João descrevendo João - Edson Rosendo*.

O título não se refere a uma biografia, mas ao apóstolo João descrevendo João Batista. João, o apóstolo, inicia seu evangelho mostrando o contraste que João Batista fazia entre si e Jesus Cristo. E esse contraste, de tão fundamental para o perfil de um homem crente, tem sido copiado por gerações inteiras, por aqueles que querem diminuir e virem Cristo crescer, por aqueles que rejeitam glória pessoal e se gloriam de estabelecer a glória de Jesus Cristo.

Foi dessa forma que o apóstolo João descreveu João Batista dizer que não era a luz, mas apontando Cristo como sendo a Luz do mundo. João Batista dizia ser homem, mas dizia que Cristo era o Verbo que estava com Deus e que o Verbo era Deus. Dizia ter sido cego e ter rejeitado Jesus, embora Jesus fosse a luz vinda de Deus. Dizia-se homem, enquanto acerca de Jesus apontava-o como tendo preexistência e, por isso, tinha a primazia em todas as coisas. Reconhecia em Jesus a fonte de todas as coisas, a fonte de toda graça e verdade. Recusou ser comparado com Elias ou mesmo com um dos profetas, mas intitulava-se como sendo o pregador do deserto, aquele que anunciava a chegada de Cristo aos homens nas trevas, nos desertos, nas encruzilhadas da perdição.

João Batista negava veementemente ser Cristo, o enviado, e se dizia, inclusive, indigno de abaixar-se e desatar as correias das sandálias de Jesus. Reconhecia que o batismo que ministrava era um tipo exterior do batismo interior, renovador, que Jesus batizaria os arrependidos. Era o tipo de crente que fazia questão de perder seus discípulos para Jesus, ao qual apontava como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e mandava seus discípulos irem após Ele. Recusou, tremendo, batizar Jesus, quando este o procurou, mas fazendo-o por ordem do Messias. Disse que Cristo era o criador de todas as coisas, que, sem Ele, nada do que foi feito se fez, que era a fonte da vida, a luz que vence as trevas, a luz que ilumina a todos, a fonte do novo nascimento, aquele que batiza com o Espírito Santo, a plenitude da graça e da verdade, o revelador do Pai, o filho de Deus. João Batista disse ainda que o homem não poderia receber coisa alguma se do céu não lhe fosse concedida, mostrando a sua convicção da doutrina bíblica da dependência de Deus. E, finalmente, disse: "Importa que Ele cresça e que eu diminua".

Por tudo isso, nenhum homem piedoso ou que persegue a piedade pode prescindir conhecer o caráter de João Batista e lhe copiar as atitudes de humilhação pessoal e exaltação de Cristo. João Batista esteve sempre no lugar em que deveria estar. Eis um santo no qual deve estar todo nosso prazer.

*Pastor da Primeira Igreja Batista Reformada em Caruaru.  

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, a autoria, e o conteúdo não seja modificado!

Leitura recomendada:

Conhecimento: Falso e Verdadeiro - D. M. Lloyd-Jones. 


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