Exposição do Evangelho de João: Reações negativas diante da pessoa de Cristo.

Passadas estas coisas, Jesus andava pela Galiléia, porque não desejava percorrer a Judéia, visto que os judeus procuravam matá-lo. Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima. Dirigiram-se, pois, a ele os seus irmãos e lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele. Disse-lhes, pois, Jesus: O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente. Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más. Subi vós outros à festa; eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não está cumprido. Disse-lhes Jesus estas coisas e continuou na Galiléia. Mas, depois que seus irmãos subiram para a festa, então, subiu ele também, não publicamente, mas em oculto. Ora, os judeus o procuravam na festa e perguntavam: Onde estará ele? E havia grande murmuração a seu respeito entre as multidões. Uns diziam: Ele é bom. E outros: Não, antes, engana o povo. Entretanto, ninguém falava dele abertamente, por ter medo dos judeus.”. (Jo 7:1-13).


I – INTRODUÇÃO:

O presente texto nos mostra a reação de algumas classes de pessoas diante de Cristo, a saber: Os religiosos, seus irmãos, e a multidão. A questão mais importante da vida é esta: Quem dizemos ser Jesus Cristo? Cremos e confessamos que disto depende nossa eternidade. O texto nos mostra que em geral as pessoas sempre manifestam alguma oposição a Cristo. Algumas vezes esta oposição é forte, outras vezes é mais suave. No entanto, o homem natural sempre se opõe a Cristo. Vamos analisar a passagem pensando em nossa própria situação diante desta questão essencial. Eu lhe pergunto: Qual sua reação diante de Jesus Cristo?



II – A REAÇÃO DOS RELIGIOSOS (Jo7: 1).

Neste verso somos informados que Cristo andava pela Galiléia após os acontecimentos narrados no capítulo seis, ou seja, a multiplicação dos pães e peixes, seu caminhar sobre as águas, e seu discurso sobre o pão da vida. Lemos que Ele, então, continuou a andar pela Galiléia, naturalmente exercendo por lá o seu ministério. Também somos informados o motivo deste fato: Os judeus queriam matá-lo na Judéia. Esta oposição grave dos judeus era conseqüência da reivindicação de Cristo de estar no mesmo patamar que o Pai (Jo 5:18).

Mas quem eram estes judeus? Pelo verso treze do capítulo sete deduzimos tratar-se dos líderes religiosos, pois lá a multidão é distinguida do grupo dos judeus. Portanto, temos aqui a reação dos religiosos: Queriam matar Jesus, pois o consideravam um blasfemador, um falso profeta. Esta reação é deveras surpreendente devido a sua origem: Um grupo de religiosos, de homens que estudavam a Lei, e os profetas, e que deveriam ter reconhecido a Cristo como aquele que fora prometido no Antigo Testamento. No entanto sua religião não passava de doutrinas de homens (Mc 7:1-23), não seguiam de fato a Palavra de Deus, e assim não reconheceram o Cristo. Na verdade enquanto acusavam a Cristo de falsidade, eles é que eram os falsos, pois exerciam poder sobre as demais pessoas arrogando-se líderes espirituais, mas não passavam de falsos profetas. O terrível é que não apenas destruíram a si mesmos, mas também destruíam aos outros (7:13). Um falso líder religioso é a pior tragédia de uma sociedade, pois afastas os homens de Deus, fazendo-os crer que estão perto Dele. Tais homens afastam as pessoas de Cristo quando elas estão próximas Dele (Mt 23:13).

Diante de verdades tão sérias todos os religiosos que se deparam com este texto deveriam desconfiar de sua religião. A questão é sempre esta: O que dizemos de Cristo? Cremos Nele conforme nos mostram os evangelhos e toda a Bíblia, ou nos alinhamos com os seus inimigos desejando matá-lo? Evidentemente que hoje ninguém pode matá-lo, visto que não mais se encontra em um corpo físico entre nós. Todavia este desejo se reproduz em qualquer tempo quando os homens o consideram um mentiroso, ou criam outro Cristo não de acordo com a Bíblia. Que cada um em oração avalie a si mesmo diante destes fatos!

III – A REAÇÃO DOS IRMÃOS DO SENHOR (Jo 7: 2-10).

Chegamos agora a reação de outro grupo, o grupos dos irmãos de Nosso Senhor. Se foi surpreendente a reação dos religiosos, mais surpreendente ainda foi a de seus irmãos, pois não creram Nele (Jo 7:5). Esperaríamos uma reação mais favorável deles, pois eram família. Imaginemos ter Jesus, o próprio Filho de Deus, como irmão. Nunca houve um irmão tão amável, tão santo, tão justo como Ele. Ele, o irmão destes homens, era o Deus-homem, o perfeito Jesus, o Verbo de Deus. Mas ainda assim eles não creram.

Esta incredulidade manifesta-se na incompreensão sobre o tipo de messias que Jesus era. Eles entendiam que Jesus deveria buscar a publicidade. Estava próxima a Festa dos Tabernáculos, quando as pessoas por uma semana viviam em tendas para lembrarem e comemorarem a peregrinação no deserto, e alegrarem-se pela colheita (Lv 23: 39-44). Nesta ocasião vinham judeus de várias partes para a Judéia, local onde a festa era celebrada. Jesus então, no pensamente de seus irmãos, teria oportunidade de operar seus milagres diante de grande público. Mas Jesus não se apressou em ir para a Judéia, permanecendo na Galiléia, local comparativamente sem importância. É como se disséssemos a alguém que procura a fama: “Porque permaneces no interior? Vai para a capital, homem, vai para Brasília!”. Os irmãos de Cristo não entendiam porque Ele continuava na Galiléia em uma ocasião tão propícia ocorrendo na Judéia. Assim o aconselham a que manifeste seus milagres “ao mundo”. Eis uma tentação que Cristo já enfrentara no deserto diante de satanás (Mt 4:6).

Mas, o Senhor não buscava apresentar um espetáculo para produzir publicidade. Tal busca faz parte da mentalidade de homens que pertencem ao “mundo”, que é a “humanidade alienada da vida de Deus, e manifestando-se em evidente hostilidade contra Deus e seu ungido” (Hendriksen). São os homens mundanos que procuram esta fama e glória mundanas, assim com os irmãos do Senhor, a quem o mundo não odeia (versos 6 e 7). Mas o Senhor não pertence ao mundo, mas é odiado por ele, pois denuncia seus pecados. O Senhor faz tudo não no tempo dos mundanos, mesmo no caso de quando ir a festa dos tabernáculos, mas sempre age no tempo de seu Pai. Assim a motivação de Cristo não era ser um messias espetaculoso, como seus irmãos mundanos queriam, mas Ele era o messias verdadeiro, o que fora enviado pelo Pai, e fazia tudo conforme sua vontade (Jo 5:30). Portanto, o Senhor não segue a orientação tola de seus irmãos, sim, Ele vai a festa, porém depois, não no tempo de seus irmãos mas de seu Pai.

Nesta reação de seus irmãos nós podemos ver o tipo de messias que os homens buscam, ao mesmo tempo em que percebemos a cegueira humana, que mesmo convivendo com Jesus tão de perto, sendo sua família, não consegue compreende-lo. Os homens buscam um messias mundano, e continuarão buscando mesmo diante das mais claras evidências que demonstram como deve ser o verdadeiro messias. É assim porque os homens por natureza pertencem ao mundo, sendo hostis a Deus e sua vontade, não desejando Messias que Ele enviou. Hoje não é diferente, pois as pessoas continuam buscando o Jesus espetaculoso, que opera milagres, que busca multidões, que chama a atenção dos incrédulos dando-lhes o que querem ver. Mas o Jesus da Galiléia, o que não procura a publicidade, o que vai a Festa sem alarido (verso10), aquele que busca em vez de publicidade, a vontade do Pai, aquele Jesus pregado com simplicidade bíblica, sem ostentação e milagres, o Jesus Salvador do pecado, este Jesus é rejeitado pelos homens do mundo. Você percebe isso, amigo? Qual é o seu caso?

IV – A REAÇÃO DA MULTIDÃO (Jo 7:11-13).

Temos agora a reação da multidão, e como normalmente acontece, temos um misto entre um grupo que dizia ser Jesus um falso profeta, e outro que dizia ser Ele bom. No entanto os grupos são semelhantes no medo dos lideres religiosos. Por isso falam baixo sobre Cristo e não abertamente.

Portanto temos aqui um grupo a favor de Cristo e outro contra Cristo, mas em todos vemos a covardia diante da liderança religiosa. Permitam-me elaborar algumas considerações à luz destes fatos. A tendência geral é a de se ter medo dos homens em vez de temer a Deus. E isto se torna mais evidente quando este medo se refere a líderes religiosos. A liderança de uma falsa religião sempre acaba por escravizar os seus adeptos de alguma forma. Estes falsos profetas estendem suas correntes sobre as mentes e ações dos homens e os mantém presos, mesmo quando possuem alguma simpatia por Cristo. Assim as pessoas temem ir a Cristo, pois não querem contrariar a estes falsos profetas. O temor vem de alguma ameaça por parte destes líderes falsos. Pode ser que a própria vida seja ameaçada, ou os bens, ou a salvação, enfim alguma ameaça é feita de forma clara ou velada, deixando as pessoas com medo. Pode ocorrer até que as pessoas temam seguir a Cristo, o Cristo da Bíblia, pois os falsos profetas as convenceram que o falso Cristo que eles apresentam seja o verdadeiro. Assim estas pobres pessoas temem se aproximar do verdadeiro Cristo, pois acham que com isso estarão desagradando a Deus. O fato é que de uma forma ou de outra sempre um falso profeta escraviza a seus seguidores afastando-os de Cristo. Estes homens tornam-se senhores da consciência alheia e dominam seus semelhantes que temem desobedecê-los. Talvez a seguinte citação da Confissão de Fé Batista de 1689, no capítulo sobre a liberdade de consciência, seja útil aqui:

Somente Deus é Senhor da consciência, e Ele a liberou das doutrinas e mandamentos de homens que entrem em contradição com a Palavra ou que não estejam contidos nela. Por isso, acreditar em tais doutrinas ou obedecer tais mandamentos, por causa da consciência, é trair a verdadeira liberdade de consciência. A exigência de uma fé irrestrita, de uma obediência cega e total, significa destruir ao mesmo tempo as liberdades de consciência e raciocínio”.

Amigo, você não é um animal, um cavalo, que por não ter entendimento precisa ser dominado com freios e cabrestos, mas é um ser humano, que possui uma mente que deve ser instruída pela Verdade da Palavra de Deus (Leia Sl 32: 8,9). Só a Deus você deve seguir, e Ele em sua Palavra diz que você deve olhar para Cristo, Seu Filho, e crer Nele como Salvador. Não seja covarde, como as pessoas de nosso texto, mas firme e corajoso em crer em Cristo custe o que custar, pois mais importa agradar a Deus que agradar aos homens (At 4:19,20 e 5:28,29)! Todavia sabemos que só Deus pode nos tornar intrépidos para seguirmos a Cristo (Jo 6:41-45). Se é assim, então clame pela graça de Deus em sua vida, suplique que Ele lhe revele a Cristo e lhe conceda fé Nele, e busque este Cristo, procure conhecê-lo na Bíblia e pela pregação Fiel as Escrituras. Que Deus liberte a todo o leitor da influencia dos falsos profetas, trazendo-os a Cristo, seu Filho!

V – CONCLUSÃO:

Como temos reagido diante de Cristo? Como os falsos líderes religiosos? Como os irmãos mundanos de Cristo? Como a multidão covarde? Este é o quadro do homem natural: Ele sempre reage negativamente diante de Cristo. Mas Deus tem os seus, e a estes Ele mesmo traz a fé corajosa em seu Filho Jesus. Que você, meu leitor, seja um destes. Creia hoje em Cristo! Amém!

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, e o conteúdo não seja modificado!


Adquira a primeira parte da versão impressa destas exposições clicando aqui.

Leitura recomendada:


As Raízes de Uma Fé Autêntica

Comentários

  1. Caro Coelho Jr.

    Parabéns pelo seu trabalho na web!.

    Se permite,

    Diversos assuntos têm inquietado muitos de nós cristãos e a internet tem sido um espaço precioso onde podemos discutir diferentes pontos de vista sobre a religião, cultura, política e, sobretudo, o que acontece na sociedade seja no Brasil como em todo o mundo.

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Caros amigos, como o propósito do blog é mostrar o que a Bíblia ensina para a nossa edificação espiritual, e não fomentar polêmicas, que tendem a ofensas e discussões infrutíferas, não publicarei comentários deste teor, tão pouco comentários com linguagem desrespeitosa. Grato pela compreensão.

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