Exposição do Evangelho de João: O Pai é quem traz!

Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, agora diz: Desci do céu? Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto.” (Jo 6:41-46).

I – INTRODUÇÃO:

Nem diante das mais claras evidências os seres humanos crerão em Cristo. Em vez disso eles recorrerão a falsos argumentos e neles permanecerão teimosamente chegando a conclusões enganosas, destruindo a si próprios. Isso ocorre porque o coração do homem está em profundas trevas. No entanto, este não é o fim da história, graças a Deus! O Pai trará a Cristo aqueles que Ele quer. Esta obra do Pai é nossa verdadeira esperança!



II – A REAÇÃO HUMANA DIANTE DA VERDADE E SUA CONSEQÜENCIA (Jo 6:41-43).

Já vimos em nossos estudos anteriores as copiosas evidências em forma de milagres, e de sua Palavra, que Nosso Senhor dera aos galileus a respeito de Ele ser o Filho de Deus. Vimos também como a princípio aquelas pessoas pareciam muito entusiasmadas com Cristo. Elas seguiam-no por terem visto seus sinais (6:2), e diante do espantoso milagre da multiplicação dos pães e peixes queriam fazê-lo Rei (6:14,15). Além disso, observamos que muitos deles ficaram próximo ao local do milagre até o dia seguinte, e atravessaram o mar para procurá-lo (6:22-25). No entanto, nada disso empolgou Nosso Senhor. Ora, Ele conhece os corações e logo viu que aquela motivação era materialista e os denunciou por isto (6:26). Portanto, podemos dizer que tudo aquilo era “fogo de palha”, era uma motivação falsa e assim passageira. Quando Cristo esclareceu quem de fato Ele era aquelas pessoas se escandalizam, e começam a raciocinar contra Ele, e mais adiante acabam por abandoná-lo (6:41,42,60,66). Dessa forma, mesmo diante de tantas evidências o resultado foi incredulidade. Que coisa impressionante e triste. Porém precisamos encarar este fato com toda a clareza para que não confiemos na força dos homens, não confiemos inclusive em nós mesmos, mas saibamos que só a graça de Deus é nossa esperança. Afirmo que o homem naturalmente é incrédulo, e nunca virá a Cristo a não ser que o mover da Deus o alcance!

Olhemos agora nosso texto mais de perto para compreendermos como esta rejeição incrédula acontece. Observamos que quando eles entendem que Jesus afirmava ser o “pão que desceu do Céu”, eles começam a murmurar, ou seja, começam a comentar baixinho entre eles próprios apresentando certos argumentos que denigrem o Senhor. Seus argumentos giram em torno de ser impossível Cristo ter descido do Céu visto que todos conheciam seus pais. O que eles queriam dizer era que Jesus tinha nascido como todos os outros homens, e, portanto, era como todos os outros, não tinha vindo do Céu coisa nenhuma.

Na verdade este raciocínio parece até correto à primeira vista. Deixe-me explicar: Suponhamos que você me conheça desde criança. Portanto, você terá também conhecido meus pais. Você me viu recém nascido e acompanhou meu crescimento até que me tornei um homem adulto. Suponhamos que no presente eu chegue a você e diga: “eu desci do Céu”. Você acreditaria em mim? Logicamente você não acreditaria, e diria que eu estou louco ou presunçoso. Assim, a primeira vista, o argumento dos ouvintes de Cristo parece justo. No entanto, é isso mesmo: Apenas parece, pois de fato não é justo. Ora, o Senhor Jesus já tinha dado sobejas provas de que realmente Ele não era um mero ser humano como os demais, mas sim o Filho de Deus encarnado, o Verbo Divino. Ele estava diante deles trazendo a Revelação do Pai, Ele próprio é esta Revelação, Ele é o Verbo, a Palavra! Suas palavras possuíam autoridade dos testemunhos do próprio Pai que confirmavam quem Ele dizia ser (Jo 5:31-47). O recente sinal da multiplicação dos pães e peixes era apenas um de tantos testemunhos que o Pai estava dando sobre seu Filho. Portanto, não havia motivo para aquelas pessoas argumentarem daquela forma desrespeitosa. Eles estavam dizendo que no mínimo Jesus era um presunçoso, e isso mesmo diante de tantos testemunhos que comprovavam que Ele dizia a Verdade.

Na realidade o problema daquelas pessoas estava em seus corações. O pecado habitava lá. O pecado é trevas e leva os homens a raciocinarem da forma que demonstrei, o que parece bastante racional e justo para o pecador cego, como acabamos de ver no exemplo que dei. O que acontece é que o pecado faz os homens serem orgulhosos o suficiente ao ponto de acharem que podem julgar a própria Palavra de Deus em vez de se submeterem a ela. Eles se põem como juízes da Palavra Divina, crêem que sua razão desassistida é mais sábia que a Revelação que Deus está lhes dando. Assim, achando-se sábios tornam-se loucos (Rm 1:21,22), pois a criatura não pode saber mais que o Criador. Mas os homens dominados pela cegueira do pecado crêem que sabem mais que Deus, que suas mentes podem argumentar e desfazer a Revelação de Deus. Oh amados, como toda esta atitude é absurda, mas é assim que os homens agem no pecado: Eles põem a razão acima da Revelação. Eles se entregam a seus argumentos tolos e chegam a conclusões que para eles parece óbvio. Mas o fato é que parece óbvio porque exatamente eles abandonam a Luz da Revelação.

Podemos ilustrar assim: Se você estiver em uma casa no escuro e alguém colocar um tecido da casa em suas mãos perguntando-lhe a cor do mesmo, você não poderá dar a resposta. Mas se você já conhece os tecidos daquele ambiente, e assim suas cores e texturas, pode ser que você se arrisque em fazer uma afirmação apenas pelo sentido do tato. Pode ser também que você chegue a ter certeza da cor apenas tocando no tecido, entendendo que o tecido da dita cor tem a textura que você agora sente em suas mãos. No entanto, a chance de errar é muito grande, visto que dois tecidos de cores diferentes podem ter texturas semelhantes. Dessa forma alguém pode estar muito certo de algo, estando na verdade iludido, mas o que ocorre é que a escuridão não permite que ele perceba sua ilusão. Na vida espiritual algo semelhante acontece: Quando os homens desprezam a “Luz” da Palavra de Deus eles chegam a falsas certezas. É que seus corações escuros os iludem. Eles ficam certos de algo, mas a realidade é que estão completamente enganados. Isso ocorreu com aqueles ouvintes de Cristo. Amado leitor, você não está fazendo o mesmo hoje? Saiba que quando você despreza a Palavra de Deus, que quando você põe a sua razão pecaminosa e cega acima da luz da Palavra de Deus, é isso que está fazendo, e o resultado é uma conclusão falsa que poderá te desviar de Cristo, levando-te a Condenação Eterna, ao Inferno. Cuidado, meu leitor. Você não é mais sábio que Deus! Na verdade a única sabedoria é a que vem de Deus. Muito cuidado para não desprezar a Revelação de Deus em Cristo!

Mas qual a conseqüência de tudo isso? Leiamos o que o Senhor disse a eles:

Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós” (Jo 6:43).

O Senhor os repreende. Com isso ele mostra que não há motivo para o murmúrio. Aquele murmúrio é irracional e pecaminoso, e deve ser repreendido. Isso também mostra que Nosso Senhor os chamava para a responsabilidade pelos seus atos pecaminosos. Os homens responderão por sua rebelião deliberada a Cristo. Ouça bem amigo, ouça bem: Você responderá por sua constante rebelião a Cristo. Você é responsabilizado por Deus por esta rebelião, e em breve terá que prestar contas diante de Deus. O Senhor te ordena a que pare com isso, que se arrependa e creia em Cristo. Ouça a Palavra:

Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião. Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam.” (Sl 2).

III – O PAI CONDUZ A CRISTO (Jo 6:44-46)!

Diante da incredulidade dos ouvintes o Senhor afirma que é o Pai quem traz os homens a Ele. Entendo que o Senhor ao constatar tal incredulidade procurou mostrar que de fato da parte do homem natural é apenas isso que se pode mesmo esperar mesmo: incredulidade. Os homens sem a graça de Deus raciocinam levados pelo pecado que habita em seus corações. O resultado é o que vimos no tópico anterior. Mas demos graças a Deus, pois esta não é a palavra final. Deus tem os seus, e estes Ele trará a Cristo.

No verso 4 Jesus deixa claro que ninguém vem a Ele a não ser que seja trazido pelo Pai. Assim fica evidente que é efetivamente impossível que uma pessoa venha a Cristo a não ser que o Pai a traga. E é assim devido, conforme temos visto, ao fato de o coração do homem gerar apenas incredulidade. Somente a graça do Pai pode mudar isso. Tal realidade é o motivo de nossa esperança e louvor a Deus. Ora, o que vem do homem é apenas queda, mas Deus pode levantar os mortos. Ele o faz na vida daqueles que deu a seu Filho (6:37). A eles Cristo recebe e os ressuscitará no último dia.Aqui jaz uma promessa extremamente consolara. No que diz respeito ao homem, vemos apenas morte e condenação inevitável, mas Deus em Cristo salva os eleitos e estes com certeza vencerão, pois são dados a Cristo que os recebe e promete que os ressuscitará. Amigos, devemos meditar muito neste fato glorioso.

Para entendermos melhor suponhamos que um carro segue para um precipício e finalmente despenque. Este carro agora está em queda livre e nada pode livrá-lo, pois a gravidade o puxa para a destruição. Ele gradativamente se dirige ao seu fim terrível. Assim é o homem sem a graça de Deus. Ele caia e cai até chegar ao inferno. Mas, suponhamos, que próximo ao lugar da queda, um avião esteja decolando e passe por ali. Dessa forma enquanto o carro cai o avião sobe. No caso daquele, a gravidade o empurra para a destruição, e no caso deste, outra força vence a gravidade levantando-o do chão, e tal força é a pressão do ar por baixo das asas. Esta pressão é mais poderosa que a gravidade. Assim é a obra do Pai na vida dos eleitos. Ele vence por sua graça a resistência natural destes, e os conduz a Cristo. Dessa forma há esperança e alegria, pois a palavra final não é do pecado, mas do Senhor. Nada pode impedir a vitória do Senhor na vida de seu povo. A cada um destes que o Pai traz Cristo ressuscitará no último dia. Regozijemo-nos nesta obra do Pai!

Mas como o Pai faz isso? O Senhor responde no verso 45 comprovando o que acabara de dizer citando provavelmente Is 54:13. Observemos os verbos: “ensinar”, “ouvir”, “aprender”, e “vir” neste verso. Aqui temos uma seqüência apropriada de ações, e devemos entender que todas são operações do Pai no coração dos eleitos sem as quais não se chega ao resultado final, ou seja, vir a Cristo, que é crer Nele. Assim todo aquele que vem a Cristo é primeiro “ensinado” pelo Pai, ou seja, Deus o ilumina por seu Espírito a respeito da Verdade pregada. Ele também torna esta pessoa dócil de maneira que ela “ouve”, ou seja, dá a devida atenção ao que lhe é mostrado na iluminação. Dessa forma a pessoa, também pela obra da graça, “aprende”, ou seja, adquire o conhecimento da Verdade, e agora é capacitada pelo Pai a “crer” nesta mesma Verdade aprendida, “vindo” a Cristo para ser salva. Tudo isso o Pai faz vencendo a resistência natural, e naqueles que não o faz, estes jamais virão a Cristo. Trata-se de uma obra no coração, é o chamado eficaz. Notemos que ninguém é forçado a vir, mas vem voluntariamente como resultado da graça do Pai, e que tudo é espiritual, não acontece de forma visível ou audível, pois ninguém viu a Deus, a não ser Cristo, o que veio de Deus (6:46).

Amigo, e você como está? Já veio a Cristo? Talvez você diga: Como saberei que sou um deste que o Pai traz ao Filho? Como saberei que sou um Eleito de Deus? Bem, você está fazendo a pergunta errada, colocando o “carro na frente dos bois”. A grande questão é: Você já veio a Cristo, já creu Nele? Esta é a grande questão. Venha! Creia! Então saberá que foi trazido pelo Pai. Mas se você diz que não consegue crer, de fato diz uma verdade, pois, como vimos, ninguém crerá por sua força. Neste caso clame pela graça de Deus, e exponha-se a pregação procurando entender a Verdade. Faça isso já! Oh amigo leitor, venha e creia em Cristo! Que Ele derrame sua graça sobre você conduzindo-o a seu Filho Jesus!

IV – CONCLUSÃO:

No homem não achamos esperança, mas incredulidade, miséria, morte e condenação. Mas nossa esperança está no Pai, em Cristo seu Filho, pois Ele graciosamente opera no coração de seu povo conduzindo-o a Cristo. A cada um que pertence a este povo, o Filho recebe e promete que ressuscitará no último dia. A Obra do Pai é certa, a obra do Filho é certa. Por isso estamos alegres a cheios de esperança. Amém!

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, e o conteúdo não seja modificado!

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Leitura recomendada:
 
Vivendo com o Deus Vivo

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