Por que o homem somente é salvo pela fé? - Ezequiel Farias*.

(Este não tem o fim de deleitar sua alma, mas de revelar a verdade sobre o assunto)

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Embora a resposta bíblica seja tão clara, o homem natural não consegue crer em salvação sem a participação de suas próprias “obras de justiça”. Essa idéia sempre esteve presente na imaginação da grande maioria da humanidade (Mt 7.13: Jo 6.28) que, igualmente, sempre esteve oposta ao verdadeiro Cristianismo (Mt 7.14: Jo 6.29).


Talvez você tenha sido levado a imaginar ser possível expiar ou compensar seus pecados através de boas obras, penitências ou atos religiosos. O Cristianismo, todavia, ensina que as únicas obras que satisfazem a justiça de Deus são as de Jesus Cristo, o Deus-homem. Porque, como homem, cumpriu cabalmente a Lei de Deus (Rm 5.19) e, como Deus, morreu pelos nossos pecados sem nunca haver pecado (I Pe 2.22-24)! Em contrapartida, nenhum ser humano que pisou esta Terra pôde realizar tal feito, visto ser herdeiro de uma natureza completamente transgressora, “Porque de dentro do homem é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). Por isso, “não há homem que não peque” (I Rs 8.46a/I Jo 1.8), pelo contrário, “desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras” (Sl 58.3); “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas boas obras, como trapo da imundícia” (Is 64.6). É por esta razão que suas boas obras não podem agradar a Deus, visto serem manchadas por sua natureza. Por isso da Bíblia afirmar ainda que “não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque”, ou, “não há quem faça o bem, não há nenhum sequer” (Ec 7.20/Rm 3.12).

Essa nossa natureza teve origem no primeiro casal criado, quando, ao desobedecer a Deus (Gn 3.6,7), perdeu a comunhão (Is 59.1,2; Ef 2.1) e, automaticamente, aquela imagem e semelhança que tinha com o Criador (Gn 6.5/Rm 3.9-18). O pecado ali originado contaminou toda a natureza (Rm 8.22) e toda a raça humana (Rm 5.12), fazendo com que todos já nascessem debaixo da ira de Deus (Jo 3.36).

Diante desses fatos, você ainda acha que tem condições de se salvar sozinho ou mesmo entrar em parceria com Deus no que tange à salvação de sua alma?

Quando Jesus, após ser chamado de “Bom Mestre”, disse ao homem rico que quem era bom era Deus (Lc 18.19), o fez não porque não fosse Deus, mas porque aquele homem não considerava Jesus como Tal. Ao mesmo tempo, Jesus afirmava uma verdade absoluta e eterna: somente de Deus emana toda a bondade! E é exata e unicamente em razão deste fato que tudo ainda subsiste: “O Senhor é bom para com todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras” (Sl 145.9). Isto é, tanto a natureza como o ser humano ainda gozam de alguma harmonia somente em razão da misericórdia de Deus. Obviamente, você não pode tomar essa bondade “emprestada” e requerer salvação do próprio Dono dela por meio de boas obras, como se de você mesmo procedessem. Isso é o mesmo que tentar usurpar o atributo divino! Por isso Deus ter por maldito todo aquele que procura se justificar diante dEle através de obras de justiça própria (Gl 3.10).

É simplesmente por essas razões que seus atos bondosos ou religiosos nunca poderão lhe salvar ou sequer lhe aproximar de Deus, senão unicamente a fé em Jesus, uma vez que somente as Suas Obras são imaculadas: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1) e lhe adotar como Seu filho: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26/Jo 1.12). Somente nesta condição é que suas obras não serão mortas para Deus, porque serão frutos da “fé que atua pelo amor”: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Gl 5.6/Jo 14.15).
“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). Aliás, qual a razão da morte de Cristo, se por seu próprio esforço você pudesse chegar a Deus? Pois, “se a justiça é mediante a lei, segue-se que Cristo morreu em vão” (Gl 2.21). Por isso mesmo o Cristianismo ensinar que o homem somente é restabelecido à comunhão com Deus mediante a fé nos méritos do seu Filho (Rm 3.21-26), visto que “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Tm 2.5)!

Porventura, há outro motivo para a salvação do ladrão da cruz, senão em razão de “que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 3.16)? Já podemos entender, de acordo com a natureza humana apresentada por Jesus, que o chamado bom ladrão era tão mau quanto qualquer outro ladrão, e nós tão maus quanto eles. Por sinal, ele, juntamente com seu comparsa, estava praguejando contra Jesus momentos antes (Mt 27.44; Mc 15.32), mas, quando a Graça de Deus o alcançou (Ef 2.4,5) ele passou a demonstrar uma atitude de arrependimento e fé. E, sem nenhuma obra de justiça para Deus, a resposta de Jesus, no entanto, foi positiva: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23.40-43). (Não há fato bíblico mais óbvio como prova que a fé é suficiente para regenerar o homem.) É grosseira ignorância, pois, caminhar em oposição ao Deus Onisciente, depositando a confiança em doutrinas ou tradições de homens tão condenadas por Jesus: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens... Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição... invalidando a Palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes” (Mc 7.6-13)! Enquanto é sábio confiar – como o fez Maria – unicamente no Salvador (Lc 1.46,47), ainda mais quando se toma conhecimento de que não somente somos todos pecadores desde o ventre (Sl 51.5), como pecamos todos os dias contra Deus (Sl 90.8,9).

Portanto, jamais imagine que suas obras poderão de alguma forma lhe outorgar mérito diante de Deus. Pelo contrário, se você não confiar unicamente no sacrifício de Jesus Cristo em seu lugar, Ele mesmo não hesitará em condená-lo a um eterno sofrimento (Mt 3.12; 25.41), visto que suas melhores obras nunca poderão redimi-lo dos seus pecados, inocentando-o diante do Justo Juiz (Sl 7.11-13; II Tess 1.7-10).

Sabendo, porém, que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus... visto que se discernem espiritualmente” (I Co 2.14), não deixe de meditar nas Escrituras, pedindo a Deus que lhe conceda o dom da fé, que lhe fará confiar somente nas Obras de Jesus, o único a satisfazer a Justiça de Deus: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (II Co 5.21).

* Ezequiel Farias é diácono do Primeira Igreja Batista Reformada em Caruaru


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