Estudo 5: O Evangelho - O Homem não pode se salvar (Áudio, vídeo e texto)* - Manoel Coelho Jr.



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Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;” Ef 2: 8.

Tendo meditado brevemente na verdade da Ira de Deus, logicamente chegamos a seguintes questões: Há alguma esperança? Podemos de alguma forma nos reconciliar com Deus? Temos visto que a plena Ira de Deus virá na Volta de Cristo. Há algum meio de estarmos preparados? Podemos nos livrar da ira vindoura? Louvado seja Deus que a Bíblia apresenta a verdadeira esperança, mas antes de falarmos dela precisamos nos desiludir das falsas esperanças que nos são apresentadas. Todas essas falsas esperanças têm por base a confiança que o homem por seus próprios recursos pode alcançar o favor de Deus. Muitos creem que por suas boas obras, religião, ou moralidade podem agradar a Deus ao ponto de apaziguá-lo tornando-o seu amigo. Tudo isso é achar que o homem pode alcançar a salvação por suas forças. É confiar no homem. Desejo demostrar brevemente que esta confiança determina a falácia, o engano de toda esta posição, pois o ser humano não possui tais recursos.

Na verdade a confiança das pessoas no homem vem do próprio pecado nelas, pecado que é essencialmente orgulho. Agrada as pessoas crerem que têm capacidades para agradar a Deus. Isso as enche de orgulho. Mas o fato é que se realmente seremos salvos devemos entender que nada podemos fazer. Como diz J. C Ryle ao falar do conteúdo da pregação dos líderes evangélicos ingleses do século XVIII: “Por mais estranho e paradoxal que possa parecer a alguns, o primeiro passo deles (Dos líderes) no propósito de tornar bom o homem, era mostrar-lhes que eles eram completamente maus; e o seu argumento primordial, no sentido de persuadir as pessoas a fazerem alguma coisa por suas almas, era convencê-los de que não podiam fazer nada por elas.” (J. C. Ryle – Líderes evangélicos do Século XVIII, página 20). Esse também é meu argumento, prezado leitor. Quero demonstrar-lhe que você não pode se salvar. Quero levar-lhe a desistir de toda falsa e destruidora esperança que o pecado lhe oferece. Ao longo dos anos tenho observado que o pecado trabalha de duas formas no coração dos homens, isto é, ou os leva a esquecer totalmente a dívida que eles têm com Deus fazendo-os entregar-se a libertinagem, ou, se por algum motivo eles começam a considerar tal dívida, os leva a falsa esperança da justiça e religiosidade humana. Infelizmente há muitos religiosos perdidos, pois acreditam em si mesmos e não em Cristo. Meu propósito neste simples estudo é pelas Escrituras demolir sem piedade tal falsa e danosa esperança.  Destruamos então a falsa solução para só depois de forma apropriada apresentarmos a verdadeira.

1 – O homem não pode se salvar devido a Santidade de Deus.

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!” Is 6:1-5.

O exemplo acima é apenas um dos tantos na Bíblia que mostram a reação dos homens diante de Deus. Quando um homem conhece a Deus logo ele percebe a pureza e santidade absoluta do Altíssimo. Por consequência ele também vê que não pode estar na sua presença por ser um miserável pecador. Vê-se como totalmente inadequado na presença de Deus. Isso ocorre porque a luz do conhecimento de Deus também lhe concede conhecimento de si próprio. É como uma lavadeira que pensa que não há nada mais alvo que suas roupas, mas que percebe o engano quando as compara com a neve. Ao conhecer a Deus um homem também conhece a si próprio.  Ele vê como é diferente de Deus. Ele vê a pureza em Deus entendendo que tal qualidade não existe em si, mas ao contrário, o que há é uma terrível sujidade. A conclusão que chega é que não há nada em si que possa agradar a Deus. Como o imundo pode agradar o Santíssimo? Para entendermos melhor a natureza de nossa miséria aos olhos de Deus, vejamos os próximos pontos.

2 – O Homem é culpado diante de Deus.

por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação” Rm 5:18.

Esta culpa vem de Adão. Ora, Adão é o representante da raça humana. Ele foi provado como representante de todos nós. Infelizmente caiu miseravelmente trazendo culpa a todos. Dessa forma cada criança já nasce culpada aos olhos de Deus. Diz Davi: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” Sl 51:5. O que um homem pode fazer para resolver isto? Será que boas obras podem resolver o problema desta culpa? Não, não pode, pois obediência atual não poderia retirar a culpa da desobediência passada. A culpa permanece e tem que ser tratada. Mas o fato é que, como veremos, não existe nem mesmo esta suposta obediência atual. Veja o próximo ponto.

3 – O Homem é por natureza pecador.

Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” Rm 8:6-8.

O pecado de Adão não nos trouxe apenas a culpa. Por consequência também, nos trouxe uma natureza que odeia a Deus e a sua Lei e ama fervorosamente o pecado. Somos pecadores e por isso pecamos. Por natureza somos uma árvore má que produz frutos maus. Por isso Paulo diz que é impossível os que estão na carne agradar a Deus. Carne é nossa natureza pecaminosa. É o que somos em Adão. Já nascemos assim. Por isso pecamos. Você não percebe que é mais fácil mentir que dizer a verdade? Não percebe que é mais fácil magoar-se que perdoar? Não percebe que quando fala tem grande possibilidade de ofender? Não lhe é mais fácil gritar que ter calma? Nunca você se assusta quando a consciência denuncia pensamentos ou desejos condenáveis que você se envergonharia se fossem publicados? Não há em você coisas semelhantes a essas o tornando mais susceptível ao erro que ao acerto? Todas estas coisas são frutos de uma natureza má.  O homem por natureza odeia a Deus. O homem por natureza odeia a Lei de Deus. O homem por natureza odeia os Dez Mandamentos. Assim toda a suposta obediência na verdade não é obediência, pois quando alguém aparentemente obedece sempre há no mais íntimo alguma rebelião contra Deus. Assim é que “o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” Rm 8:6-8.

4 – A justiça do homem aos olhos de Deus é injustiça.

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam.” Is 64:6.

A consequência dos pontos anteriores é que qualquer obra de justiça humana aos olhos de Deus é injustiça. Como diz Isaías, é um trapo da imundícia. É assim por quatro motivos:

A – Deus é Santo. Deus não pode aceitar o pecado em nenhum grau. Pelo o que já vimos as justiças do homem já vem com muito pecado devido ao que o homem é. Assim esta justiça na verdade é injustiça, pois é justiça misturada com pecado. Como pode isso ser aceitável ao Santíssimo que exige pureza absoluta?

B – O Homem é culpado. Vimos que todos já trazem a culpa de Adão. Nossas justiças não podem desfazer aquela culpa. Assim continuamos culpados e só por isso nossas justiças são aos olhos de Deus consideradas injustiças. Mas também já nos fazemos culpados por nossos pecados atuais. Tal culpa também não é desfeita por nossas obras de justiça. Assim, nossas justiças diante do Santo Deus são injustiça, devido a por toda esta carga de culpa.

C – Temos uma natureza pecaminosa. Essa natureza odeia a Deus e sua Lei. Assim qualquer suposto ato de Justiça de nossa parte vem de um ser rebelado. Tal fato por si só já anula a nossa “justiça” tornando-a injustiça.

D – Nossas justiças são injustiças em essência. Na verdade quando por nossos recursos pensamos que estamos fazendo uma “boa obra” na verdade não estamos. Todas nossas obras vêm de um coração mau. Isso produz motivações erradas, pecaminosas. Uma pessoa pode aparentemente fazer o que é certo, mas sempre seu coração mau gera motivações pecaminosas. É o caso de alguém que dá comida a um pobre só para ser elogiado ou para se orgulhar consigo mesmo. Percebe? Isso já é pecado. Assim nossas melhores justiças e boas obras já são pecado tornando-se aos olhos de Deus injustiça.

Gostaria de encerrar colocando diante de você os Dez Mandamentos. Creio que se Deus lhe der graça você perceberá que não têm cumprido nenhum deles com exatidão. Os mandamentos exigem um coração e desejos perfeitos que gerem práticas perfeitas. Assim Jesus ensinou (Mateus 5 e 6). Pelo o que já vimos ninguém tem tal coração, desejos ou práticas. Dessa forma todos somos pecadores. Deixo-lhes abaixo uma análise e aplicação dos Dez Mandamentos de quando fiz um estudo no Salmo 2. Leia e medite.

Os reis e os povos se revoltam contra Deus e seu Cristo. A revolta é contra o reinado de Deus e de Cristo. Eles consideram o Reinado Divino uma escravidão e desejam romper os laços e sacudir as algemas. Eles querem liberdade. Querem ser livres de Deus. Não aceitam seu reinado sobre eles por considerarem muito limitador de suas vontades. Querem liberdade, querem que suas vontades possam ser expressas com toda a potência. Acham os caminhos de Deus muito estreitos e desejam o caminho largo (Mt 7:13,14). A grande ênfase deles é: Liberdade.

 Esta é a essência do caminho dos homens não convertidos, dos homens ímpios. Eles odeiam, a Deus e a Cristo. Odeiam o Reinado de Deus, odeiam sua Lei. Ao examinarmos os Dez Mandamentos em Êxodo 20, que são a Expressão da Vontade de Deus para os homens, percebemos a forma em que esta busca de romper os laços se manifesta.

 1 - Deus diz que é o Único Deus e que deve ser o Único dos homens. Mas estes adoram a muitos ídolos e desprezam a Deus. Querem a liberdade para ser idólatras.

 2 - Deus diz que não admite imagens de escultura no culto, mas os homens criam todo o tipo de cultos abomináveis cheios de imagens, idolatrias, e aberrações. Querem cultos agradáveis a si mesmos e não cultuar realmente a Deus. Desejam a liberdade de cultuar segundo suas aspirações rebeldes. Querem liberdade!

 3 - Deus diz que não devem usar seu Santo Nome em vão. Mas eles desprezam o Nome de Deus, usando-o em piadas, jurando sem nenhuma verdade, e dizendo-se fieis a Deus quando o desobedecem em suas obras. Querem a liberdade para desonrar o Santo Nome de Deus.

 4 - Deus diz que devem guardar para Ele um dia dentre sete, o domingo segundo o Novo Testamento, o Dia do Senhor. Mas eles acham que isso é muito radical, que é perda de tempo, que precisam usar este dia para seus negócios e diversões. Querem liberdade para profanar o Dia do Senhor.

 5 - Deus diz que devem honrar seus pais e as demais autoridades, mas eles querem liberdade para desrespeitar os superiores.

 6 - Deus diz que eles não devem matar, mas eles querem ter liberdade para destruir a vida de seus próximos mesmo que sem uso de armas, visto que até com palavras se quebra este mandamento (Mt 5:21-26). Querem liberdade para fazer mal ao próximo.

 7 - Deus diz que não devem adulterar, mas possuir pureza sexual, mas eles acham isso absurdo e restritivo, desejando a liberdade de praticar todo o tipo de aberrações sexuais.

 8 - Deus diz que não devem furtar, mas eles desejam liberdade para tomar o que é do outro.

 9 - Deus diz que eles não devem dar falso testemunho, mas eles querem ter liberdade para difamar seus próximos.

 10 - Deus diz que não devem cobiçar o que é do próximo, mas eles querem ser livres para cobiçar, invejar e possuir o que é do outro.

 Liberdade, liberdade, liberdade, liberdade é o que os ímpios querem. Eles acham os mandamentos de Deus muito opressores, escravizadores, restritivos. São algemas, são laços que devem ser quebrados, segundo eles. Querem afinal, liberdade para pecar. Você é este tipo de gente meu leitor? Se sim, então você está contra Deus.” (Manoel Coelho Jr, Juízo Final, páginas 3 a 4).

A conclusão é que qualquer ato de justiça dos homens ímpios, e todos fora de Cristo são ímpios, é pecado e nada merece de Deus. O homem sem a graça de Deus não pode se salvar! Desista deste caminho de ilusão. No próximo estudo veremos a verdadeira solução. É a solução que vem de Deus em Cristo.

Pode ser copiado e distribuído livremente, desde que indicada a fonte, a autoria, e o conteúdo não seja modificado!

 *Estudo da noite de quarta, dia 11 de dezembro de 2013, na Congregação Batista Reformada em Belém.


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