, que são ligados por juntas. Essa ilustração serve não só para explicar a verdade de que a igreja se constitui em corpo de Cristo, formado de vários membros, mas que também sua edificação e crescimento, assim como o do corpo humano, está no bom funcionamento de cada parte.

Há na igreja uma diversidade muito grande, isso em todos os sentidos, são homens e mulheres com temperamento e capacidade diferentes mas sobre tudo com dons e habilidades dada por Deus de forma também variada. Deus pelo seu Espírito, capacita o seu povo com diversos dons com o intuito de que todos trabalhem e cooperem para edificação da igreja. Ninguém deve considerar-se como completo e suficiente em si mesmo, como que existindo fora dessa relação corporal. A medida do dom de Cristo nunca é completa em uma pessoa. Deus enxerta na oliveira verdadeira que é Cristo , os ramos, e esses ramos obtém não somente vida, mas o Espírito de Deus capacita-os para a edificação da igreja. Isso é uma evidente prova de que a unidade se forma na diversidade. A edificação é fruto da multiplicidade de dons. Fomos feitos membros não só da igreja mas também uns dos outros. Precisamos dos olhos, assim como o olho precisa dos pés e das mãos. Há uma relação de interdependência ,mutualidade e diversidade. Mas por que Deus quis assim ? Para que todos cooperem com igual cuidado a favor uns dos outros(I Co 12:25). Isso elimina todo tipo de superioridade bem como de inferioridade. Assim como não há pessoas suficientes e completas em si mesmas, nem melhores uma que as outras, pois todos tem importância e dependem uns dos outros, também não temos pessoas que tenham pouca importância. A graça que capacita é a mesma graça que deve nos levar a pensar com moderação acerca de nós mesmos. Nem super estima nem inferiorização, mas pessoas com papeis e funções diferentes.

Essa verdade, da diversidade de dons e cooperação , é uma questão que precisa ser compreendida por muitos, principalmente em face de uma total alienação por parte de alguns cristãos em relação a sua função na igreja e importância como membro do corpo local. São pessoas que estão no corpo mas vivem como se não estivessem. Suas atitudes e vida não expressam a realidade de serem um membro vital para o funcionamento e edificação da igreja. São pessoas totalmente passivas nessa relação. Deus continua usando essa agência para edificar sua igreja, ou seja, a cooperação de todas as partes. Seja ministério, seja presidindo, seja exortando ou até mesmo exercendo misericórdia e liberalidade não somos pessoas insignificantes na obra de Deus, no corpo de Cristo. Paulo, que recebeu de Deus a graça e a capacidade para o desenvolvimento do seu ministério, não trabalhou sozinho, antes em suas incursões missionárias sempre esteve cercado de cooperadores que o ajudavam constantemente. Ele trabalhou em equipe. Eram homens que foram alcançados dentre os gentios bem como alguns judeus que também o acompanhavam. Isso dando assistência e cooperando juntamente com Paulo para edificação da igreja de Cristo. Em várias cartas , Ele faz questão de mencioná-los, de publicar a importância, as qualidades e características de cada um desses colaboradores na obra do evangelho. Assim deve ser, as varias partes devem visar a edificação do todo, que é a igreja.

*Pastor da Primeira Igreja Batista Reformada em Taguatinga.

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Leitura recomenda:

Nove Marcas de uma Igreja Saudável - Mark Dever.



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