Meu Problema com o Governo do PT, por Pastor Alan Rennê Alexandrino*.

Sai de cena um governo marcado por inúmeros casos de corrupção. Entra em cena um governo que também é acusado de envolvimento em esquemas de corrupção.

Este novo governo - pasmem os senhores! - possui 8 ministros entre citados e investigados na Operação Lava Jato. Que tragédia, não é mesmo? Sim, é ruim! No entanto, o antigo governo sai de cena com nada menos que 21 ministros investigados por corrupção, ao longo dos pouco mais de cinco anos de existência. Outro detalhe importante é que, em relação ao antigo governo, sabe-se de pelo menos 1 ministro que foi nomeado para o cargo a fim de escapar do juiz Sérgio Moro e, assim, contar com foro privilegiado. Não preciso mencionar o nome, pois a história ainda está fresquinha na mente.


De qualquer modo, é imperativo que eu me posicione contra o novo governo tanto quanto me posicionei contra o governo de Dilma Rousseff, correto? Sim e não.

Sim, como cristão eu tenho de ojerizar a corrupção, o roubo, o desvio de verbas, o enriquecimento ilícito, as propinas etc. Uma vez que o novo governo seja conhecido por tais práticas, certamente encontrará em mim uma voz de oposição, da mesma forma como me opus ao antigo governo.
Mas a resposta também é não. Eu não farei oposição ao governo de Michel Temer da mesma forma como fiz ao de Dilma Rousseff. "Que absurdo!", você pode gritar. "Parcial!, "É contra o PT apenas, não contra a corrupção!", e por aí vai. Mas este não é o caso.

Eu abomino a institucionalização da corrupção praticada pelo PT tanto quanto abomino a corrupção praticada por qualquer partido. Apesar disso, o PT é signatário do Foro de São Paulo, uma organização latino-americana com um plano sórdido, de criar a chamada Pátria Grande, um grande conglomerado de países socialistas. O PT não apenas é um dos signatários, como é um dos fundadores do Foro de São Paulo. O PMDB, por sua vez, não tem relações com o Foro de São Paulo. Basta observar a reação dos presidentes da Venezuela, Bolívia e Equador ao Impeachment de Dilma Rousseff.

O PT, bem como os partidos menores denominados de "linhas auxiliares", possuía um plano de poder, a fim de se perpetuar no comando do Brasil. O que estaria envolvido em toda a revolução gramcista instaurada em solo brasileiro desde meados da década de 60, senão a busca pela hegemonia cultural e a perpetuação esquerdista no comando da nação? O que estaria envolvido na degeneração de nossas universidades federais, na desgraçada doutrinação a que nossos estudantes secundaristas são submetidos, senão uma formação cultural que possibilite a perpetuação do partido no poder? Até onde se sabe o PMDB não tem a mesma pretensão.

E, ainda assim, eu devo me opor ao atual governo com a mesma veemência com que me opus ao antigo? Na-na-ni-na não!

Em 2010, durante a campanha presidencial, escrevi um texto intitulado "A Caixa de Pandora do PT", destacando o famigerado PNDH-3 e diversas das suas ações programáticas. De antemão, preciso afirmar que, é perfeitamente possível que alguém me acuse de distorcer os fatos, afirmando que laboro em erro ao associar o PNDH-3 com o PT, visto que o programa é projetado e patrocinado não pelo partido, mas sim pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Não obstante, é fato que o Estado, infelizmente, tem sido utilizado como máquina de joguetes nas mãos do partido. Os projetos das secretarias especiais, como é o caso do PNDH-3, nada mais são do que políticas particulares e partidárias. Muitas das quimeras elencadas no texto do PNDH-3 são esposadas pelo Partido dos Trabalhadores, e, com isso, seus adeptos fazem uso da máquina estatal para obterem a consecução dos seus ideais.

Pois bem, as ações programáticas do PNDH-3 que também são bandeiras partidárias do PT são os seguintes: 1. Descriminalização do aborto (Eixo Orientador III, Diretriz 9, Objetivo Estratégico 3, alínea "g"); 2. Legalização da Prostituição (Eixo Orientador III, Diretriz 9, Objetivo Estratégico 3, alínea "h"); 3. Promoção do Homossexualismo (Eixo Orientador III, Diretriz 10, Objetivo Estratégico 5). A alínea "d" deste diz o seguinte: "Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade”. Mas o que isso quer dizer? Isso quer dizer, que a heterossexualidade e a homossexualidade devem ser interpretadas de forma situacional ou relativa, não de forma absoluta. De forma simples, o que o programa pretende é ensinar que a heterossexualidade não é em nada melhor da homossexualidade. Trata-se de algo meramente construído pela sociedade, podendo assim, ser facilmente desconstruído. A desconstrução da heteronormatividade traz consigo a afirmação da Bíblia como um livro obscurantista, antiquado, retrógrado, não-inspirado, algo já afirmado explicitamente pelos militantes do movimento LGBT.

O que tudo isso tem a ver com o Partido dos Trabalhadores? Simplesmente, tudo! As ações programáticas listadas acima fazem parte de um compromisso partidário. Todas foram discutidas e defendidas de forma ferrenha nos últimos anos. Luís Inácio Lula da Silva, na apresentação do PNDH-3, afirma o seguinte: “Tenho reiterado que um momento muito importante de nosso mandato foi a realização da 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, travestis e transexuais, em 2008, marco histórico na caminhada para construirmos um país sem qualquer tipo de intolerância homofóbica”. Além disso, o Partido dos Trabalhadores, através das resoluções do seu 3º Congresso, em 2007, reafirma o compromisso partidário de defender a “autodeterminação das mulheres, da discriminalização[sic] do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público, evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres”. O serviço público mencionado é o SUS (Sistema Único de Saúde). Interessantemente, o PNDH-2, datado de 13 de maio de 2002, na proposta geral 334 se compromete a “considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços públicos de saúde para os casos previstos em lei".

E eu ainda devo me opor ao PMDB e a Michel Temer da mesma forma como me oponho ao PT? Só pode ser brincadeira!
A partir do instante em que todas as questões aqui mencionadas se tornarem bandeiras partidárias e o PMDB passar a usar a máquina estatal para promovê-las, certamente ele encontrará em mim um opositor.

Assim, encerro deixando claro que minha maior questão em relação ao PT é com a ideologia socialista-marxista. Muitos se agarram à doutrinação que os faz repetir: "Os pobres passaram a viajar de avião!", "Os pobres passaram a frequentar universidades particulares!" etc. Nada disso, nenhuma dessas conquistas deve fazer com que fechemos os olhos diante de uma ideologia maligna e anticristã. Tenho horror a uma ideologia que, quando inculcada nas mentes da juventude os leva a agredir, bater e cuspir num senhor de meia-idade apenas porque este usa uma camiseta de um deputado com ideologia diferente, como ocorreu na Universidade Federal do Ceará, na última semana.


Quer continuar com seu romantismo? Fique à vontade! Só não conte comigo!

*Pastor da Igreja Presbiteriana do Cruzeiro do Anil.


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